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Técnico Judiciário - Área Administrativa - 2009


Página 3  •  Total 60 questões
143407Questão 21|Português|médio

Entre uma prosa e outra, "seo" Samuca, morador das

cercanias do Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no norte

de Minas Gerais, me presenteia com um achado da sabedoria

cabocla: "Pois é, não sei pra onde a Terra está andando, mas

certamente pra bom lugar não é. Só sei que donde só se tira e

não se põe, um dia tudo o mais tem que se acabar." Samuel

dos Santos Pereira viveu seus 75 anos campeando livre entre

cerradões, matas de galeria, matas secas, campos limpos ou

sujos e campos cerrados, ecossistemas que constituem a

magnífica savana brasileira. "Ainda bem que existe o Parque",

exclama o vaqueiro, "porque hoje tudo em volta de mim é

plantação de soja e pastagem pra gado."

Viajar pelo Cerrado do Centro-Oeste é viver a surpresa

permanente. Na Serra da Canastra, em São Roque de Minas,

nascente do Rio São Francisco, podem-se avistar tamanduásbandeira,

lobos-guarás e, com sorte, o pato-mergulhão, ameaçado

de extinção. Lá está também a maravilhosa Casca D'Anta,

primeira e mais alta cachoeira do Velho Chico, com 186 metros

de queda livre.

No Jalapão, no Tocantins, o Cerrado é diferente, parece

um deserto com dunas de até 40 metros de altura. Mas, ao

contrário dos Lençóis Maranhenses, tem água em profusão,

nascentes, cachoeiras, lagoas, serras e chapadões. E uma fauna

exuberante, com 440 espécies de vertebrados. Nas veredas,

os habitantes da comunidade quilombola de Mumbuca

descobriram o capim-dourado, uma fibra que a criatividade local

transformou em artigo de exportação.

Em Goiás, no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros,

o viajante se extasia com a beleza das cachoeiras e das

matas de galeria, das piscinas naturais, das formações rochosas,

dos cânions do Rio Preto e do Vale da Lua. Perto do

município de Chapadão do Céu, também em Goiás, fica o

Parque Nacional das Emas, onde acontece o surpreendente

espetáculo da bioluminescência, uma irradiação de luz azul

esverdeada produzida pelas larvas de vaga-lumes nos

cupinzeiros. Pena que todo o entorno do parque foi drenado

para permitir a plantação de soja. Agrotóxicos despejados por

avião são levados pelo vento e contaminam nascentes e rios

que atravessam essa unidade de conservação. Outra tristeza

provocada pela ganância humana são as voçorocas das nascentes

do Rio Araguaia, quase cem, com quilômetros de extensão

e dezenas de metros de profundidade. Elas jogam milhões

de toneladas de sedimentos no rio, inviabilizando sua navegabilidade.

Apesar de tanta beleza e biodiversidade (mais de 300 espécies

de plantas locais são utilizadas pela medicina popular), o

Cerrado do "seo" Samuca está minguando e tende a desaparecer.

O que percebo, como testemunha ocular, é que entra

governo e sai governo e o processo de desertificação do país

continua em crescimento assombroso.

Como disse Euclides da Cunha, somos especialistas em

fazer desertos. Só haverá esperança para os vastos espaços

das Geraes, esse sertão do tamanho do mundo, celebrado pela

genialidade de João Guimarães Rosa, se abandonarmos nosso

conformismo e nossa proverbial omissão.

(Araquém Alcântara, fotógrafo. O Estado de S. Paulo, Especial

H 4-5, 27 de setembro de 2009, com adaptações)

A concordância verbal e nominal está inteiramente correta na frase:

  • A

    A maior diversidade entre as plantas conhecidas do Cerrado estão na família dos capins e de outras plantas herbáceas.

  • B

    A visão equivocada de que o Cerrado era uma região pobre mudou, ao se descobrirem as cerca de 12 mil espécies já descritas cientificamente.

  • C

    A região do Cerrado, com a beleza e a biodiversidade de suas plantas, algumas delas usadas como medicamentos, representam um enorme tesouro, boa parte ainda desconhecido.

  • D

    Não há como saber quantas plantas, associadas a um certo tipo de solo e clima já foi soterrado pelo avanço da cultura de grãos na região do Cerrado.

