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Técnico Judiciário - Área Administrativa - 2009


Página 2  •  Total 60 questões
143397Questão 11|Português|médio

Entre uma prosa e outra, "seo" Samuca, morador das

cercanias do Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no norte

de Minas Gerais, me presenteia com um achado da sabedoria

cabocla: "Pois é, não sei pra onde a Terra está andando, mas

certamente pra bom lugar não é. Só sei que donde só se tira e

não se põe, um dia tudo o mais tem que se acabar." Samuel

dos Santos Pereira viveu seus 75 anos campeando livre entre

cerradões, matas de galeria, matas secas, campos limpos ou

sujos e campos cerrados, ecossistemas que constituem a

magnífica savana brasileira. "Ainda bem que existe o Parque",

exclama o vaqueiro, "porque hoje tudo em volta de mim é

plantação de soja e pastagem pra gado."

Viajar pelo Cerrado do Centro-Oeste é viver a surpresa

permanente. Na Serra da Canastra, em São Roque de Minas,

nascente do Rio São Francisco, podem-se avistar tamanduásbandeira,

lobos-guarás e, com sorte, o pato-mergulhão, ameaçado

de extinção. Lá está também a maravilhosa Casca D'Anta,

primeira e mais alta cachoeira do Velho Chico, com 186 metros

de queda livre.

No Jalapão, no Tocantins, o Cerrado é diferente, parece

um deserto com dunas de até 40 metros de altura. Mas, ao

contrário dos Lençóis Maranhenses, tem água em profusão,

nascentes, cachoeiras, lagoas, serras e chapadões. E uma fauna

exuberante, com 440 espécies de vertebrados. Nas veredas,

os habitantes da comunidade quilombola de Mumbuca

descobriram o capim-dourado, uma fibra que a criatividade local

transformou em artigo de exportação.

Em Goiás, no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros,

o viajante se extasia com a beleza das cachoeiras e das

matas de galeria, das piscinas naturais, das formações rochosas,

dos cânions do Rio Preto e do Vale da Lua. Perto do

município de Chapadão do Céu, também em Goiás, fica o

Parque Nacional das Emas, onde acontece o surpreendente

espetáculo da bioluminescência, uma irradiação de luz azul

esverdeada produzida pelas larvas de vaga-lumes nos

cupinzeiros. Pena que todo o entorno do parque foi drenado

para permitir a plantação de soja. Agrotóxicos despejados por

avião são levados pelo vento e contaminam nascentes e rios

que atravessam essa unidade de conservação. Outra tristeza

provocada pela ganância humana são as voçorocas das nascentes

do Rio Araguaia, quase cem, com quilômetros de extensão

e dezenas de metros de profundidade. Elas jogam milhões

de toneladas de sedimentos no rio, inviabilizando sua navegabilidade.

Apesar de tanta beleza e biodiversidade (mais de 300 espécies

de plantas locais são utilizadas pela medicina popular), o

Cerrado do "seo" Samuca está minguando e tende a desaparecer.

O que percebo, como testemunha ocular, é que entra

governo e sai governo e o processo de desertificação do país

continua em crescimento assombroso.

Como disse Euclides da Cunha, somos especialistas em

fazer desertos. Só haverá esperança para os vastos espaços

das Geraes, esse sertão do tamanho do mundo, celebrado pela

genialidade de João Guimarães Rosa, se abandonarmos nosso

conformismo e nossa proverbial omissão.

(Araquém Alcântara, fotógrafo. O Estado de S. Paulo, Especial

H 4-5, 27 de setembro de 2009, com adaptações)

A afirmativa correta, de acordo com o texto, é:

  • A

    A transformação das riquezas do Cerrado em artigo de exportação pela população local despreza as características nacionais desses produtos.

  • B

    Os vastos espaços das Geraes apresentam formações de matas e campos de aspectos diferenciados.

  • C

    A sabedoria cabocla consiste na descoberta das riquezas do Cerrado e em seu aproveitamento eco- nômico.

  • D

    A plantação de soja e a pastagem pra gado garan- tem a sustentabilidade econômica dos moradores do Cerrado.

  • E

    O conformismo dos habitantes da região central do Brasil transforma toda essa região em um deserto com dunas de até 40 metros de altura.

143398Questão 12|Português|médio

Entre uma prosa e outra, "seo" Samuca, morador das

cercanias do Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no norte

de Minas Gerais, me presenteia com um achado da sabedoria

cabocla: "Pois é, não sei pra onde a Terra está andando, mas

certamente pra bom lugar não é. Só sei que donde só se tira e

não se põe, um dia tudo o mais tem que se acabar." Samuel

dos Santos Pereira viveu seus 75 anos campeando livre entre

cerradões, matas de galeria, matas secas, campos limpos ou

sujos e campos cerrados, ecossistemas que constituem a

magnífica savana brasileira. "Ainda bem que existe o Parque",

exclama o vaqueiro, "porque hoje tudo em volta de mim é

plantação de soja e pastagem pra gado."

