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    Decreto nº 9.854 de 25 de Junho de 2019

    Presidência da República Secretaria-Geral Subchefia para Assuntos Jurídicos

    O PRESIDENTE DA REPÚBLICA , no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, caput , inciso VI, alínea "a", da Constituição, DECRETA :

    Publicado por Presidência da República

    Brasília, 25 de junho de 2019; 198º da Independência e 131º da República.


    Art. 1º

    Fica instituído o Plano Nacional de Internet das Coisas com a finalidade de implementar e desenvolver a Internet das Coisas no País e , com base na livre concorrência e na livre circulação de dados, observadas as diretrizes de segurança da informação e de proteção de dados pessoais.

    Art. 2º

    Para fins do disposto neste Decreto, considera-se:

    I

    Internet das Coisas - IoT - a infraestrutura que integra a prestação de serviços de valor adicionado com capacidades de conexão física ou virtual de coisas com dispositivos baseados em tecnologias da informação e comunicação existentes e nas suas evoluções, com interoperabilidade;

    II

    coisas - objetos no mundo físico ou no mundo digital, capazes de serem identificados e integrados pelas redes de comunicação;

    III

    dispositivos - equipamentos ou subconjuntos de equipamentos com capacidade mandatória de comunicação e capacidade opcional de sensoriamento, de atuação, de coleta, de armazenamento e de processamento de dados; e

    IV

    serviço de valor adicionado - atividade que acrescenta a um serviço de telecomunicações que lhe dá suporte e com o qual não se confunde novas utilidades relacionadas ao acesso, ao armazenamento, à apresentação, à movimentação ou à recuperação de informações, nos termos do disposto no art. 61 da Lei nº 9.472, de 16 de julho de 1997 .

    Art. 3º

    São objetivos do Plano Nacional de Internet das Coisas:

    I

    melhorar a qualidade de vida das pessoas e promover ganhos de eficiência nos serviços, por meio da implementação de soluções de IoT;

    II

    promover a capacitação profissional relacionada ao desenvolvimento de aplicações de IoT e a geração de empregos na economia digital;

    III

    incrementar a produtividade e fomentar a competitividade das empresas brasileiras desenvolvedoras de IoT, por meio da promoção de um ecossistema de inovação neste setor;

    IV

    buscar parcerias com os setores público e privado para a implementação da IoT; e

    V

    aumentar a integração do País no cenário internacional, por meio da participação em fóruns de padronização, da cooperação internacional em pesquisa, desenvolvimento e inovação e da internacionalização de soluções de IoT desenvolvidas no País.

    Art. 4º

    Ato do Ministro de Estado da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações indicará os ambientes priorizados para aplicações de soluções de IoT e incluirá, no mínimo, os ambientes de saúde, de cidades, de indústrias e rural.

    § 1º

    Os ambientes de uso de IoT serão priorizados a partir de critérios de oferta, de demanda e de capacidade de desenvolvimento local.

    § 2º

    O ato de que trata o<strong> caput será utilizado como referência para:

    I

    o acesso a mecanismos de fomento à pesquisa científica, ao desenvolvimento tecnológico e à inovação; e

    II

    o apoio ao empreendedorismo de base tecnológica.

    § 3º

    Os órgãos e entidades públicas com projetos relacionados à IoT poderão aderir ao Plano Nacional de Internet das Coisas para fins do disposto no § 2º, por meio de acordo de cooperação técnica com o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações.

    Art. 5º

    Ficam estabelecidos os seguintes temas que integrarão plano de ação destinado a identificar soluções para viabilizar o Plano Nacional de Internet das Coisas

    I

    ciência, tecnologia e inovação;

    II

    inserção internacional;

    III

    educação e capacitação profissional;

    IV

    infraestrutura de conectividade e interoperabilidade;

    V

    regulação, segurança e privacidade; e

    VI

    viabilidade econômica.

    Parágrafo único

    As ações desenvolvidas no plano de ação de que trata o<strong> caput deverão estar alinhadas com as ações estratégicas definidas na Estratégia Brasileira para a Transformação Digital, nos termos do disposto no Decreto nº 9.319, de 21 de março de 2018.