  • E

    Pesquisadores estimam que muitas espécies de vertebrados características da região do Cerrado já tenha sido exterminado, antes mesmo de ter sido catalogado.

143408Questão 22|Português|médio

Entre uma prosa e outra, "seo" Samuca, morador das

cercanias do Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no norte

de Minas Gerais, me presenteia com um achado da sabedoria

cabocla: "Pois é, não sei pra onde a Terra está andando, mas

certamente pra bom lugar não é. Só sei que donde só se tira e

não se põe, um dia tudo o mais tem que se acabar." Samuel

dos Santos Pereira viveu seus 75 anos campeando livre entre

cerradões, matas de galeria, matas secas, campos limpos ou

sujos e campos cerrados, ecossistemas que constituem a

magnífica savana brasileira. "Ainda bem que existe o Parque",

exclama o vaqueiro, "porque hoje tudo em volta de mim é

plantação de soja e pastagem pra gado."

Viajar pelo Cerrado do Centro-Oeste é viver a surpresa

permanente. Na Serra da Canastra, em São Roque de Minas,

nascente do Rio São Francisco, podem-se avistar tamanduásbandeira,

lobos-guarás e, com sorte, o pato-mergulhão, ameaçado

de extinção. Lá está também a maravilhosa Casca D'Anta,

primeira e mais alta cachoeira do Velho Chico, com 186 metros

de queda livre.

No Jalapão, no Tocantins, o Cerrado é diferente, parece

um deserto com dunas de até 40 metros de altura. Mas, ao

contrário dos Lençóis Maranhenses, tem água em profusão,

nascentes, cachoeiras, lagoas, serras e chapadões. E uma fauna

exuberante, com 440 espécies de vertebrados. Nas veredas,

os habitantes da comunidade quilombola de Mumbuca

descobriram o capim-dourado, uma fibra que a criatividade local

transformou em artigo de exportação.

Em Goiás, no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros,

o viajante se extasia com a beleza das cachoeiras e das

matas de galeria, das piscinas naturais, das formações rochosas,

dos cânions do Rio Preto e do Vale da Lua. Perto do

município de Chapadão do Céu, também em Goiás, fica o

Parque Nacional das Emas, onde acontece o surpreendente

espetáculo da bioluminescência, uma irradiação de luz azul

esverdeada produzida pelas larvas de vaga-lumes nos

cupinzeiros. Pena que todo o entorno do parque foi drenado

para permitir a plantação de soja. Agrotóxicos despejados por

avião são levados pelo vento e contaminam nascentes e rios

que atravessam essa unidade de conservação. Outra tristeza

provocada pela ganância humana são as voçorocas das nascentes

do Rio Araguaia, quase cem, com quilômetros de extensão

e dezenas de metros de profundidade. Elas jogam milhões

de toneladas de sedimentos no rio, inviabilizando sua navegabilidade.

Apesar de tanta beleza e biodiversidade (mais de 300 espécies

de plantas locais são utilizadas pela medicina popular), o

Cerrado do "seo" Samuca está minguando e tende a desaparecer.

O que percebo, como testemunha ocular, é que entra

governo e sai governo e o processo de desertificação do país

continua em crescimento assombroso.

Como disse Euclides da Cunha, somos especialistas em

fazer desertos. Só haverá esperança para os vastos espaços

das Geraes, esse sertão do tamanho do mundo, celebrado pela

genialidade de João Guimarães Rosa, se abandonarmos nosso

conformismo e nossa proverbial omissão.

(Araquém Alcântara, fotógrafo. O Estado de S. Paulo, Especial

H 4-5, 27 de setembro de 2009, com adaptações)

O Cerrado apresenta topografia elevada.

O Cerrado se localiza estrategicamente no Planalto Central brasileiro.

O Cerrado funciona como gigantesco coletor e distribuidor de água.

A água do Cerrado é elemento crucial no abastecimento das demais regiões brasileiras.

As frases acima se organizam em um único período, com clareza, correção e lógica, em:

  • A

    O Cerrado apresenta topografia elevada que se localiza estrategicamente no Planalto Central brasileiro funcionando então como um gigantesco coletor e distribuidor de água, onde ela vem sendo elemento crucial para o abastecimento das demais regiões.