Viajar pelo Cerrado do Centro-Oeste é viver a surpresa

permanente. Na Serra da Canastra, em São Roque de Minas,

nascente do Rio São Francisco, podem-se avistar tamanduásbandeira,

lobos-guarás e, com sorte, o pato-mergulhão, ameaçado

de extinção. Lá está também a maravilhosa Casca D'Anta,

primeira e mais alta cachoeira do Velho Chico, com 186 metros

de queda livre.

No Jalapão, no Tocantins, o Cerrado é diferente, parece

um deserto com dunas de até 40 metros de altura. Mas, ao

contrário dos Lençóis Maranhenses, tem água em profusão,

nascentes, cachoeiras, lagoas, serras e chapadões. E uma fauna

exuberante, com 440 espécies de vertebrados. Nas veredas,

os habitantes da comunidade quilombola de Mumbuca

descobriram o capim-dourado, uma fibra que a criatividade local

transformou em artigo de exportação.

Em Goiás, no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros,

o viajante se extasia com a beleza das cachoeiras e das

matas de galeria, das piscinas naturais, das formações rochosas,

dos cânions do Rio Preto e do Vale da Lua. Perto do

município de Chapadão do Céu, também em Goiás, fica o

Parque Nacional das Emas, onde acontece o surpreendente

espetáculo da bioluminescência, uma irradiação de luz azul

esverdeada produzida pelas larvas de vaga-lumes nos

cupinzeiros. Pena que todo o entorno do parque foi drenado

para permitir a plantação de soja. Agrotóxicos despejados por

avião são levados pelo vento e contaminam nascentes e rios

que atravessam essa unidade de conservação. Outra tristeza

provocada pela ganância humana são as voçorocas das nascentes

do Rio Araguaia, quase cem, com quilômetros de extensão

e dezenas de metros de profundidade. Elas jogam milhões

de toneladas de sedimentos no rio, inviabilizando sua navegabilidade.

Apesar de tanta beleza e biodiversidade (mais de 300 espécies

de plantas locais são utilizadas pela medicina popular), o

Cerrado do "seo" Samuca está minguando e tende a desaparecer.

O que percebo, como testemunha ocular, é que entra

governo e sai governo e o processo de desertificação do país

continua em crescimento assombroso.

Como disse Euclides da Cunha, somos especialistas em

fazer desertos. Só haverá esperança para os vastos espaços

das Geraes, esse sertão do tamanho do mundo, celebrado pela

genialidade de João Guimarães Rosa, se abandonarmos nosso

conformismo e nossa proverbial omissão.

(Araquém Alcântara, fotógrafo. O Estado de S. Paulo, Especial

H 4-5, 27 de setembro de 2009, com adaptações)

Um título apropriado para o texto poderia ser:

  • A

    Plantas do Cerrado constituem a base da medicina popular brasileira.

  • B

    Oportunidades de trabalho reduzidas dificultam o desenvolvimento humano na região do Cerrado.

  • C

    Flora e fauna típicas da região do Cerrado formam um belo cenário em risco de extinção.

  • D

    Diversidade na formação do Cerrado compromete a eficácia da preservação de sua paisagem.

  • E

    Cultura de grãos convive em harmonia com a biodiversidade do Cerrado.

143399Questão 13|Português|médio

Entre uma prosa e outra, "seo" Samuca, morador das

cercanias do Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no norte

de Minas Gerais, me presenteia com um achado da sabedoria

cabocla: "Pois é, não sei pra onde a Terra está andando, mas

certamente pra bom lugar não é. Só sei que donde só se tira e

não se põe, um dia tudo o mais tem que se acabar." Samuel

dos Santos Pereira viveu seus 75 anos campeando livre entre

cerradões, matas de galeria, matas secas, campos limpos ou

sujos e campos cerrados, ecossistemas que constituem a

magnífica savana brasileira. "Ainda bem que existe o Parque",

exclama o vaqueiro, "porque hoje tudo em volta de mim é

plantação de soja e pastagem pra gado."

Viajar pelo Cerrado do Centro-Oeste é viver a surpresa

permanente. Na Serra da Canastra, em São Roque de Minas,

nascente do Rio São Francisco, podem-se avistar tamanduásbandeira,

lobos-guarás e, com sorte, o pato-mergulhão, ameaçado

de extinção. Lá está também a maravilhosa Casca D'Anta,

primeira e mais alta cachoeira do Velho Chico, com 186 metros

de queda livre.

No Jalapão, no Tocantins, o Cerrado é diferente, parece

um deserto com dunas de até 40 metros de altura. Mas, ao

contrário dos Lençóis Maranhenses, tem água em profusão,

nascentes, cachoeiras, lagoas, serras e chapadões. E uma fauna

exuberante, com 440 espécies de vertebrados. Nas veredas,

os habitantes da comunidade quilombola de Mumbuca

descobriram o capim-dourado, uma fibra que a criatividade local

transformou em artigo de exportação.

