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Técnico Judiciário - Área Administrativa - 2010


Página 1  •  Total 60 questões
141538Questão 1|Português|médio

Gilda de Mello e Souza dizia que o Brasil é muito bom

nas novelas. Para ter público, a novela precisa dispor de personagens

de todas as classes sociais, explicava ela, o que exige

uma trama complexa. Acrescento: a mobilidade social é decisiva

nas novelas e se dá sobretudo pelo amor entre ricos e

pobres. Provavelmente as novelas exibam casos de ascensão

social pelo amor - genuíno ou fingido - em proporção maior que

a vida real .... Mas a novela não é um retrato do Brasil, ou melhor,

é sim, mas como aqueles retratos antigos do avô e da avó,

fotografados em preto e branco, mas, depois, cuidadosamente

retocados e coloridos. O fundo é real. A tela: ideais, sonhos,

fantasias.

Novelas vivem de conflitos. Eles são movidos, quase

todos, pela oposição do bem e do mal. Esse confronto dramático

nos empolga. Talvez por isso a democracia não nos

empolgue tanto, no seu dia a dia: porque, nela, os conflitos são

a norma e não a exceção. Ela é o único regime em que divergir,

sem ter de se explicar e justificar, é legítimo. Quando uma

democracia funciona bem, não escolhemos em razão da honestidade

e competência - que deveriam existir nos dois ou mais

lados em concorrência - mas com base nos valores que preferimos,

por exemplo, liberalismo ou socialismo. Mas nossa

tendência, mesmo nas democracias, é converter as eleições em

lutas do bem contra o mal. É demonizar o adversário, transformá-

lo em inimigo. Creio que isso explica por que a democracia,

uma vez instalada, empolga menos que a novela. De

noite, dá mais prazer reeditar o *ágon milenar do bem e do mal,

do que aceitar que os conflitos fazem parte essencial da vida e,

portanto, as duas partes podem ter alguma razão. Aliás, há

muitos séculos que é encenada essa situação de confronto

irremediável entre dois lados que têm razão: desde os gregos

antigos, tem o nome de tragédia. A democracia é uma tragédia

sem final infeliz - ou, talvez, sem final.

As novelas recompensam, em geral, os bons. Mas eles

são bons só na vida privada. É difícil alguém se empenhar em

melhorar a cidade, a sociedade. As personagens boas são

afetuosas, solidárias, mas não têm vida pública. As personagens

más são menos numerosas, mas são indispensáveis.

Condimentam a trama. Seu destino é mais variado, e assim

deve ser, se quisermos uma boa novela. Não podem ser todas

punidas, nem sair todas impunes.

ágon

  • elemento de origem grega: assembleia; local onde se realizam

jogos sacros e lutas; luta.

(Trecho do artigo de Renato Janine Ribeiro.

O Estado de S.

Paulo

,

C2+música

, D17, 11 de setembro de 2010, com

adaptações.)

De acordo com o texto,

  • A

    as novelas são mais interessantes do que qualquer disputa eleitoral, porque elas trazem novidades que não se encontram em um regime democrático que funciona bem.

  • B

    os conflitos extremos mostrados nas novelas despertam maior interesse do que a rotina diária, em que os fatos e opiniões nem sempre despertam maior entusiasmo nas pessoas.

  • C

    a rotina da vida diária, mesmo em regimes democráticos, acaba premiando apenas os bons, deixando de lado pessoas más, que geralmente se livram das merecidas punições.

  • D

    a deturpação da vida real nas novelas, que se voltam acentuadamente para sonhos e fantasias, pode transformá-las em fator alienante dos problemas normalmente existentes em uma democracia.

  • E

    as emoções trazidas pelos conflitos que surgem nas novelas nem sempre são suficientes para despertar sentimentos mais nobres nas pessoas, que tendem rotineiramente para comportamentos antiéticos.