  • B

    A água do Cerrado é elemento crucial para o abastecimento das outras regiões brasileiras, sendo de topografia elevada, que se localiza estrategicamente no Planalto Central, funcionando como gigantesco coletor e distribuidor dessa água.

  • C

    O Cerrado se localiza estrategicamente no Planalto Central brasileiro, sendo o gigantesco coletor e distribuidor de água, de que ela, é elemento crucial para o abastecimento das demais regiões.

  • D

    Apresentando topografia elevada e localizado estrategicamente no Planalto Central o Cerrado está funcionando como gigante coletor e distribuidor da água cujo elemento crucial vai para o abastecimento das outras regiões brasileiras.

  • E

    Com topografia elevada e localizado estrategicamente no Planalto Central brasileiro, o Cerrado funciona como gigantesco coletor e distribuidor de água, elemento crucial no abastecimento das demais regiões.

143409Questão 23|Português|médio

Escuta a hora formidável do almoço

na cidade. Os escritórios, num passe, esvaziam-se.

As bocas sugam um rio de carne, legumes e tortas

vitaminosas.

Salta depressa do mar a bandeja de peixes argênteos!

Os subterrâneos da fome choram caldo de sopa,

olhos líquidos de cão através do vidro devoram teu

osso.

Come, braço mecânico, alimenta-te, mão de papel, é

tempo de comida,

mais tarde será o de amor.

Lentamente os escritórios se recuperam, e os negócios,

forma indecisa, evoluem.

O esplêndido negócio insinua-se no tráfego.

Multidões que o cruzam não veem. É sem cor e sem

cheiro.

Está dissimulado no bonde, por trás da brisa do sul,

vem na areia, no telefone, na batalha de aviões,

toma conta de tua alma e dela extrai uma porcentagem.

Escuta a hora espandongada da volta.

Homem depois de homem, mulher, criança, homem,

roupa, cigarro, chapéu, roupa, roupa, roupa,

homem, homem, mulher, homem, mulher, roupa, homem

imaginam esperar qualquer coisa,e se quedam mudos, escoam-se passo a passo, sentam-

se,últimos servos do negócio, imaginam voltar para casa,

já noite, entre muros apagados, numa suposta cidade,

imaginam.

(Carlos Drummond de Andrade. Nosso tempo, in Poesia

completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002, p. 128)

A afirmativa correta, de acordo com o poema, é:

  • A

    O trabalho nem sempre resulta em satisfação, benefícios econômicos e qualidade de vida para os que dependem dele.

  • B

    A cidade mecaniza as pessoas, que se deixam absorver pela rotina de trabalho, até mesmo quando se alimentam.

  • C

    A plena dedicação à rotina de trabalho preenche, favoravelmente, a vida agitada da maioria das pessoas nas cidades.

  • D

    O sentimento amoroso deve sempre sobrepor-se ao sentimento de dedicação ao trabalho.

  • E

    O devaneio proporciona às pessoas um modo de sobreviver em meio à rotina estafante do trabalho diário.

143410Questão 24|Português|médio

Escuta a hora formidável do almoço

na cidade. Os escritórios, num passe, esvaziam-se.

As bocas sugam um rio de carne, legumes e tortas

vitaminosas.

Salta depressa do mar a bandeja de peixes argênteos!

Os subterrâneos da fome choram caldo de sopa,

olhos líquidos de cão através do vidro devoram teu

osso.

Come, braço mecânico, alimenta-te, mão de papel, é

tempo de comida,

mais tarde será o de amor.

Lentamente os escritórios se recuperam, e os negócios,

forma indecisa, evoluem.

O esplêndido negócio insinua-se no tráfego.

Multidões que o cruzam não veem. É sem cor e sem

cheiro.

Está dissimulado no bonde, por trás da brisa do sul,

vem na areia, no telefone, na batalha de aviões,

toma conta de tua alma e dela extrai uma porcentagem.

Escuta a hora espandongada da volta.