Em Goiás, no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros,

o viajante se extasia com a beleza das cachoeiras e das

matas de galeria, das piscinas naturais, das formações rochosas,

dos cânions do Rio Preto e do Vale da Lua. Perto do

município de Chapadão do Céu, também em Goiás, fica o

Parque Nacional das Emas, onde acontece o surpreendente

espetáculo da bioluminescência, uma irradiação de luz azul

esverdeada produzida pelas larvas de vaga-lumes nos

cupinzeiros. Pena que todo o entorno do parque foi drenado

para permitir a plantação de soja. Agrotóxicos despejados por

avião são levados pelo vento e contaminam nascentes e rios

que atravessam essa unidade de conservação. Outra tristeza

provocada pela ganância humana são as voçorocas das nascentes

do Rio Araguaia, quase cem, com quilômetros de extensão

e dezenas de metros de profundidade. Elas jogam milhões

de toneladas de sedimentos no rio, inviabilizando sua navegabilidade.

Apesar de tanta beleza e biodiversidade (mais de 300 espécies

de plantas locais são utilizadas pela medicina popular), o

Cerrado do "seo" Samuca está minguando e tende a desaparecer.

O que percebo, como testemunha ocular, é que entra

governo e sai governo e o processo de desertificação do país

continua em crescimento assombroso.

Como disse Euclides da Cunha, somos especialistas em

fazer desertos. Só haverá esperança para os vastos espaços

das Geraes, esse sertão do tamanho do mundo, celebrado pela

genialidade de João Guimarães Rosa, se abandonarmos nosso

conformismo e nossa proverbial omissão.

(Araquém Alcântara, fotógrafo. O Estado de S. Paulo, Especial

H 4-5, 27 de setembro de 2009, com adaptações)

Considerando-se o desenvolvimento das ideias no texto, é correto perceber

  • A

    deslumbramento nacionalista pelas riquezas, até mesmo bem aproveitadas economicamente, de uma vasta região brasileira.

  • B

    condenação de certos hábitos entranhados na população menos escolarizada, de utilizar as riquezas do solo, destruindo o meio ambiente.

  • C

    total defesa do papel desempenhado pelos rios da região, tanto pela água que fornecem quanto por sua navegabilidade.

  • D

    crítica à atuação do homem na região do Cerrado, e também às falhas no controle ambiental tanto da parte de governos quanto da sociedade.

  • E

    referência explícita a alguns produtos cultivados na região, que propiciam qualidade de vida aos seus moradores.

143400Questão 14|Português|médio

Entre uma prosa e outra, "seo" Samuca, morador das

cercanias do Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no norte

de Minas Gerais, me presenteia com um achado da sabedoria

cabocla: "Pois é, não sei pra onde a Terra está andando, mas

certamente pra bom lugar não é. Só sei que donde só se tira e

não se põe, um dia tudo o mais tem que se acabar." Samuel

dos Santos Pereira viveu seus 75 anos campeando livre entre

cerradões, matas de galeria, matas secas, campos limpos ou

sujos e campos cerrados, ecossistemas que constituem a

magnífica savana brasileira. "Ainda bem que existe o Parque",

exclama o vaqueiro, "porque hoje tudo em volta de mim é

plantação de soja e pastagem pra gado."

Viajar pelo Cerrado do Centro-Oeste é viver a surpresa

permanente. Na Serra da Canastra, em São Roque de Minas,

nascente do Rio São Francisco, podem-se avistar tamanduásbandeira,

lobos-guarás e, com sorte, o pato-mergulhão, ameaçado

de extinção. Lá está também a maravilhosa Casca D'Anta,

primeira e mais alta cachoeira do Velho Chico, com 186 metros

de queda livre.

No Jalapão, no Tocantins, o Cerrado é diferente, parece

um deserto com dunas de até 40 metros de altura. Mas, ao

contrário dos Lençóis Maranhenses, tem água em profusão,

nascentes, cachoeiras, lagoas, serras e chapadões. E uma fauna

exuberante, com 440 espécies de vertebrados. Nas veredas,

os habitantes da comunidade quilombola de Mumbuca

descobriram o capim-dourado, uma fibra que a criatividade local

transformou em artigo de exportação.

Em Goiás, no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros,

o viajante se extasia com a beleza das cachoeiras e das

matas de galeria, das piscinas naturais, das formações rochosas,

dos cânions do Rio Preto e do Vale da Lua. Perto do

município de Chapadão do Céu, também em Goiás, fica o

Parque Nacional das Emas, onde acontece o surpreendente

espetáculo da bioluminescência, uma irradiação de luz azul

esverdeada produzida pelas larvas de vaga-lumes nos

cupinzeiros. Pena que todo o entorno do parque foi drenado

para permitir a plantação de soja. Agrotóxicos despejados por

avião são levados pelo vento e contaminam nascentes e rios

que atravessam essa unidade de conservação. Outra tristeza

provocada pela ganância humana são as voçorocas das nascentes

do Rio Araguaia, quase cem, com quilômetros de extensão

e dezenas de metros de profundidade. Elas jogam milhões

de toneladas de sedimentos no rio, inviabilizando sua navegabilidade.

