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Analista Judiciário - Área Judiciária - 2010


Página 2  •  Total 70 questões
99282Questão 11|Português|superior

Homens

Deus, que não tinha problemas de verba, nem uma

oposição para ficar dizendo "Projetos faraônicos! Projetos faraônicos!",

resolveu, numa semana em que não tinha mais nada

para fazer, criar o mundo. E criou o céu e a terra e as estrelas, e

viu que eram razoáveis. Mas achou que faltava vida na sua

criação e - sem uma ideia muito firme do que queria - começou

a experimentar com formas vivas. Fez amebas, insetos, répteis.

As baratas, as formigas etc. Mas, apesar de algumas coisas

bem resolvidas - a borboleta, por exemplo -, nada realmente o

agradou. Decidiu que estava se reprimindo e partiu para grandes

projetos: o mamute, o dinossauro e, numa fase especialmente

megalomaníaca, a baleia. Mas ainda não era bem aquilo.

Não chegou a renegar nada do que fez - a não ser o rinoceronte,

que até hoje Ele diz que não foi Ele - e tem explicação até

para a girafa, citando Le Corbusier* ("A forma segue a função").

Mas queria outra coisa. E então bolou um bípede. Uma variação

do macaco, sem tanto cabelo. Era quase o que Ele queria. Mas

ainda não era bem aquilo. E, entusiasmado, Deus trancou-se na

sua oficina e pôs-se a trabalhar. E moldou sua criatura, e

abrandou suas feições, e arredondou suas formas, e tirou um

pouquinho daqui e acrescentou um pouquinho ali. E criou a

Mulher, e viu que era boa. E determinou que ela reinaria sobre a

sua criação, pois era a sua obra mais bem acabada.

Infelizmente, o Diabo andou mexendo na lata de lixo de

Deus e, com o que sobrou da Mulher, criou o Homem.

*Le Corbusier = Importante arquiteto francês

(Luis Fernando Verissimo. As mentiras que os homens contam.

Rio de Janeiro: Objetiva, 2001)

O humor e a ironia do texto derivam de vários recursos utilizados, tais como:

I. Aproximação jocosa da linguagem bíblica.

II. Informalidade e irreverência na caracterização de Deus.

III. Alusões sarcásticas à política entre os homens.

Satisfaz o enunciado o que consta em

  • A

    I, II e III.

  • B

    I e II, apenas.

  • C

    II e III, apenas.

  • D

    I e III, apenas.

  • E

    I, apenas.

99283Questão 12|Português|superior

Homens

Deus, que não tinha problemas de verba, nem uma

oposição para ficar dizendo "Projetos faraônicos! Projetos faraônicos!",

resolveu, numa semana em que não tinha mais nada

para fazer, criar o mundo. E criou o céu e a terra e as estrelas, e

viu que eram razoáveis. Mas achou que faltava vida na sua

criação e - sem uma ideia muito firme do que queria - começou

a experimentar com formas vivas. Fez amebas, insetos, répteis.

As baratas, as formigas etc. Mas, apesar de algumas coisas

bem resolvidas - a borboleta, por exemplo -, nada realmente o

agradou. Decidiu que estava se reprimindo e partiu para grandes

projetos: o mamute, o dinossauro e, numa fase especialmente

megalomaníaca, a baleia. Mas ainda não era bem aquilo.

Não chegou a renegar nada do que fez - a não ser o rinoceronte,

que até hoje Ele diz que não foi Ele - e tem explicação até

para a girafa, citando Le Corbusier* ("A forma segue a função").

Mas queria outra coisa. E então bolou um bípede. Uma variação

do macaco, sem tanto cabelo. Era quase o que Ele queria. Mas

ainda não era bem aquilo. E, entusiasmado, Deus trancou-se na

sua oficina e pôs-se a trabalhar. E moldou sua criatura, e

abrandou suas feições, e arredondou suas formas, e tirou um

pouquinho daqui e acrescentou um pouquinho ali. E criou a

Mulher, e viu que era boa. E determinou que ela reinaria sobre a

sua criação, pois era a sua obra mais bem acabada.