141539Questão 2|Português|médio

Gilda de Mello e Souza dizia que o Brasil é muito bom

nas novelas. Para ter público, a novela precisa dispor de personagens

de todas as classes sociais, explicava ela, o que exige

uma trama complexa. Acrescento: a mobilidade social é decisiva

nas novelas e se dá sobretudo pelo amor entre ricos e

pobres. Provavelmente as novelas exibam casos de ascensão

social pelo amor - genuíno ou fingido - em proporção maior que

a vida real .... Mas a novela não é um retrato do Brasil, ou melhor,

é sim, mas como aqueles retratos antigos do avô e da avó,

fotografados em preto e branco, mas, depois, cuidadosamente

retocados e coloridos. O fundo é real. A tela: ideais, sonhos,

fantasias.

Novelas vivem de conflitos. Eles são movidos, quase

todos, pela oposição do bem e do mal. Esse confronto dramático

nos empolga. Talvez por isso a democracia não nos

empolgue tanto, no seu dia a dia: porque, nela, os conflitos são

a norma e não a exceção. Ela é o único regime em que divergir,

sem ter de se explicar e justificar, é legítimo. Quando uma

democracia funciona bem, não escolhemos em razão da honestidade

e competência - que deveriam existir nos dois ou mais

lados em concorrência - mas com base nos valores que preferimos,

por exemplo, liberalismo ou socialismo. Mas nossa

tendência, mesmo nas democracias, é converter as eleições em

lutas do bem contra o mal. É demonizar o adversário, transformá-

lo em inimigo. Creio que isso explica por que a democracia,

uma vez instalada, empolga menos que a novela. De

noite, dá mais prazer reeditar o *ágon milenar do bem e do mal,

do que aceitar que os conflitos fazem parte essencial da vida e,

portanto, as duas partes podem ter alguma razão. Aliás, há

muitos séculos que é encenada essa situação de confronto

irremediável entre dois lados que têm razão: desde os gregos

antigos, tem o nome de tragédia. A democracia é uma tragédia

sem final infeliz - ou, talvez, sem final.

As novelas recompensam, em geral, os bons. Mas eles

são bons só na vida privada. É difícil alguém se empenhar em

melhorar a cidade, a sociedade. As personagens boas são

afetuosas, solidárias, mas não têm vida pública. As personagens

más são menos numerosas, mas são indispensáveis.

Condimentam a trama. Seu destino é mais variado, e assim

deve ser, se quisermos uma boa novela. Não podem ser todas

punidas, nem sair todas impunes.

ágon

  • elemento de origem grega: assembleia; local onde se realizam

jogos sacros e lutas; luta.

(Trecho do artigo de Renato Janine Ribeiro.

O Estado de S.

Paulo

,

C2+música

, D17, 11 de setembro de 2010, com

adaptações.)

Conclui-se do texto que democracia

  • A

    pode levar as pessoas a situações de fantasia, distantes do mundo real, tal como se faz em novelas que despertam grande audiência.

  • B

    tende a nivelar o comportamento das pessoas, padronizando seus desejos, tendo em vista que as oportunidades de realização são iguais para todos.

  • C

    exige, assim como nas novelas, que seus desdobramentos sejam acompanhados de perto por todos, para que as coisas boas sempre superem as más.

  • D

    é sempre um processo dinâmico, em que opiniões, valores e escolhas pessoais divergentes se manifestam no fluxo diário da convivência social.

  • E

    nem sempre parece ser o melhor regime, pois as pessoas, mesmo de índoles diferentes, convivem tranquilamente na sociedade, sem quaisquer restrições.

141540Questão 3|Português|médio

Gilda de Mello e Souza dizia que o Brasil é muito bom

nas novelas. Para ter público, a novela precisa dispor de personagens

de todas as classes sociais, explicava ela, o que exige

uma trama complexa. Acrescento: a mobilidade social é decisiva

nas novelas e se dá sobretudo pelo amor entre ricos e

pobres. Provavelmente as novelas exibam casos de ascensão

social pelo amor - genuíno ou fingido - em proporção maior que

a vida real .... Mas a novela não é um retrato do Brasil, ou melhor,

é sim, mas como aqueles retratos antigos do avô e da avó,

fotografados em preto e branco, mas, depois, cuidadosamente

retocados e coloridos. O fundo é real. A tela: ideais, sonhos,

fantasias.