Apesar de tanta beleza e biodiversidade (mais de 300 espécies

de plantas locais são utilizadas pela medicina popular), o

Cerrado do "seo" Samuca está minguando e tende a desaparecer.

O que percebo, como testemunha ocular, é que entra

governo e sai governo e o processo de desertificação do país

continua em crescimento assombroso.

Como disse Euclides da Cunha, somos especialistas em

fazer desertos. Só haverá esperança para os vastos espaços

das Geraes, esse sertão do tamanho do mundo, celebrado pela

genialidade de João Guimarães Rosa, se abandonarmos nosso

conformismo e nossa proverbial omissão.

(Araquém Alcântara, fotógrafo. O Estado de S. Paulo, Especial

H 4-5, 27 de setembro de 2009, com adaptações)

É correto inferir do texto que nele há, predominantemente,

  • A

    um olhar sobre toda a diversidade existente no bioma que se estende por vários Estados do Planalto Central brasileiro.

  • B

    a intenção subjacente de apontar a enorme impor- tância do rio São Francisco como garantia da produção agrícola no Cerrado.

  • C

    a tentativa, um tanto inútil, de mostrar os vários aspectos da cultura popular na região do Cerrado, a partir da visão de um vaqueiro.

  • D

    uma visão tristonha sobre essa vasta região do país, desconhecida da maioria dos brasileiros, apesar da imensa beleza de suas paisagens.

  • E

    a surpresa de um viajante, ao se deparar com a estranha diversidade de uma mesma região, que vem prejudicar sua classificação como bioma.

143401Questão 15|Português|médio

Entre uma prosa e outra, "seo" Samuca, morador das

cercanias do Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no norte

de Minas Gerais, me presenteia com um achado da sabedoria

cabocla: "Pois é, não sei pra onde a Terra está andando, mas

certamente pra bom lugar não é. Só sei que donde só se tira e

não se põe, um dia tudo o mais tem que se acabar." Samuel

dos Santos Pereira viveu seus 75 anos campeando livre entre

cerradões, matas de galeria, matas secas, campos limpos ou

sujos e campos cerrados, ecossistemas que constituem a

magnífica savana brasileira. "Ainda bem que existe o Parque",

exclama o vaqueiro, "porque hoje tudo em volta de mim é

plantação de soja e pastagem pra gado."

Viajar pelo Cerrado do Centro-Oeste é viver a surpresa

permanente. Na Serra da Canastra, em São Roque de Minas,

nascente do Rio São Francisco, podem-se avistar tamanduásbandeira,

lobos-guarás e, com sorte, o pato-mergulhão, ameaçado

de extinção. Lá está também a maravilhosa Casca D'Anta,

primeira e mais alta cachoeira do Velho Chico, com 186 metros

de queda livre.

No Jalapão, no Tocantins, o Cerrado é diferente, parece

um deserto com dunas de até 40 metros de altura. Mas, ao

contrário dos Lençóis Maranhenses, tem água em profusão,

nascentes, cachoeiras, lagoas, serras e chapadões. E uma fauna

exuberante, com 440 espécies de vertebrados. Nas veredas,

os habitantes da comunidade quilombola de Mumbuca

descobriram o capim-dourado, uma fibra que a criatividade local

transformou em artigo de exportação.

Em Goiás, no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros,

o viajante se extasia com a beleza das cachoeiras e das

matas de galeria, das piscinas naturais, das formações rochosas,

dos cânions do Rio Preto e do Vale da Lua. Perto do

município de Chapadão do Céu, também em Goiás, fica o

Parque Nacional das Emas, onde acontece o surpreendente

espetáculo da bioluminescência, uma irradiação de luz azul

esverdeada produzida pelas larvas de vaga-lumes nos

cupinzeiros. Pena que todo o entorno do parque foi drenado

para permitir a plantação de soja. Agrotóxicos despejados por

avião são levados pelo vento e contaminam nascentes e rios

que atravessam essa unidade de conservação. Outra tristeza

provocada pela ganância humana são as voçorocas das nascentes

do Rio Araguaia, quase cem, com quilômetros de extensão

e dezenas de metros de profundidade. Elas jogam milhões

de toneladas de sedimentos no rio, inviabilizando sua navegabilidade.

Apesar de tanta beleza e biodiversidade (mais de 300 espécies

de plantas locais são utilizadas pela medicina popular), o

Cerrado do "seo" Samuca está minguando e tende a desaparecer.

O que percebo, como testemunha ocular, é que entra

governo e sai governo e o processo de desertificação do país

continua em crescimento assombroso.

Como disse Euclides da Cunha, somos especialistas em

fazer desertos. Só haverá esperança para os vastos espaços

das Geraes, esse sertão do tamanho do mundo, celebrado pela

genialidade de João Guimarães Rosa, se abandonarmos nosso

conformismo e nossa proverbial omissão.

(Araquém Alcântara, fotógrafo. O Estado de S. Paulo, Especial

H 4-5, 27 de setembro de 2009, com adaptações)

Elas jogam milhões de toneladas de sedimentos no rio, inviabilizando sua navegabilidade . (4º parágrafo)

A oração grifada acima denota, considerando-se o contexto,

  • A

    causa.