Infelizmente, o Diabo andou mexendo na lata de lixo de

Deus e, com o que sobrou da Mulher, criou o Homem.

*Le Corbusier = Importante arquiteto francês

(Luis Fernando Verissimo. As mentiras que os homens contam.

Rio de Janeiro: Objetiva, 2001)

Está correta a seguinte afirmação sobre uma ocorrência no texto:

  • A

    os termos faraônicos e megalomaníaca opõem-se quanto ao sentido.

  • B

    a citação do arquiteto Corbusier torna justificável a criação do rinoceronte.

  • C

    o termo se reprimindo aplica-se a Deus pelo fato de Ele haver criado bichos monstruosos.

  • D

    a forma pela qual a Mulher foi criada justifica o primado masculino na Terra.

  • E

    os termos lata de lixo e sobrou conotam a inferioridade da condição do Diabo e do Homem.

99284Questão 13|Português|superior

Homens

Deus, que não tinha problemas de verba, nem uma

oposição para ficar dizendo "Projetos faraônicos! Projetos faraônicos!",

resolveu, numa semana em que não tinha mais nada

para fazer, criar o mundo. E criou o céu e a terra e as estrelas, e

viu que eram razoáveis. Mas achou que faltava vida na sua

criação e - sem uma ideia muito firme do que queria - começou

a experimentar com formas vivas. Fez amebas, insetos, répteis.

As baratas, as formigas etc. Mas, apesar de algumas coisas

bem resolvidas - a borboleta, por exemplo -, nada realmente o

agradou. Decidiu que estava se reprimindo e partiu para grandes

projetos: o mamute, o dinossauro e, numa fase especialmente

megalomaníaca, a baleia. Mas ainda não era bem aquilo.

Não chegou a renegar nada do que fez - a não ser o rinoceronte,

que até hoje Ele diz que não foi Ele - e tem explicação até

para a girafa, citando Le Corbusier* ("A forma segue a função").

Mas queria outra coisa. E então bolou um bípede. Uma variação

do macaco, sem tanto cabelo. Era quase o que Ele queria. Mas

ainda não era bem aquilo. E, entusiasmado, Deus trancou-se na

sua oficina e pôs-se a trabalhar. E moldou sua criatura, e

abrandou suas feições, e arredondou suas formas, e tirou um

pouquinho daqui e acrescentou um pouquinho ali. E criou a

Mulher, e viu que era boa. E determinou que ela reinaria sobre a

sua criação, pois era a sua obra mais bem acabada.

Infelizmente, o Diabo andou mexendo na lata de lixo de

Deus e, com o que sobrou da Mulher, criou o Homem.

*Le Corbusier = Importante arquiteto francês

(Luis Fernando Verissimo. As mentiras que os homens contam.

Rio de Janeiro: Objetiva, 2001)

Constituem uma causa e seu efeito, respectivamente, os segmentos indicados em:

  • A

    não tinha problemas de verba // nem [tinha] uma oposição.

  • B

    apesar de algumas coisas bem resolvidas // nada o agradou.

  • C

    Não chegou a renegar nada do que fez // a não ser o rinoceronte.

  • D

    era a sua obra mais bem acabada // determinou que ela reinaria.

  • E

    começou a experimentar com formas vivas // achou que faltava vida.

99285Questão 14|Português|superior

Homens

Deus, que não tinha problemas de verba, nem uma

oposição para ficar dizendo "Projetos faraônicos! Projetos faraônicos!",

resolveu, numa semana em que não tinha mais nada

para fazer, criar o mundo. E criou o céu e a terra e as estrelas, e

viu que eram razoáveis. Mas achou que faltava vida na sua

criação e - sem uma ideia muito firme do que queria - começou

a experimentar com formas vivas. Fez amebas, insetos, répteis.