Novelas vivem de conflitos. Eles são movidos, quase

todos, pela oposição do bem e do mal. Esse confronto dramático

nos empolga. Talvez por isso a democracia não nos

empolgue tanto, no seu dia a dia: porque, nela, os conflitos são

a norma e não a exceção. Ela é o único regime em que divergir,

sem ter de se explicar e justificar, é legítimo. Quando uma

democracia funciona bem, não escolhemos em razão da honestidade

e competência - que deveriam existir nos dois ou mais

lados em concorrência - mas com base nos valores que preferimos,

por exemplo, liberalismo ou socialismo. Mas nossa

tendência, mesmo nas democracias, é converter as eleições em

lutas do bem contra o mal. É demonizar o adversário, transformá-

lo em inimigo. Creio que isso explica por que a democracia,

uma vez instalada, empolga menos que a novela. De

noite, dá mais prazer reeditar o *ágon milenar do bem e do mal,

do que aceitar que os conflitos fazem parte essencial da vida e,

portanto, as duas partes podem ter alguma razão. Aliás, há

muitos séculos que é encenada essa situação de confronto

irremediável entre dois lados que têm razão: desde os gregos

antigos, tem o nome de tragédia. A democracia é uma tragédia

sem final infeliz - ou, talvez, sem final.

As novelas recompensam, em geral, os bons. Mas eles

são bons só na vida privada. É difícil alguém se empenhar em

melhorar a cidade, a sociedade. As personagens boas são

afetuosas, solidárias, mas não têm vida pública. As personagens

más são menos numerosas, mas são indispensáveis.

Condimentam a trama. Seu destino é mais variado, e assim

deve ser, se quisermos uma boa novela. Não podem ser todas

punidas, nem sair todas impunes.

ágon

  • elemento de origem grega: assembleia; local onde se realizam

jogos sacros e lutas; luta.

(Trecho do artigo de Renato Janine Ribeiro.

O Estado de S.

Paulo

,

C2+música

, D17, 11 de setembro de 2010, com

adaptações.)

No 1° parágrafo, o autor

  • A

    incorpora uma opinião alheia sobre as novelas como base para iniciar o desenvolvimento de suas próprias ideias a respeito desse tema.

  • B

    estabelece a oposição básica que perpassa todo o assunto do texto, entre sinceridade e fingimento, que também vai nortear o debate político na democracia.

  • C

    se vale da ficção apresentada nas novelas como imagem diluída de uma sociedade permissiva, que aceita, sem restrições, comportamentos antiéticos.

  • D

    condena o uso, muitas vezes indevido, de um sentimento amoroso que deveria unir pessoas, como meio válido de ascensão social.

  • E

    critica o hábito, comum em autores de novelas, de criar conflitos nem sempre válidos, para tornar a trama mais atraente.

141541Questão 4|Português|médio

Gilda de Mello e Souza dizia que o Brasil é muito bom

nas novelas. Para ter público, a novela precisa dispor de personagens

de todas as classes sociais, explicava ela, o que exige

uma trama complexa. Acrescento: a mobilidade social é decisiva

nas novelas e se dá sobretudo pelo amor entre ricos e

pobres. Provavelmente as novelas exibam casos de ascensão

social pelo amor - genuíno ou fingido - em proporção maior que

a vida real .... Mas a novela não é um retrato do Brasil, ou melhor,

é sim, mas como aqueles retratos antigos do avô e da avó,

fotografados em preto e branco, mas, depois, cuidadosamente

retocados e coloridos. O fundo é real. A tela: ideais, sonhos,

fantasias.

Novelas vivem de conflitos. Eles são movidos, quase

todos, pela oposição do bem e do mal. Esse confronto dramático

nos empolga. Talvez por isso a democracia não nos

empolgue tanto, no seu dia a dia: porque, nela, os conflitos são

a norma e não a exceção. Ela é o único regime em que divergir,

sem ter de se explicar e justificar, é legítimo. Quando uma

democracia funciona bem, não escolhemos em razão da honestidade

e competência - que deveriam existir nos dois ou mais

lados em concorrência - mas com base nos valores que preferimos,

por exemplo, liberalismo ou socialismo. Mas nossa

tendência, mesmo nas democracias, é converter as eleições em

lutas do bem contra o mal. É demonizar o adversário, transformá-

lo em inimigo. Creio que isso explica por que a democracia,

uma vez instalada, empolga menos que a novela. De

noite, dá mais prazer reeditar o *ágon milenar do bem e do mal,

do que aceitar que os conflitos fazem parte essencial da vida e,

portanto, as duas partes podem ter alguma razão. Aliás, há

muitos séculos que é encenada essa situação de confronto

irremediável entre dois lados que têm razão: desde os gregos

antigos, tem o nome de tragédia. A democracia é uma tragédia

sem final infeliz - ou, talvez, sem final.