  • B

    ressalva.

  • C

    consequência.

  • D

    temporalidade.

  • E

    proporcionalidade.

143402Questão 16|Português|médio

Entre uma prosa e outra, "seo" Samuca, morador das

cercanias do Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no norte

de Minas Gerais, me presenteia com um achado da sabedoria

cabocla: "Pois é, não sei pra onde a Terra está andando, mas

certamente pra bom lugar não é. Só sei que donde só se tira e

não se põe, um dia tudo o mais tem que se acabar." Samuel

dos Santos Pereira viveu seus 75 anos campeando livre entre

cerradões, matas de galeria, matas secas, campos limpos ou

sujos e campos cerrados, ecossistemas que constituem a

magnífica savana brasileira. "Ainda bem que existe o Parque",

exclama o vaqueiro, "porque hoje tudo em volta de mim é

plantação de soja e pastagem pra gado."

Viajar pelo Cerrado do Centro-Oeste é viver a surpresa

permanente. Na Serra da Canastra, em São Roque de Minas,

nascente do Rio São Francisco, podem-se avistar tamanduásbandeira,

lobos-guarás e, com sorte, o pato-mergulhão, ameaçado

de extinção. Lá está também a maravilhosa Casca D'Anta,

primeira e mais alta cachoeira do Velho Chico, com 186 metros

de queda livre.

No Jalapão, no Tocantins, o Cerrado é diferente, parece

um deserto com dunas de até 40 metros de altura. Mas, ao

contrário dos Lençóis Maranhenses, tem água em profusão,

nascentes, cachoeiras, lagoas, serras e chapadões. E uma fauna

exuberante, com 440 espécies de vertebrados. Nas veredas,

os habitantes da comunidade quilombola de Mumbuca

descobriram o capim-dourado, uma fibra que a criatividade local

transformou em artigo de exportação.

Em Goiás, no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros,

o viajante se extasia com a beleza das cachoeiras e das

matas de galeria, das piscinas naturais, das formações rochosas,

dos cânions do Rio Preto e do Vale da Lua. Perto do

município de Chapadão do Céu, também em Goiás, fica o

Parque Nacional das Emas, onde acontece o surpreendente

espetáculo da bioluminescência, uma irradiação de luz azul

esverdeada produzida pelas larvas de vaga-lumes nos

cupinzeiros. Pena que todo o entorno do parque foi drenado

para permitir a plantação de soja. Agrotóxicos despejados por

avião são levados pelo vento e contaminam nascentes e rios

que atravessam essa unidade de conservação. Outra tristeza

provocada pela ganância humana são as voçorocas das nascentes

do Rio Araguaia, quase cem, com quilômetros de extensão

e dezenas de metros de profundidade. Elas jogam milhões

de toneladas de sedimentos no rio, inviabilizando sua navegabilidade.

Apesar de tanta beleza e biodiversidade (mais de 300 espécies

de plantas locais são utilizadas pela medicina popular), o

Cerrado do "seo" Samuca está minguando e tende a desaparecer.

O que percebo, como testemunha ocular, é que entra

governo e sai governo e o processo de desertificação do país

continua em crescimento assombroso.

Como disse Euclides da Cunha, somos especialistas em

fazer desertos. Só haverá esperança para os vastos espaços

das Geraes, esse sertão do tamanho do mundo, celebrado pela

genialidade de João Guimarães Rosa, se abandonarmos nosso

conformismo e nossa proverbial omissão.

(Araquém Alcântara, fotógrafo. O Estado de S. Paulo, Especial

H 4-5, 27 de setembro de 2009, com adaptações)

Se for passado para o plural o termo grifado, deverá permanecer no singular o verbo que está em:

  • A

    "Ainda bem que existe o Parque " ...

  • B

    ... exclama o vaqueiro ...

  • C

    ... onde acontece o surpreendente espetáculo da bioluminescência ...

  • D

    ... e o processo de desertificação do país continua em crescimento assombroso.

  • E

    Só haverá esperança para os vastos espaços das Geraes ...

143403Questão 17|Português|médio

Entre uma prosa e outra, "seo" Samuca, morador das

cercanias do Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no norte

de Minas Gerais, me presenteia com um achado da sabedoria

cabocla: "Pois é, não sei pra onde a Terra está andando, mas

certamente pra bom lugar não é. Só sei que donde só se tira e

não se põe, um dia tudo o mais tem que se acabar." Samuel

dos Santos Pereira viveu seus 75 anos campeando livre entre

cerradões, matas de galeria, matas secas, campos limpos ou

sujos e campos cerrados, ecossistemas que constituem a

magnífica savana brasileira. "Ainda bem que existe o Parque",

exclama o vaqueiro, "porque hoje tudo em volta de mim é

plantação de soja e pastagem pra gado."