As baratas, as formigas etc. Mas, apesar de algumas coisas

bem resolvidas - a borboleta, por exemplo -, nada realmente o

agradou. Decidiu que estava se reprimindo e partiu para grandes

projetos: o mamute, o dinossauro e, numa fase especialmente

megalomaníaca, a baleia. Mas ainda não era bem aquilo.

Não chegou a renegar nada do que fez - a não ser o rinoceronte,

que até hoje Ele diz que não foi Ele - e tem explicação até

para a girafa, citando Le Corbusier* ("A forma segue a função").

Mas queria outra coisa. E então bolou um bípede. Uma variação

do macaco, sem tanto cabelo. Era quase o que Ele queria. Mas

ainda não era bem aquilo. E, entusiasmado, Deus trancou-se na

sua oficina e pôs-se a trabalhar. E moldou sua criatura, e

abrandou suas feições, e arredondou suas formas, e tirou um

pouquinho daqui e acrescentou um pouquinho ali. E criou a

Mulher, e viu que era boa. E determinou que ela reinaria sobre a

sua criação, pois era a sua obra mais bem acabada.

Infelizmente, o Diabo andou mexendo na lata de lixo de

Deus e, com o que sobrou da Mulher, criou o Homem.

*Le Corbusier = Importante arquiteto francês

(Luis Fernando Verissimo. As mentiras que os homens contam.

Rio de Janeiro: Objetiva, 2001)

Está adequada a correlação entre tempos e modos verbais na frase:

  • A

    E teria determinado que ela tivesse reinado sobre a sua criação, uma vez que fosse sua obra mais bem acabada.

  • B

    E acabou determinando que ela haveria de reinar sobre a sua criação, visto que era a sua obra mais bem acabada.

  • C

    E determinara que ela houvesse de reinar sobre a sua criação, pois haverá de ter sido sua obra mais bem acabada.

  • D

    E foi determinando que ela estivesse reinando sobre a sua criação, sendo sua obra mais bem acabada.

  • E

    E tinha determinado que ela reinara sobre a sua criação, dado que estivesse sendo sua obra mais bem acabada.

99286Questão 15|Português|superior

Homens

Deus, que não tinha problemas de verba, nem uma

oposição para ficar dizendo "Projetos faraônicos! Projetos faraônicos!",

resolveu, numa semana em que não tinha mais nada

para fazer, criar o mundo. E criou o céu e a terra e as estrelas, e

viu que eram razoáveis. Mas achou que faltava vida na sua

criação e - sem uma ideia muito firme do que queria - começou

a experimentar com formas vivas. Fez amebas, insetos, répteis.

As baratas, as formigas etc. Mas, apesar de algumas coisas

bem resolvidas - a borboleta, por exemplo -, nada realmente o

agradou. Decidiu que estava se reprimindo e partiu para grandes

projetos: o mamute, o dinossauro e, numa fase especialmente

megalomaníaca, a baleia. Mas ainda não era bem aquilo.

Não chegou a renegar nada do que fez - a não ser o rinoceronte,

que até hoje Ele diz que não foi Ele - e tem explicação até

para a girafa, citando Le Corbusier* ("A forma segue a função").

Mas queria outra coisa. E então bolou um bípede. Uma variação

do macaco, sem tanto cabelo. Era quase o que Ele queria. Mas

ainda não era bem aquilo. E, entusiasmado, Deus trancou-se na

sua oficina e pôs-se a trabalhar. E moldou sua criatura, e

abrandou suas feições, e arredondou suas formas, e tirou um

pouquinho daqui e acrescentou um pouquinho ali. E criou a

Mulher, e viu que era boa. E determinou que ela reinaria sobre a

sua criação, pois era a sua obra mais bem acabada.

Infelizmente, o Diabo andou mexendo na lata de lixo de

Deus e, com o que sobrou da Mulher, criou o Homem.

*Le Corbusier = Importante arquiteto francês

(Luis Fernando Verissimo. As mentiras que os homens contam.