    Art. 6º

    Ficam estabelecidos os seguintes projetos mobilizadores com o objetivo de facilitar a implementação do Plano Nacional de Internet das Coisas, a serem coordenados pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações:

    I

    Plataformas de Inovação em Internet das Coisas;

    II

    Centros de Competência para Tecnologias Habilitadoras em Internet das Coisas; e

    III

    Observatório Nacional para o Acompanhamento da Transformação Digital.

    Art. 7º

    A Câmara de Gestão e Acompanhamento do Desenvolvimento de Sistemas de Comunicação Máquina a Máquina e Internet das Coisas - Câmara IoT é órgão de assessoramento destinado a acompanhar a implementação do Plano Nacional de Internet das Coisas, a quem compete:

    I

    monitorar e avaliar as iniciativas de implementação do Plano Nacional de Internet das Coisas;

    II

    promover e fomentar parcerias entre entidades públicas e privadas para o alcance dos objetivos do Plano Nacional de Internet das Coisas;

    III

    discutir com os órgãos e entidades públicas os temas do plano de ação de que trata o art. 5º;

    IV

    apoiar e propor projetos mobilizadores; e

    V

    atuar conjuntamente com órgãos e entidades públicas para estimular o uso e o desenvolvimento de soluções de IoT.

    § 1º

    A Câmara IoT é um colegiado não deliberativo, que dispensa quórum mínimo para reuniões e votação sobre as matérias de sua pauta.

    § 2º

    A Câmara IoT será composta por representantes dos seguintes órgãos:

    I

    Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, que a presidirá;

    II

    Ministério da Economia;

    III

    Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento;

    IV

    Ministério da Saúde; e

    V

    Ministério do Desenvolvimento Regional.

    § 3º

    Cada membro do colegiado terá um suplente, que o substituirá em suas ausências e impedimentos.

    § 4º

    Os membros da Câmara IoT a que se referem os incisos I a V do § 2º e seus respectivos suplentes serão indicados pelos titulares dos órgãos que representam e designados pelo Secretário de Empreendedorismo e Inovação do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações.

    § 5º

    O Secretário de Empreendedorismo e Inovação do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações poderá convidar representantes de associações e de entidades públicas e privadas para participar das reuniões da Câmara IoT.

    § 6º

    A Câmara IoT se reunirá em caráter ordinário semestralmente e em caráter extraordinário sempre que convocado por seu Presidente.

    § 7º

    A Secretaria-Executiva da Câmara IoT será exercida pela Secretaria de Empreendedorismo e Inovação do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações.

    § 8º

    Os membros da Câmara IoT que se encontrarem no Distrito Federal se reunirão presencialmente e os membros que se encontrem em outros entes federativos participarão da reunião por meio de videoconferência.

    § 9º

    Eventuais despesas de deslocamento e estadia dos membros da Câmara IoT serão custeadas pelos respectivos órgãos ou entidades de origem.

    § 10º

    A participação na Câmara IoT será considerada prestação de serviço público relevante, não remunerada.

    § 11º

    É vedada a criação de subcolegiados no âmbito da Câmara IoT.

    Art. 8º

    Para fins do disposto no art. 38 da Lei nº 12.715, de 17 de setembro de 2012 , são considerados sistemas de comunicação máquina a máquina as redes de telecomunicações, incluídos os dispositivos de acesso, para transmitir dados a aplicações remotas com o objetivo de monitorar, de medir e de controlar o próprio dispositivo, o ambiente ao seu redor ou sistemas de dados a ele conectados por meio dessas redes.

    § 1º

    Para fins do disposto no<strong> caput , os sistemas de comunicação máquina a máquina não incluem os equipamentos denominados máquinas de cartão de débito e/ou crédito, formalmente considerados terminais de transferência eletrônica de débito e crédito, classificados na posição 8470.50 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados - TIPI, aprovada pelo Decreto nº 8.950, de 29 de dezembro de 2016.

    § 2º

    Compete à Agência Nacional de Telecomunicações regulamentar e fiscalizar o disposto neste artigo, observadas as normas do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações.

    Art. 9º

    O Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações poderá dispor sobre regras complementares para a implementação do Plano Nacional de Internet das Coisas.

    Art. 10º

    Fica revogado o Decreto nº 8.234, de 2 de maio de 2014 .

    Art. 11

    Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.


    JAIR MESSIAS BOLSONARO Elifas Chaves Gurgel do Amaral

    Este texto não substitui o publicado no DOU de 26.6.2019