Homem depois de homem, mulher, criança, homem,

roupa, cigarro, chapéu, roupa, roupa, roupa,

homem, homem, mulher, homem, mulher, roupa, homem

imaginam esperar qualquer coisa,e se quedam mudos, escoam-se passo a passo, sentam-

se,últimos servos do negócio, imaginam voltar para casa,

já noite, entre muros apagados, numa suposta cidade,

imaginam.

(Carlos Drummond de Andrade. Nosso tempo, in Poesia

completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002, p. 128)

O assunto do poema estaria corretamente exposto em:

  • A

    A importância das cidades na vida econômica de um país.

  • B

    O inchaço urbano e as necessidades básicas dos habitantes.

  • C

    A desumanização do trabalhador nas condições de vida urbana.

  • D

    A automatização dos serviços de escritórios no trato dos negócios realizados.

  • E

    As consequências desfavoráveis do excesso de população.

143411Questão 25|Português|médio

Escuta a hora formidável do almoço

na cidade. Os escritórios, num passe, esvaziam-se.

As bocas sugam um rio de carne, legumes e tortas

vitaminosas.

Salta depressa do mar a bandeja de peixes argênteos!

Os subterrâneos da fome choram caldo de sopa,

olhos líquidos de cão através do vidro devoram teu

osso.

Come, braço mecânico, alimenta-te, mão de papel, é

tempo de comida,

mais tarde será o de amor.

Lentamente os escritórios se recuperam, e os negócios,

forma indecisa, evoluem.

O esplêndido negócio insinua-se no tráfego.

Multidões que o cruzam não veem. É sem cor e sem

cheiro.

Está dissimulado no bonde, por trás da brisa do sul,

vem na areia, no telefone, na batalha de aviões,

toma conta de tua alma e dela extrai uma porcentagem.

Escuta a hora espandongada da volta.

Homem depois de homem, mulher, criança, homem,

roupa, cigarro, chapéu, roupa, roupa, roupa,

homem, homem, mulher, homem, mulher, roupa, homem

imaginam esperar qualquer coisa,e se quedam mudos, escoam-se passo a passo, sentam-

se,últimos servos do negócio, imaginam voltar para casa,

já noite, entre muros apagados, numa suposta cidade,

imaginam.

(Carlos Drummond de Andrade. Nosso tempo, in Poesia

completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002, p. 128)

A sequência nos versos 2, 3 e 4 da 2º estrofe reflete

  • A

    a movimentação caótica das pessoas submetidas ao ritmo acelerado da cidade.

  • B

    um desfile organizado de trabalhadores exaustos na volta à casa.

  • C

    exposição de pessoas como se fossem veículos em circulação no trânsito.

  • D

    a procura ansiosa das pessoas por se destacarem na multidão informe.

  • E

    uma tentativa inútil de conseguir o merecido descanso ao fim do dia.

143412Questão 26|Português|médio

Escuta a hora formidável do almoço

na cidade. Os escritórios, num passe, esvaziam-se.

As bocas sugam um rio de carne, legumes e tortas

vitaminosas.

Salta depressa do mar a bandeja de peixes argênteos!

Os subterrâneos da fome choram caldo de sopa,

olhos líquidos de cão através do vidro devoram teu

osso.

Come, braço mecânico, alimenta-te, mão de papel, é

tempo de comida,

mais tarde será o de amor.

Lentamente os escritórios se recuperam, e os negócios,

forma indecisa, evoluem.

O esplêndido negócio insinua-se no tráfego.

Multidões que o cruzam não veem. É sem cor e sem

cheiro.

Está dissimulado no bonde, por trás da brisa do sul,

vem na areia, no telefone, na batalha de aviões,

toma conta de tua alma e dela extrai uma porcentagem.

Escuta a hora espandongada da volta.

Homem depois de homem, mulher, criança, homem,

roupa, cigarro, chapéu, roupa, roupa, roupa,

homem, homem, mulher, homem, mulher, roupa, homem

imaginam esperar qualquer coisa,e se quedam mudos, escoam-se passo a passo, sentam-

se,últimos servos do negócio, imaginam voltar para casa,

já noite, entre muros apagados, numa suposta cidade,

imaginam.

(Carlos Drummond de Andrade. Nosso tempo, in Poesia

completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002, p. 128)

Identifica-se no poema oposição entre

  • A

    restaurantes lotados // oferta variada de alimentos.