As novelas recompensam, em geral, os bons. Mas eles

são bons só na vida privada. É difícil alguém se empenhar em

melhorar a cidade, a sociedade. As personagens boas são

afetuosas, solidárias, mas não têm vida pública. As personagens

más são menos numerosas, mas são indispensáveis.

Condimentam a trama. Seu destino é mais variado, e assim

deve ser, se quisermos uma boa novela. Não podem ser todas

punidas, nem sair todas impunes.

ágon

  • elemento de origem grega: assembleia; local onde se realizam

jogos sacros e lutas; luta.

(Trecho do artigo de Renato Janine Ribeiro.

O Estado de S.

Paulo

,

C2+música

, D17, 11 de setembro de 2010, com

adaptações.)

A referência, no 1° parágrafo, aos retratos retocados e coloridos

  • A

    acentua o caráter alienante das novelas, cuja trama desconsidera os reais problemas a serem enfrentados pelas pessoas envolvidas no enredo.

  • B

    demonstra a capacidade de disfarce que caracteriza as personagens de má índole, que dão vida ao desenrolar da novela.

  • C

    aponta para o papel da ficção que, embora se baseie em fatos e personagens reais, cria situações fantasiosas, que preenchem o imaginário popular.

  • D

    alerta para o constante desvirtuamento, mostrado nas novelas, de valores básicos da sociedade, sugerindo modelos de comportamentos antiéticos.

  • E

    reproduz as atitudes previamente preparadas pelos maus para prejudicar os bons, atraindo o interesse daqueles dispostos a acompanhar o drama novelesco.

141542Questão 5|Português|médio

Gilda de Mello e Souza dizia que o Brasil é muito bom

nas novelas. Para ter público, a novela precisa dispor de personagens

de todas as classes sociais, explicava ela, o que exige

uma trama complexa. Acrescento: a mobilidade social é decisiva

nas novelas e se dá sobretudo pelo amor entre ricos e

pobres. Provavelmente as novelas exibam casos de ascensão

social pelo amor - genuíno ou fingido - em proporção maior que

a vida real .... Mas a novela não é um retrato do Brasil, ou melhor,

é sim, mas como aqueles retratos antigos do avô e da avó,

fotografados em preto e branco, mas, depois, cuidadosamente

retocados e coloridos. O fundo é real. A tela: ideais, sonhos,

fantasias.

Novelas vivem de conflitos. Eles são movidos, quase

todos, pela oposição do bem e do mal. Esse confronto dramático

nos empolga. Talvez por isso a democracia não nos

empolgue tanto, no seu dia a dia: porque, nela, os conflitos são

a norma e não a exceção. Ela é o único regime em que divergir,

sem ter de se explicar e justificar, é legítimo. Quando uma

democracia funciona bem, não escolhemos em razão da honestidade

e competência - que deveriam existir nos dois ou mais

lados em concorrência - mas com base nos valores que preferimos,

por exemplo, liberalismo ou socialismo. Mas nossa

tendência, mesmo nas democracias, é converter as eleições em

lutas do bem contra o mal. É demonizar o adversário, transformá-

lo em inimigo. Creio que isso explica por que a democracia,

uma vez instalada, empolga menos que a novela. De

noite, dá mais prazer reeditar o *ágon milenar do bem e do mal,

do que aceitar que os conflitos fazem parte essencial da vida e,

portanto, as duas partes podem ter alguma razão. Aliás, há

muitos séculos que é encenada essa situação de confronto

irremediável entre dois lados que têm razão: desde os gregos

antigos, tem o nome de tragédia. A democracia é uma tragédia

sem final infeliz - ou, talvez, sem final.

As novelas recompensam, em geral, os bons. Mas eles

são bons só na vida privada. É difícil alguém se empenhar em

melhorar a cidade, a sociedade. As personagens boas são

afetuosas, solidárias, mas não têm vida pública. As personagens

más são menos numerosas, mas são indispensáveis.