Rio de Janeiro: Objetiva, 2001)

Deus criou o mundo, mas logo

considerou o mundo

desprovido de vida, e resolveu

acrescentar ao mundo

seres vivos, que

povoassem o mundo

e

imprimissem ao mundo

a marca do sopro divino.

Evitam-se as viciosas respetições da frase acima substituindo- se os elementos sublinhados, respectivamente, por

  • A

    considerou-o - acrescentá-lo - povoassem-no - imprimissem- no

  • B

    considerou-lhe - acrescentar-lhe - povoassem-lhe - imprimissem- lhe

  • C

    o considerou - acrescentar-lhe - o povoassem - lhe imprimissem

  • D

    lhe considerou - acrescentá-lo - povoassem-no - imprimissem- lhe

  • E

    considerou-o - o acrescentar - lhe povoassem - lhe imprimissem

99287Questão 16|Português|superior

O humor e o "politicamente correto"

Tem sido marca de nossa época (não se sabe exatamente

a partir de quando, nem por que começou) adotar extrema

cautela quanto a formas de expressão, ao vocabulário, ao

emprego de certos conceitos. Trata-se de evitar que seja ferida

a susceptibilidade de quem pertence a determinada etnia, ou

professe certa religião, ou se oriente por determinada opção

sexual, ou que surja representando toda uma nacionalidade. Tal

preocupação traria a vantagem de impedir (ou ao menos tentar

impedir) a propagação de qualquer preconceito. Mas, no que diz

respeito à criação e à prática do humor, os efeitos dessa cautela

podem ser desastrosos.

É que o humor vive, exatamente, do desmesuramento,

do excesso, do arbítrio, da caricatura, do estereótipo ... e do

preconceito. Este último é o vilão da história: o preconceito é o

argumento final para quem cultiva o politicamente correto e

abomina quem dê um passo fora desse território bem comportado

e muito bem controlado.

Desde sempre o humor serviu como compensação

simbólica para as tantas desventuras que afligem o homem. É

quando o pobre se ri do rico, o ingênuo do esperto, o fraco do

poderoso; ou então, é quando ser pobre, ingênuo ou fraco já é

razão para um riso que explora o peso do infortúnio e da

desgraça. De fato, o humor não pede a ninguém o direito de

agir: sua liberdade é a sua razão de ser, é o sentido final de

quem ri - ainda que seja para não chorar.

O advento do "politicamente correto" parte da convicção

de que, para sermos todos felizes, temos que ser todos, ao

mesmo tempo e inteiramente, justos e honestos uns com os

outros, respeitando-nos uns aos outros sem qualquer possibilidade

de desvio. Ora, às vezes isso é extremamente chato:

ou porque não conseguimos ser justos e honestos o tempo

todo, ou porque a falta do riso acaba por nos tornar tão

distantes uns em relação ao outros que nos sentimos quase

desumanos... Por alguma razão, o riso é parte de nós. Sem ele,

perderemos a criancice, mataremos todos os palhaços do

mundo, eliminaremos todas as gargalhadas. Ou, como disse

uma vez um humorista, "se o mundo chegar a ser inteiramente

sério, que graça terá?".

(Abelardo Siqueira, inédito)

De acordo com o primeiro parágrafo, a usual manifestação e uma possível consequência da difusão do "politicamente correto" em nossa época são, respectivamente,

  • A

    a adoção de rigorosa vigilância no emprego de certas expressões e a ruinosa eliminação do humor.

  • B

    a exteriorização de justos preconceitos e a disseminação de valores e ideias mal formulados.

  • C

    o extremo rigor nos ofícios religiosos e a difusão de preconceitos meramente étnicos ou sexuais.

  • D

    um desastroso abandono das várias formas de humor e a crítica rigorosa da razão de ser dos preconceitos.

  • E

    o desprezo pelas frágeis susceptibilidades e o advento de formas políticas mais amadurecidas.