Viajar pelo Cerrado do Centro-Oeste é viver a surpresa

permanente. Na Serra da Canastra, em São Roque de Minas,

nascente do Rio São Francisco, podem-se avistar tamanduásbandeira,

lobos-guarás e, com sorte, o pato-mergulhão, ameaçado

de extinção. Lá está também a maravilhosa Casca D'Anta,

primeira e mais alta cachoeira do Velho Chico, com 186 metros

de queda livre.

No Jalapão, no Tocantins, o Cerrado é diferente, parece

um deserto com dunas de até 40 metros de altura. Mas, ao

contrário dos Lençóis Maranhenses, tem água em profusão,

nascentes, cachoeiras, lagoas, serras e chapadões. E uma fauna

exuberante, com 440 espécies de vertebrados. Nas veredas,

os habitantes da comunidade quilombola de Mumbuca

descobriram o capim-dourado, uma fibra que a criatividade local

transformou em artigo de exportação.

Em Goiás, no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros,

o viajante se extasia com a beleza das cachoeiras e das

matas de galeria, das piscinas naturais, das formações rochosas,

dos cânions do Rio Preto e do Vale da Lua. Perto do

município de Chapadão do Céu, também em Goiás, fica o

Parque Nacional das Emas, onde acontece o surpreendente

espetáculo da bioluminescência, uma irradiação de luz azul

esverdeada produzida pelas larvas de vaga-lumes nos

cupinzeiros. Pena que todo o entorno do parque foi drenado

para permitir a plantação de soja. Agrotóxicos despejados por

avião são levados pelo vento e contaminam nascentes e rios

que atravessam essa unidade de conservação. Outra tristeza

provocada pela ganância humana são as voçorocas das nascentes

do Rio Araguaia, quase cem, com quilômetros de extensão

e dezenas de metros de profundidade. Elas jogam milhões

de toneladas de sedimentos no rio, inviabilizando sua navegabilidade.

Apesar de tanta beleza e biodiversidade (mais de 300 espécies

de plantas locais são utilizadas pela medicina popular), o

Cerrado do "seo" Samuca está minguando e tende a desaparecer.

O que percebo, como testemunha ocular, é que entra

governo e sai governo e o processo de desertificação do país

continua em crescimento assombroso.

Como disse Euclides da Cunha, somos especialistas em

fazer desertos. Só haverá esperança para os vastos espaços

das Geraes, esse sertão do tamanho do mundo, celebrado pela

genialidade de João Guimarães Rosa, se abandonarmos nosso

conformismo e nossa proverbial omissão.

(Araquém Alcântara, fotógrafo. O Estado de S. Paulo, Especial

H 4-5, 27 de setembro de 2009, com adaptações)

Agrotóxicos despejados por avião são levados pelo vento ... (4º parágrafo) Há também emprego de voz passiva no segmento que se encontra em:

  • A

    ... que donde só se tira e não se põe ...

  • B

    ... os habitantes da comunidade quilombola de Mumbuca descobriram o capim-dourado ...

  • C

    ... o Cerrado do "seo" Samuca está minguando e tende a desaparecer.

  • D

    ... é que entra governo e sai governo ...

  • E

    ... se abandonarmos nosso conformismo e nossa proverbial omissão.

143404Questão 18|Português|médio

Entre uma prosa e outra, "seo" Samuca, morador das

cercanias do Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no norte

de Minas Gerais, me presenteia com um achado da sabedoria

cabocla: "Pois é, não sei pra onde a Terra está andando, mas

certamente pra bom lugar não é. Só sei que donde só se tira e

não se põe, um dia tudo o mais tem que se acabar." Samuel

dos Santos Pereira viveu seus 75 anos campeando livre entre

cerradões, matas de galeria, matas secas, campos limpos ou

sujos e campos cerrados, ecossistemas que constituem a

magnífica savana brasileira. "Ainda bem que existe o Parque",

exclama o vaqueiro, "porque hoje tudo em volta de mim é

plantação de soja e pastagem pra gado."

Viajar pelo Cerrado do Centro-Oeste é viver a surpresa

permanente. Na Serra da Canastra, em São Roque de Minas,

nascente do Rio São Francisco, podem-se avistar tamanduásbandeira,

lobos-guarás e, com sorte, o pato-mergulhão, ameaçado

de extinção. Lá está também a maravilhosa Casca D'Anta,

primeira e mais alta cachoeira do Velho Chico, com 186 metros

de queda livre.

No Jalapão, no Tocantins, o Cerrado é diferente, parece

um deserto com dunas de até 40 metros de altura. Mas, ao

contrário dos Lençóis Maranhenses, tem água em profusão,

nascentes, cachoeiras, lagoas, serras e chapadões. E uma fauna

exuberante, com 440 espécies de vertebrados. Nas veredas,

os habitantes da comunidade quilombola de Mumbuca

descobriram o capim-dourado, uma fibra que a criatividade local

transformou em artigo de exportação.