Condimentam a trama. Seu destino é mais variado, e assim

deve ser, se quisermos uma boa novela. Não podem ser todas

punidas, nem sair todas impunes.

ágon

  • elemento de origem grega: assembleia; local onde se realizam

jogos sacros e lutas; luta.

(Trecho do artigo de Renato Janine Ribeiro.

O Estado de S.

Paulo

,

C2+música

, D17, 11 de setembro de 2010, com

adaptações.)

O fundo é real. A tela: ideais, sonhos, fantasias. (final do 1° parágrafo)

Com outras palavras, o sentido do que se diz acima está corretamente reproduzido em:

  • A

    Sendo a verdadeira realidade, na representação de ideais, sonhos e fantasias.

  • B

    A base dos fatos é verdadeira, mas na tela surgem ideais, sonhos, fantasias.

  • C

    No fundo da história, é a verdade, que na tela só tem ideais de sonhos e fantasias.

  • D

    A realidade é vista com profundidade, conquanto na tela se veja ideais de sonhos fantasiosos.

  • E

    Os ideais, sonhos e fantasias da tela se transformam na mais profunda verdade.

141543Questão 6|Português|médio

Gilda de Mello e Souza dizia que o Brasil é muito bom

nas novelas. Para ter público, a novela precisa dispor de personagens

de todas as classes sociais, explicava ela, o que exige

uma trama complexa. Acrescento: a mobilidade social é decisiva

nas novelas e se dá sobretudo pelo amor entre ricos e

pobres. Provavelmente as novelas exibam casos de ascensão

social pelo amor - genuíno ou fingido - em proporção maior que

a vida real .... Mas a novela não é um retrato do Brasil, ou melhor,

é sim, mas como aqueles retratos antigos do avô e da avó,

fotografados em preto e branco, mas, depois, cuidadosamente

retocados e coloridos. O fundo é real. A tela: ideais, sonhos,

fantasias.

Novelas vivem de conflitos. Eles são movidos, quase

todos, pela oposição do bem e do mal. Esse confronto dramático

nos empolga. Talvez por isso a democracia não nos

empolgue tanto, no seu dia a dia: porque, nela, os conflitos são

a norma e não a exceção. Ela é o único regime em que divergir,

sem ter de se explicar e justificar, é legítimo. Quando uma

democracia funciona bem, não escolhemos em razão da honestidade

e competência - que deveriam existir nos dois ou mais

lados em concorrência - mas com base nos valores que preferimos,

por exemplo, liberalismo ou socialismo. Mas nossa

tendência, mesmo nas democracias, é converter as eleições em

lutas do bem contra o mal. É demonizar o adversário, transformá-

lo em inimigo. Creio que isso explica por que a democracia,

uma vez instalada, empolga menos que a novela. De

noite, dá mais prazer reeditar o *ágon milenar do bem e do mal,

do que aceitar que os conflitos fazem parte essencial da vida e,

portanto, as duas partes podem ter alguma razão. Aliás, há

muitos séculos que é encenada essa situação de confronto

irremediável entre dois lados que têm razão: desde os gregos

antigos, tem o nome de tragédia. A democracia é uma tragédia

sem final infeliz - ou, talvez, sem final.

As novelas recompensam, em geral, os bons. Mas eles

são bons só na vida privada. É difícil alguém se empenhar em

melhorar a cidade, a sociedade. As personagens boas são

afetuosas, solidárias, mas não têm vida pública. As personagens

más são menos numerosas, mas são indispensáveis.

Condimentam a trama. Seu destino é mais variado, e assim

deve ser, se quisermos uma boa novela. Não podem ser todas

punidas, nem sair todas impunes.

ágon

  • elemento de origem grega: assembleia; local onde se realizam

jogos sacros e lutas; luta.

(Trecho do artigo de Renato Janine Ribeiro.

O Estado de S.

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,

C2+música

, D17, 11 de setembro de 2010, com

adaptações.)

Provavelmente as novelas exibam casos de ascensão social pelo amor - genuíno ou fingido - em proporção maior que a vida real ... (1° parágrafo)

O emprego das reticências no final do segmento transcrito acima denota

  • A

    nova referência, desnecessária, ao comentário de alguém alheio ao contexto.