99288Questão 17|Português|superior

O humor e o "politicamente correto"

Tem sido marca de nossa época (não se sabe exatamente

a partir de quando, nem por que começou) adotar extrema

cautela quanto a formas de expressão, ao vocabulário, ao

emprego de certos conceitos. Trata-se de evitar que seja ferida

a susceptibilidade de quem pertence a determinada etnia, ou

professe certa religião, ou se oriente por determinada opção

sexual, ou que surja representando toda uma nacionalidade. Tal

preocupação traria a vantagem de impedir (ou ao menos tentar

impedir) a propagação de qualquer preconceito. Mas, no que diz

respeito à criação e à prática do humor, os efeitos dessa cautela

podem ser desastrosos.

É que o humor vive, exatamente, do desmesuramento,

do excesso, do arbítrio, da caricatura, do estereótipo ... e do

preconceito. Este último é o vilão da história: o preconceito é o

argumento final para quem cultiva o politicamente correto e

abomina quem dê um passo fora desse território bem comportado

e muito bem controlado.

Desde sempre o humor serviu como compensação

simbólica para as tantas desventuras que afligem o homem. É

quando o pobre se ri do rico, o ingênuo do esperto, o fraco do

poderoso; ou então, é quando ser pobre, ingênuo ou fraco já é

razão para um riso que explora o peso do infortúnio e da

desgraça. De fato, o humor não pede a ninguém o direito de

agir: sua liberdade é a sua razão de ser, é o sentido final de

quem ri - ainda que seja para não chorar.

O advento do "politicamente correto" parte da convicção

de que, para sermos todos felizes, temos que ser todos, ao

mesmo tempo e inteiramente, justos e honestos uns com os

outros, respeitando-nos uns aos outros sem qualquer possibilidade

de desvio. Ora, às vezes isso é extremamente chato:

ou porque não conseguimos ser justos e honestos o tempo

todo, ou porque a falta do riso acaba por nos tornar tão

distantes uns em relação ao outros que nos sentimos quase

desumanos... Por alguma razão, o riso é parte de nós. Sem ele,

perderemos a criancice, mataremos todos os palhaços do

mundo, eliminaremos todas as gargalhadas. Ou, como disse

uma vez um humorista, "se o mundo chegar a ser inteiramente

sério, que graça terá?".

(Abelardo Siqueira, inédito)

Atente para as seguintes afirmações:

I. O humor não elimina o preconceito; pode utilizá-lo como ingrediente para a compensação simbólica promovida pelo riso.

II. O "politicamente correto" implica uma rígida demarcação do espaço de ação e da natureza das palavras e dos valores.

III. O humor e o "politicamente correto" só podem conviver em uma sociedade em que todos os homens sejam justos.

Está correto o que consta em

  • A

    I, II e III.

  • B

    I e III, apenas.

  • C

    II e III, apenas.

  • D

    I e II, apenas.

  • E

    II, apenas.

99289Questão 18|Português|superior

O humor e o "politicamente correto"

Tem sido marca de nossa época (não se sabe exatamente

a partir de quando, nem por que começou) adotar extrema

cautela quanto a formas de expressão, ao vocabulário, ao

emprego de certos conceitos. Trata-se de evitar que seja ferida

a susceptibilidade de quem pertence a determinada etnia, ou

professe certa religião, ou se oriente por determinada opção

sexual, ou que surja representando toda uma nacionalidade. Tal

preocupação traria a vantagem de impedir (ou ao menos tentar

impedir) a propagação de qualquer preconceito. Mas, no que diz

respeito à criação e à prática do humor, os efeitos dessa cautela

podem ser desastrosos.

É que o humor vive, exatamente, do desmesuramento,

do excesso, do arbítrio, da caricatura, do estereótipo ... e do

preconceito. Este último é o vilão da história: o preconceito é o

argumento final para quem cultiva o politicamente correto e

abomina quem dê um passo fora desse território bem comportado

e muito bem controlado.

