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A sequência nos versos 2, 3 e 4 da 2º estrofe reflete


143411|Português|médio

Escuta a hora formidável do almoço

na cidade. Os escritórios, num passe, esvaziam-se.

As bocas sugam um rio de carne, legumes e tortas

vitaminosas.

Salta depressa do mar a bandeja de peixes argênteos!

Os subterrâneos da fome choram caldo de sopa,

olhos líquidos de cão através do vidro devoram teu

osso.

Come, braço mecânico, alimenta-te, mão de papel, é

tempo de comida,

mais tarde será o de amor.

Lentamente os escritórios se recuperam, e os negócios,

forma indecisa, evoluem.

O esplêndido negócio insinua-se no tráfego.

Multidões que o cruzam não veem. É sem cor e sem

cheiro.

Está dissimulado no bonde, por trás da brisa do sul,

vem na areia, no telefone, na batalha de aviões,

toma conta de tua alma e dela extrai uma porcentagem.

Escuta a hora espandongada da volta.

Homem depois de homem, mulher, criança, homem,

roupa, cigarro, chapéu, roupa, roupa, roupa,

homem, homem, mulher, homem, mulher, roupa, homem

imaginam esperar qualquer coisa,e se quedam mudos, escoam-se passo a passo, sentam-

se,últimos servos do negócio, imaginam voltar para casa,

já noite, entre muros apagados, numa suposta cidade,

imaginam.

(Carlos Drummond de Andrade. Nosso tempo, in Poesia

completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002, p. 128)

A sequência nos versos 2, 3 e 4 da 2º estrofe reflete

  • A

    a movimentação caótica das pessoas submetidas ao ritmo acelerado da cidade.

  • B

    um desfile organizado de trabalhadores exaustos na volta à casa.

  • C

    exposição de pessoas como se fossem veículos em circulação no trânsito.

  • D

    a procura ansiosa das pessoas por se destacarem na multidão informe.

  • E

    uma tentativa inútil de conseguir o merecido descanso ao fim do dia.