  • B

    recurso adotado pelo autor, no sentido de estimular o interesse do leitor.

  • C

    certeza da concordância de um eventual leitor com a opinião ali exposta.

  • D

    desejo de que a ficção possa se deter, realmente, em fatos que ocorrem na vida real.

  • E

    hesitação, pela presença de um comentário de cunho subjetivo, sem base em dados reais.

141544Questão 7|Português|médio

Gilda de Mello e Souza dizia que o Brasil é muito bom

nas novelas. Para ter público, a novela precisa dispor de personagens

de todas as classes sociais, explicava ela, o que exige

uma trama complexa. Acrescento: a mobilidade social é decisiva

nas novelas e se dá sobretudo pelo amor entre ricos e

pobres. Provavelmente as novelas exibam casos de ascensão

social pelo amor - genuíno ou fingido - em proporção maior que

a vida real .... Mas a novela não é um retrato do Brasil, ou melhor,

é sim, mas como aqueles retratos antigos do avô e da avó,

fotografados em preto e branco, mas, depois, cuidadosamente

retocados e coloridos. O fundo é real. A tela: ideais, sonhos,

fantasias.

Novelas vivem de conflitos. Eles são movidos, quase

todos, pela oposição do bem e do mal. Esse confronto dramático

nos empolga. Talvez por isso a democracia não nos

empolgue tanto, no seu dia a dia: porque, nela, os conflitos são

a norma e não a exceção. Ela é o único regime em que divergir,

sem ter de se explicar e justificar, é legítimo. Quando uma

democracia funciona bem, não escolhemos em razão da honestidade

e competência - que deveriam existir nos dois ou mais

lados em concorrência - mas com base nos valores que preferimos,

por exemplo, liberalismo ou socialismo. Mas nossa

tendência, mesmo nas democracias, é converter as eleições em

lutas do bem contra o mal. É demonizar o adversário, transformá-

lo em inimigo. Creio que isso explica por que a democracia,

uma vez instalada, empolga menos que a novela. De

noite, dá mais prazer reeditar o *ágon milenar do bem e do mal,

do que aceitar que os conflitos fazem parte essencial da vida e,

portanto, as duas partes podem ter alguma razão. Aliás, há

muitos séculos que é encenada essa situação de confronto

irremediável entre dois lados que têm razão: desde os gregos

antigos, tem o nome de tragédia. A democracia é uma tragédia

sem final infeliz - ou, talvez, sem final.

As novelas recompensam, em geral, os bons. Mas eles

são bons só na vida privada. É difícil alguém se empenhar em

melhorar a cidade, a sociedade. As personagens boas são

afetuosas, solidárias, mas não têm vida pública. As personagens

más são menos numerosas, mas são indispensáveis.

Condimentam a trama. Seu destino é mais variado, e assim

deve ser, se quisermos uma boa novela. Não podem ser todas

punidas, nem sair todas impunes.

ágon

  • elemento de origem grega: assembleia; local onde se realizam

jogos sacros e lutas; luta.

(Trecho do artigo de Renato Janine Ribeiro.

O Estado de S.

Paulo

,

C2+música

, D17, 11 de setembro de 2010, com

adaptações.)

Mas a novela não é um retrato do Brasil, ou melhor , é sim ... (1° parágrafo)

O emprego da expressão grifada acima assinala uma

  • A

    contradição involuntária.

  • B

    repetição para realçar a ideia.

  • C

    retificação do que havia sido dito.

  • D

    conclusão decorrente da afirmativa inicial.

  • E

    condição básica de um fato evidente.

141545Questão 8|Português|médio

Gilda de Mello e Souza dizia que o Brasil é muito bom

nas novelas. Para ter público, a novela precisa dispor de personagens

de todas as classes sociais, explicava ela, o que exige

uma trama complexa. Acrescento: a mobilidade social é decisiva

nas novelas e se dá sobretudo pelo amor entre ricos e

pobres. Provavelmente as novelas exibam casos de ascensão

social pelo amor - genuíno ou fingido - em proporção maior que

a vida real .... Mas a novela não é um retrato do Brasil, ou melhor,

é sim, mas como aqueles retratos antigos do avô e da avó,

fotografados em preto e branco, mas, depois, cuidadosamente

retocados e coloridos. O fundo é real. A tela: ideais, sonhos,

fantasias.