Desde sempre o humor serviu como compensação

simbólica para as tantas desventuras que afligem o homem. É

quando o pobre se ri do rico, o ingênuo do esperto, o fraco do

poderoso; ou então, é quando ser pobre, ingênuo ou fraco já é

razão para um riso que explora o peso do infortúnio e da

desgraça. De fato, o humor não pede a ninguém o direito de

agir: sua liberdade é a sua razão de ser, é o sentido final de

quem ri - ainda que seja para não chorar.

O advento do "politicamente correto" parte da convicção

de que, para sermos todos felizes, temos que ser todos, ao

mesmo tempo e inteiramente, justos e honestos uns com os

outros, respeitando-nos uns aos outros sem qualquer possibilidade

de desvio. Ora, às vezes isso é extremamente chato:

ou porque não conseguimos ser justos e honestos o tempo

todo, ou porque a falta do riso acaba por nos tornar tão

distantes uns em relação ao outros que nos sentimos quase

desumanos... Por alguma razão, o riso é parte de nós. Sem ele,

perderemos a criancice, mataremos todos os palhaços do

mundo, eliminaremos todas as gargalhadas. Ou, como disse

uma vez um humorista, "se o mundo chegar a ser inteiramente

sério, que graça terá?".

(Abelardo Siqueira, inédito)

É correto deduzir-se da leitura do último parágrafo que o humor

  • A

    se torna aborrecido quando o praticamos para combater o "politicamente correto".

  • B

    nos aproxima a todos, uma vez que participa da nossa própria humanidade.

  • C

    corrige os desvios humanos, exatamente quando foge ao que é "politicamente correto".

  • D

    nos torna mais justos uns com os outros, pois pratica a justiça simbolicamente.

  • E

    se torna uma prática saudável ao nos fazer sentir mais felizes e justos uns com os outros.

99290Questão 19|Português|superior

O humor e o "politicamente correto"

Tem sido marca de nossa época (não se sabe exatamente

a partir de quando, nem por que começou) adotar extrema

cautela quanto a formas de expressão, ao vocabulário, ao

emprego de certos conceitos. Trata-se de evitar que seja ferida

a susceptibilidade de quem pertence a determinada etnia, ou

professe certa religião, ou se oriente por determinada opção

sexual, ou que surja representando toda uma nacionalidade. Tal

preocupação traria a vantagem de impedir (ou ao menos tentar

impedir) a propagação de qualquer preconceito. Mas, no que diz

respeito à criação e à prática do humor, os efeitos dessa cautela

podem ser desastrosos.

É que o humor vive, exatamente, do desmesuramento,

do excesso, do arbítrio, da caricatura, do estereótipo ... e do

preconceito. Este último é o vilão da história: o preconceito é o

argumento final para quem cultiva o politicamente correto e

abomina quem dê um passo fora desse território bem comportado

e muito bem controlado.

Desde sempre o humor serviu como compensação

simbólica para as tantas desventuras que afligem o homem. É

quando o pobre se ri do rico, o ingênuo do esperto, o fraco do

poderoso; ou então, é quando ser pobre, ingênuo ou fraco já é

razão para um riso que explora o peso do infortúnio e da

desgraça. De fato, o humor não pede a ninguém o direito de

agir: sua liberdade é a sua razão de ser, é o sentido final de

quem ri - ainda que seja para não chorar.

O advento do "politicamente correto" parte da convicção

de que, para sermos todos felizes, temos que ser todos, ao

mesmo tempo e inteiramente, justos e honestos uns com os

outros, respeitando-nos uns aos outros sem qualquer possibilidade

de desvio. Ora, às vezes isso é extremamente chato:

ou porque não conseguimos ser justos e honestos o tempo

todo, ou porque a falta do riso acaba por nos tornar tão

distantes uns em relação ao outros que nos sentimos quase

desumanos... Por alguma razão, o riso é parte de nós. Sem ele,

perderemos a criancice, mataremos todos os palhaços do

mundo, eliminaremos todas as gargalhadas. Ou, como disse

uma vez um humorista, "se o mundo chegar a ser inteiramente

sério, que graça terá?".