  • B

    pessoas em busca de alimento // acertos comerciais durante almoços.

  • C

    riqueza latente nas ruas // abandono na periferia da cidade.

  • D

    agitação e labor diurnos // silêncio e cansaço ao fim do dia.

  • E

    negócios realizados em escritórios // rotina diária de trabalho.

143413Questão 27|Português|médio

Escuta a hora formidável do almoço

na cidade. Os escritórios, num passe, esvaziam-se.

As bocas sugam um rio de carne, legumes e tortas

vitaminosas.

Salta depressa do mar a bandeja de peixes argênteos!

Os subterrâneos da fome choram caldo de sopa,

olhos líquidos de cão através do vidro devoram teu

osso.

Come, braço mecânico, alimenta-te, mão de papel, é

tempo de comida,

mais tarde será o de amor.

Lentamente os escritórios se recuperam, e os negócios,

forma indecisa, evoluem.

O esplêndido negócio insinua-se no tráfego.

Multidões que o cruzam não veem. É sem cor e sem

cheiro.

Está dissimulado no bonde, por trás da brisa do sul,

vem na areia, no telefone, na batalha de aviões,

toma conta de tua alma e dela extrai uma porcentagem.

Escuta a hora espandongada da volta.

Homem depois de homem, mulher, criança, homem,

roupa, cigarro, chapéu, roupa, roupa, roupa,

homem, homem, mulher, homem, mulher, roupa, homem

imaginam esperar qualquer coisa,e se quedam mudos, escoam-se passo a passo, sentam-

se,últimos servos do negócio, imaginam voltar para casa,

já noite, entre muros apagados, numa suposta cidade,

imaginam.

(Carlos Drummond de Andrade. Nosso tempo, in Poesia

completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002, p. 128)

Considere o verso É sem cor e sem cheiro. (1º estrofe)

A afirmativa INCORRETA que se faz a respeito é:

  • A

    As expressões caracterizam O esplêndido negócio (que se) insinua no tráfego.

  • B

    A frase constitui um argumento que embasa o fato de as multidões não perceberem a concretização dos negócios nas ruas.

  • C

    Infere-se da afirmativa o contraste ao apelo sensorial despertado pela variedade de alimentos que atraem as pessoas.

  • D

    O emprego das expressões tem sentido particular no poema, ao ultrapassar o significado literal das palavras.

  • E

    A forma verbal É poderia estar corretamente empre- gada no plural - São - por referir-se a seu antecedente, que é Multidões .

143414Questão 28|Português|médio

Escuta a hora formidável do almoço

na cidade. Os escritórios, num passe, esvaziam-se.

As bocas sugam um rio de carne, legumes e tortas

vitaminosas.

Salta depressa do mar a bandeja de peixes argênteos!

Os subterrâneos da fome choram caldo de sopa,

olhos líquidos de cão através do vidro devoram teu

osso.

Come, braço mecânico, alimenta-te, mão de papel, é

tempo de comida,

mais tarde será o de amor.

Lentamente os escritórios se recuperam, e os negócios,

forma indecisa, evoluem.

O esplêndido negócio insinua-se no tráfego.

Multidões que o cruzam não veem. É sem cor e sem

cheiro.

Está dissimulado no bonde, por trás da brisa do sul,

vem na areia, no telefone, na batalha de aviões,

toma conta de tua alma e dela extrai uma porcentagem.

Escuta a hora espandongada da volta.

Homem depois de homem, mulher, criança, homem,

roupa, cigarro, chapéu, roupa, roupa, roupa,

homem, homem, mulher, homem, mulher, roupa, homem

imaginam esperar qualquer coisa,e se quedam mudos, escoam-se passo a passo, sentam-

se,últimos servos do negócio, imaginam voltar para casa,

já noite, entre muros apagados, numa suposta cidade,

imaginam.

(Carlos Drummond de Andrade. Nosso tempo, in Poesia

completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002, p. 128)

É correto perceber que o poeta

I. se dirige a alguém - que pode ser um eventual leitor - tratando-o pela 2º pessoa verbal.

II. se coloca como mais um elemento anônimo na multidão que se mistura aos trabalhadores nas ruas.

III. deixa implícito que os sentimentos pessoais - como, por exemplo, o amor - foram sobrepujados pela preocupação mercantil.