Novelas vivem de conflitos. Eles são movidos, quase

todos, pela oposição do bem e do mal. Esse confronto dramático

nos empolga. Talvez por isso a democracia não nos

empolgue tanto, no seu dia a dia: porque, nela, os conflitos são

a norma e não a exceção. Ela é o único regime em que divergir,

sem ter de se explicar e justificar, é legítimo. Quando uma

democracia funciona bem, não escolhemos em razão da honestidade

e competência - que deveriam existir nos dois ou mais

lados em concorrência - mas com base nos valores que preferimos,

por exemplo, liberalismo ou socialismo. Mas nossa

tendência, mesmo nas democracias, é converter as eleições em

lutas do bem contra o mal. É demonizar o adversário, transformá-

lo em inimigo. Creio que isso explica por que a democracia,

uma vez instalada, empolga menos que a novela. De

noite, dá mais prazer reeditar o *ágon milenar do bem e do mal,

do que aceitar que os conflitos fazem parte essencial da vida e,

portanto, as duas partes podem ter alguma razão. Aliás, há

muitos séculos que é encenada essa situação de confronto

irremediável entre dois lados que têm razão: desde os gregos

antigos, tem o nome de tragédia. A democracia é uma tragédia

sem final infeliz - ou, talvez, sem final.

As novelas recompensam, em geral, os bons. Mas eles

são bons só na vida privada. É difícil alguém se empenhar em

melhorar a cidade, a sociedade. As personagens boas são

afetuosas, solidárias, mas não têm vida pública. As personagens

más são menos numerosas, mas são indispensáveis.

Condimentam a trama. Seu destino é mais variado, e assim

deve ser, se quisermos uma boa novela. Não podem ser todas

punidas, nem sair todas impunes.

ágon

  • elemento de origem grega: assembleia; local onde se realizam

jogos sacros e lutas; luta.

(Trecho do artigo de Renato Janine Ribeiro.

O Estado de S.

Paulo

,

C2+música

, D17, 11 de setembro de 2010, com

adaptações.)

Gilda de Mello e Souza dizia que o Brasil é muito bom nas novelas ... (início do texto)

O verbo flexionado nos mesmos tempos e modos em que se encontra o grifado acima está em:

  • A

    ... explicava ela ...

  • B

    Novelas vivem de conflitos.

  • C

    Talvez por isso a democracia não nos empolgue tanto, no seu dia a dia ...

  • D

    - que deveriam existir nos dois ou mais lados em concorrência -

  • E

    Mas eles são bons só na vida privada.

141546Questão 9|Português|médio

Gilda de Mello e Souza dizia que o Brasil é muito bom

nas novelas. Para ter público, a novela precisa dispor de personagens

de todas as classes sociais, explicava ela, o que exige

uma trama complexa. Acrescento: a mobilidade social é decisiva

nas novelas e se dá sobretudo pelo amor entre ricos e

pobres. Provavelmente as novelas exibam casos de ascensão

social pelo amor - genuíno ou fingido - em proporção maior que

a vida real .... Mas a novela não é um retrato do Brasil, ou melhor,

é sim, mas como aqueles retratos antigos do avô e da avó,

fotografados em preto e branco, mas, depois, cuidadosamente

retocados e coloridos. O fundo é real. A tela: ideais, sonhos,

fantasias.

Novelas vivem de conflitos. Eles são movidos, quase

todos, pela oposição do bem e do mal. Esse confronto dramático

nos empolga. Talvez por isso a democracia não nos

empolgue tanto, no seu dia a dia: porque, nela, os conflitos são

a norma e não a exceção. Ela é o único regime em que divergir,

sem ter de se explicar e justificar, é legítimo. Quando uma

democracia funciona bem, não escolhemos em razão da honestidade

e competência - que deveriam existir nos dois ou mais

lados em concorrência - mas com base nos valores que preferimos,

por exemplo, liberalismo ou socialismo. Mas nossa

tendência, mesmo nas democracias, é converter as eleições em

lutas do bem contra o mal. É demonizar o adversário, transformá-

lo em inimigo. Creio que isso explica por que a democracia,

uma vez instalada, empolga menos que a novela. De

noite, dá mais prazer reeditar o *ágon milenar do bem e do mal,

do que aceitar que os conflitos fazem parte essencial da vida e,

portanto, as duas partes podem ter alguma razão. Aliás, há

muitos séculos que é encenada essa situação de confronto

irremediável entre dois lados que têm razão: desde os gregos

antigos, tem o nome de tragédia. A democracia é uma tragédia

sem final infeliz - ou, talvez, sem final.