Em Goiás, no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros,

o viajante se extasia com a beleza das cachoeiras e das

matas de galeria, das piscinas naturais, das formações rochosas,

dos cânions do Rio Preto e do Vale da Lua. Perto do

município de Chapadão do Céu, também em Goiás, fica o

Parque Nacional das Emas, onde acontece o surpreendente

espetáculo da bioluminescência, uma irradiação de luz azul

esverdeada produzida pelas larvas de vaga-lumes nos

cupinzeiros. Pena que todo o entorno do parque foi drenado

para permitir a plantação de soja. Agrotóxicos despejados por

avião são levados pelo vento e contaminam nascentes e rios

que atravessam essa unidade de conservação. Outra tristeza

provocada pela ganância humana são as voçorocas das nascentes

do Rio Araguaia, quase cem, com quilômetros de extensão

e dezenas de metros de profundidade. Elas jogam milhões

de toneladas de sedimentos no rio, inviabilizando sua navegabilidade.

Apesar de tanta beleza e biodiversidade (mais de 300 espécies

de plantas locais são utilizadas pela medicina popular), o

Cerrado do "seo" Samuca está minguando e tende a desaparecer.

O que percebo, como testemunha ocular, é que entra

governo e sai governo e o processo de desertificação do país

continua em crescimento assombroso.

Como disse Euclides da Cunha, somos especialistas em

fazer desertos. Só haverá esperança para os vastos espaços

das Geraes, esse sertão do tamanho do mundo, celebrado pela

genialidade de João Guimarães Rosa, se abandonarmos nosso

conformismo e nossa proverbial omissão.

(Araquém Alcântara, fotógrafo. O Estado de S. Paulo, Especial

H 4-5, 27 de setembro de 2009, com adaptações)

Pena que todo o entorno do parque foi drenado para permitir a plantação de soja. (4º parágrafo)

Para ser respeitado o padrão culto da Língua, o emprego da forma verbal grifada acima passaria a

  • A

    se drenou.

  • B

    tinham drenado.

  • C

    fora drenado.

  • D

    tenha sido drenado.

  • E

    havia sido drenado.

143405Questão 19|Português|médio

Entre uma prosa e outra, "seo" Samuca, morador das

cercanias do Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no norte

de Minas Gerais, me presenteia com um achado da sabedoria

cabocla: "Pois é, não sei pra onde a Terra está andando, mas

certamente pra bom lugar não é. Só sei que donde só se tira e

não se põe, um dia tudo o mais tem que se acabar." Samuel

dos Santos Pereira viveu seus 75 anos campeando livre entre

cerradões, matas de galeria, matas secas, campos limpos ou

sujos e campos cerrados, ecossistemas que constituem a

magnífica savana brasileira. "Ainda bem que existe o Parque",

exclama o vaqueiro, "porque hoje tudo em volta de mim é

plantação de soja e pastagem pra gado."

Viajar pelo Cerrado do Centro-Oeste é viver a surpresa

permanente. Na Serra da Canastra, em São Roque de Minas,

nascente do Rio São Francisco, podem-se avistar tamanduásbandeira,

lobos-guarás e, com sorte, o pato-mergulhão, ameaçado

de extinção. Lá está também a maravilhosa Casca D'Anta,

primeira e mais alta cachoeira do Velho Chico, com 186 metros

de queda livre.

No Jalapão, no Tocantins, o Cerrado é diferente, parece

um deserto com dunas de até 40 metros de altura. Mas, ao

contrário dos Lençóis Maranhenses, tem água em profusão,

nascentes, cachoeiras, lagoas, serras e chapadões. E uma fauna

exuberante, com 440 espécies de vertebrados. Nas veredas,

os habitantes da comunidade quilombola de Mumbuca

descobriram o capim-dourado, uma fibra que a criatividade local

transformou em artigo de exportação.

Em Goiás, no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros,

o viajante se extasia com a beleza das cachoeiras e das

matas de galeria, das piscinas naturais, das formações rochosas,

dos cânions do Rio Preto e do Vale da Lua. Perto do

município de Chapadão do Céu, também em Goiás, fica o

Parque Nacional das Emas, onde acontece o surpreendente

espetáculo da bioluminescência, uma irradiação de luz azul

esverdeada produzida pelas larvas de vaga-lumes nos

cupinzeiros. Pena que todo o entorno do parque foi drenado

para permitir a plantação de soja. Agrotóxicos despejados por

avião são levados pelo vento e contaminam nascentes e rios

que atravessam essa unidade de conservação. Outra tristeza

provocada pela ganância humana são as voçorocas das nascentes

do Rio Araguaia, quase cem, com quilômetros de extensão

e dezenas de metros de profundidade. Elas jogam milhões

de toneladas de sedimentos no rio, inviabilizando sua navegabilidade.

Apesar de tanta beleza e biodiversidade (mais de 300 espécies

de plantas locais são utilizadas pela medicina popular), o

Cerrado do "seo" Samuca está minguando e tende a desaparecer.

O que percebo, como testemunha ocular, é que entra

governo e sai governo e o processo de desertificação do país

continua em crescimento assombroso.

Como disse Euclides da Cunha, somos especialistas em

fazer desertos. Só haverá esperança para os vastos espaços

das Geraes, esse sertão do tamanho do mundo, celebrado pela

genialidade de João Guimarães Rosa, se abandonarmos nosso

conformismo e nossa proverbial omissão.