(Abelardo Siqueira, inédito)

NÃO haverá prejuízo para o sentido do texto caso se substitua o segmento

  • A

    evitar que seja ferida a susceptibilidade (1o parágrafo) por impedir que se alce ao plano do sensível.

  • B

    pertence a determinada etnia (1o parágrafo) por admite certos parâmetros raciais.

  • C

    as desventuras que afligem (3o parágrafo) por os infortúnios que angustiam.

  • D

    compensação simbólica (3o parágrafo) por dissimulação aparente.

  • E

    qualquer possibilidade de desvio (4o parágrafo) por nenhum encaminhamento possível.

99291Questão 20|Português|superior

O humor e o "politicamente correto"

Tem sido marca de nossa época (não se sabe exatamente

a partir de quando, nem por que começou) adotar extrema

cautela quanto a formas de expressão, ao vocabulário, ao

emprego de certos conceitos. Trata-se de evitar que seja ferida

a susceptibilidade de quem pertence a determinada etnia, ou

professe certa religião, ou se oriente por determinada opção

sexual, ou que surja representando toda uma nacionalidade. Tal

preocupação traria a vantagem de impedir (ou ao menos tentar

impedir) a propagação de qualquer preconceito. Mas, no que diz

respeito à criação e à prática do humor, os efeitos dessa cautela

podem ser desastrosos.

É que o humor vive, exatamente, do desmesuramento,

do excesso, do arbítrio, da caricatura, do estereótipo ... e do

preconceito. Este último é o vilão da história: o preconceito é o

argumento final para quem cultiva o politicamente correto e

abomina quem dê um passo fora desse território bem comportado

e muito bem controlado.

Desde sempre o humor serviu como compensação

simbólica para as tantas desventuras que afligem o homem. É

quando o pobre se ri do rico, o ingênuo do esperto, o fraco do

poderoso; ou então, é quando ser pobre, ingênuo ou fraco já é

razão para um riso que explora o peso do infortúnio e da

desgraça. De fato, o humor não pede a ninguém o direito de

agir: sua liberdade é a sua razão de ser, é o sentido final de

quem ri - ainda que seja para não chorar.

O advento do "politicamente correto" parte da convicção

de que, para sermos todos felizes, temos que ser todos, ao

mesmo tempo e inteiramente, justos e honestos uns com os

outros, respeitando-nos uns aos outros sem qualquer possibilidade

de desvio. Ora, às vezes isso é extremamente chato:

ou porque não conseguimos ser justos e honestos o tempo

todo, ou porque a falta do riso acaba por nos tornar tão

distantes uns em relação ao outros que nos sentimos quase

desumanos... Por alguma razão, o riso é parte de nós. Sem ele,

perderemos a criancice, mataremos todos os palhaços do

mundo, eliminaremos todas as gargalhadas. Ou, como disse

uma vez um humorista, "se o mundo chegar a ser inteiramente

sério, que graça terá?".

(Abelardo Siqueira, inédito)

O verbo indicado entre parênteses deve flexionar-se em uma forma do singular para preencher de modo correto a lacuna da frase:

  • A

    É intolerável a extrema cautela que ...... (desejar) impor à prática do humor os defensores do "politicamente correto".

  • B

    A cada vez que se ...... (propor) a legislar sobre o humor, os próprios legisladores se convertem em matéria de riso.

  • C

    Ao pobre ou ao rico não ...... (costumar) reservar os humoristas piadas justas, mas tão somente engraçadas.

  • D

    Diante da ação do humor ...... (haver) sempre de tremer os que querem ocultar suas fraquezas.

  • E

    Aos palhaços do mundo não se ...... (determinar) limite para os risos que sabem provocar.

Analista Judiciário - Área Judiciária - 2010 | Prova