Está correto o que se afirma em

  • A

    I, II e III.

  • B

    I e III, apenas.

  • C

    II e III, apenas.

  • D

    I e II, apenas.

  • E

    III, apenas.

143415Questão 29|Português|médio

Escuta a hora formidável do almoço

na cidade. Os escritórios, num passe, esvaziam-se.

As bocas sugam um rio de carne, legumes e tortas

vitaminosas.

Salta depressa do mar a bandeja de peixes argênteos!

Os subterrâneos da fome choram caldo de sopa,

olhos líquidos de cão através do vidro devoram teu

osso.

Come, braço mecânico, alimenta-te, mão de papel, é

tempo de comida,

mais tarde será o de amor.

Lentamente os escritórios se recuperam, e os negócios,

forma indecisa, evoluem.

O esplêndido negócio insinua-se no tráfego.

Multidões que o cruzam não veem. É sem cor e sem

cheiro.

Está dissimulado no bonde, por trás da brisa do sul,

vem na areia, no telefone, na batalha de aviões,

toma conta de tua alma e dela extrai uma porcentagem.

Escuta a hora espandongada da volta.

Homem depois de homem, mulher, criança, homem,

roupa, cigarro, chapéu, roupa, roupa, roupa,

homem, homem, mulher, homem, mulher, roupa, homem

imaginam esperar qualquer coisa,e se quedam mudos, escoam-se passo a passo, sentam-

se,últimos servos do negócio, imaginam voltar para casa,

já noite, entre muros apagados, numa suposta cidade,

imaginam.

(Carlos Drummond de Andrade. Nosso tempo, in Poesia

completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002, p. 128)

O esplêndido negócio insinua-se no tráfego. (v. 10, 1º estrofe)

O verso que reitera a ideia contida no que está transcrito acima é:

  • A

    Os escritórios, num passe, esvaziam-se.

  • B

    ... e os negócios, forma indecisa, evoluem.

  • C

    Multidões que o cruzam não veem.

  • D

    Está dissimulado no bonde ...

  • E

    ... e dela extrai uma porcentagem.

143416Questão 30|Português|médio

Escuta a hora formidável do almoço

na cidade. Os escritórios, num passe, esvaziam-se.

As bocas sugam um rio de carne, legumes e tortas

vitaminosas.

Salta depressa do mar a bandeja de peixes argênteos!

Os subterrâneos da fome choram caldo de sopa,

olhos líquidos de cão através do vidro devoram teu

osso.

Come, braço mecânico, alimenta-te, mão de papel, é

tempo de comida,

mais tarde será o de amor.

Lentamente os escritórios se recuperam, e os negócios,

forma indecisa, evoluem.

O esplêndido negócio insinua-se no tráfego.

Multidões que o cruzam não veem. É sem cor e sem

cheiro.

Está dissimulado no bonde, por trás da brisa do sul,

vem na areia, no telefone, na batalha de aviões,

toma conta de tua alma e dela extrai uma porcentagem.

Escuta a hora espandongada da volta.

Homem depois de homem, mulher, criança, homem,

roupa, cigarro, chapéu, roupa, roupa, roupa,

homem, homem, mulher, homem, mulher, roupa, homem

imaginam esperar qualquer coisa,e se quedam mudos, escoam-se passo a passo, sentam-

se,últimos servos do negócio, imaginam voltar para casa,

já noite, entre muros apagados, numa suposta cidade,

imaginam.

(Carlos Drummond de Andrade. Nosso tempo, in Poesia

completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002, p. 128)

Escuta a hora formidável do almoço//na cidade. (versos 1 e 2, 1º estrofe)

O verbo flexionado da mesma forma que o grifado acima está no verso:

  • A

    As bocas sugam um rio de carne, legumes e tortas vitaminosas.

  • B

    Os subterrâneos da fome choram caldo de sopa...

  • C

    Come, braço mecânico ...

  • D

    ... vem na areia, no telefone, na batalha de aviões ...

  • E

    ... toma conta de tua alma ...