(Araquém Alcântara, fotógrafo. O Estado de S. Paulo, Especial

H 4-5, 27 de setembro de 2009, com adaptações)

Viajar pelo Cerrado do Centro-Oeste é viver a surpresa permanente. (2º parágrafo)

Considere o emprego do verbo viver nas frases seguintes:

I. O vaqueiro sempre viveu da colheita de grãos e da criação de gado.

II. Muitas famílias viviam vida folgada ali, em meio à natureza.

III. Naquela comunidade, os avós viviam com filhos e netos na mesma casa. Está

correta a construção em

  • A

    I, apenas.

  • B

    III, apenas.

  • C

    I e II, apenas.

  • D

    II e III, apenas.

  • E

    I, II e III.

143406Questão 20|Português|médio

Entre uma prosa e outra, "seo" Samuca, morador das

cercanias do Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no norte

de Minas Gerais, me presenteia com um achado da sabedoria

cabocla: "Pois é, não sei pra onde a Terra está andando, mas

certamente pra bom lugar não é. Só sei que donde só se tira e

não se põe, um dia tudo o mais tem que se acabar." Samuel

dos Santos Pereira viveu seus 75 anos campeando livre entre

cerradões, matas de galeria, matas secas, campos limpos ou

sujos e campos cerrados, ecossistemas que constituem a

magnífica savana brasileira. "Ainda bem que existe o Parque",

exclama o vaqueiro, "porque hoje tudo em volta de mim é

plantação de soja e pastagem pra gado."

Viajar pelo Cerrado do Centro-Oeste é viver a surpresa

permanente. Na Serra da Canastra, em São Roque de Minas,

nascente do Rio São Francisco, podem-se avistar tamanduásbandeira,

lobos-guarás e, com sorte, o pato-mergulhão, ameaçado

de extinção. Lá está também a maravilhosa Casca D'Anta,

primeira e mais alta cachoeira do Velho Chico, com 186 metros

de queda livre.

No Jalapão, no Tocantins, o Cerrado é diferente, parece

um deserto com dunas de até 40 metros de altura. Mas, ao

contrário dos Lençóis Maranhenses, tem água em profusão,

nascentes, cachoeiras, lagoas, serras e chapadões. E uma fauna

exuberante, com 440 espécies de vertebrados. Nas veredas,

os habitantes da comunidade quilombola de Mumbuca

descobriram o capim-dourado, uma fibra que a criatividade local

transformou em artigo de exportação.

Em Goiás, no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros,

o viajante se extasia com a beleza das cachoeiras e das

matas de galeria, das piscinas naturais, das formações rochosas,

dos cânions do Rio Preto e do Vale da Lua. Perto do

município de Chapadão do Céu, também em Goiás, fica o

Parque Nacional das Emas, onde acontece o surpreendente

espetáculo da bioluminescência, uma irradiação de luz azul

esverdeada produzida pelas larvas de vaga-lumes nos

cupinzeiros. Pena que todo o entorno do parque foi drenado

para permitir a plantação de soja. Agrotóxicos despejados por

avião são levados pelo vento e contaminam nascentes e rios

que atravessam essa unidade de conservação. Outra tristeza

provocada pela ganância humana são as voçorocas das nascentes

do Rio Araguaia, quase cem, com quilômetros de extensão

e dezenas de metros de profundidade. Elas jogam milhões

de toneladas de sedimentos no rio, inviabilizando sua navegabilidade.

Apesar de tanta beleza e biodiversidade (mais de 300 espécies

de plantas locais são utilizadas pela medicina popular), o

Cerrado do "seo" Samuca está minguando e tende a desaparecer.

O que percebo, como testemunha ocular, é que entra

governo e sai governo e o processo de desertificação do país

continua em crescimento assombroso.

Como disse Euclides da Cunha, somos especialistas em

fazer desertos. Só haverá esperança para os vastos espaços

das Geraes, esse sertão do tamanho do mundo, celebrado pela

genialidade de João Guimarães Rosa, se abandonarmos nosso

conformismo e nossa proverbial omissão.

(Araquém Alcântara, fotógrafo. O Estado de S. Paulo, Especial

H 4-5, 27 de setembro de 2009, com adaptações)

Em relação ao emprego de sinais de pontuação no texto, está INCORRETO o que se afirma em:

  • A

    As aspas em "seo" (1º linha) registram uma forma coloquial de tratamento.

  • B

    Os dois-pontos na 4º linha sinalizam a introdução da fala de um interlocutor no texto.

  • C

    As aspas em "Ainda bem que existe o Parque" (10º linha) assinalam o segmento que contém o assunto central do texto.

  • D

    Os parênteses, no 5º parágrafo, isolam uma afirma- tiva empregada como argumento que respalda a ressalva anterior, referente à beleza e biodiversidade do Cerrado.

  • E

    A vírgula após a expressão campos cerrados, na 9º linha, pode ser corretamente substituída por um travessão, sem prejuízo do sentido original.

Técnico Judiciário - Área Administrativa - 2009 | Prova