As novelas recompensam, em geral, os bons. Mas eles

são bons só na vida privada. É difícil alguém se empenhar em

melhorar a cidade, a sociedade. As personagens boas são

afetuosas, solidárias, mas não têm vida pública. As personagens

más são menos numerosas, mas são indispensáveis.

Condimentam a trama. Seu destino é mais variado, e assim

deve ser, se quisermos uma boa novela. Não podem ser todas

punidas, nem sair todas impunes.

ágon

  • elemento de origem grega: assembleia; local onde se realizam

jogos sacros e lutas; luta.

(Trecho do artigo de Renato Janine Ribeiro.

O Estado de S.

Paulo

,

C2+música

, D17, 11 de setembro de 2010, com

adaptações.)

A expressão em que preenche corretamente a lacuna da frase:

  • A

    A trama das novelas transforma fatos reais em sonhos, ...... muitos se distraem à noite, em suas casas.

  • B

    Após algum tempo, as pessoas esquecem as propostas ...... marcaram o andamento da trama novelesca, mesmo que tenha obtido sucesso.

  • C

    Devemos estar atentos ao fato ...... novelas, por serem instrumento de lazer, tendem a mostram visão fantasiosa do mundo.

  • D

    Formas de comportamento ...... o autor projeta defeitos e virtudes da sociedade podem ser encontradas diariamente nas ruas.

  • E

    As novelas ...... o crítico se referia haviam discutido situações desagradáveis, que passam despercebidas para a maioria das pessoas.

141547Questão 10|Português|médio

Gilda de Mello e Souza dizia que o Brasil é muito bom

nas novelas. Para ter público, a novela precisa dispor de personagens

de todas as classes sociais, explicava ela, o que exige

uma trama complexa. Acrescento: a mobilidade social é decisiva

nas novelas e se dá sobretudo pelo amor entre ricos e

pobres. Provavelmente as novelas exibam casos de ascensão

social pelo amor - genuíno ou fingido - em proporção maior que

a vida real .... Mas a novela não é um retrato do Brasil, ou melhor,

é sim, mas como aqueles retratos antigos do avô e da avó,

fotografados em preto e branco, mas, depois, cuidadosamente

retocados e coloridos. O fundo é real. A tela: ideais, sonhos,

fantasias.

Novelas vivem de conflitos. Eles são movidos, quase

todos, pela oposição do bem e do mal. Esse confronto dramático

nos empolga. Talvez por isso a democracia não nos

empolgue tanto, no seu dia a dia: porque, nela, os conflitos são

a norma e não a exceção. Ela é o único regime em que divergir,

sem ter de se explicar e justificar, é legítimo. Quando uma

democracia funciona bem, não escolhemos em razão da honestidade

e competência - que deveriam existir nos dois ou mais

lados em concorrência - mas com base nos valores que preferimos,

por exemplo, liberalismo ou socialismo. Mas nossa

tendência, mesmo nas democracias, é converter as eleições em

lutas do bem contra o mal. É demonizar o adversário, transformá-

lo em inimigo. Creio que isso explica por que a democracia,

uma vez instalada, empolga menos que a novela. De

noite, dá mais prazer reeditar o *ágon milenar do bem e do mal,

do que aceitar que os conflitos fazem parte essencial da vida e,

portanto, as duas partes podem ter alguma razão. Aliás, há

muitos séculos que é encenada essa situação de confronto

irremediável entre dois lados que têm razão: desde os gregos

antigos, tem o nome de tragédia. A democracia é uma tragédia

sem final infeliz - ou, talvez, sem final.

As novelas recompensam, em geral, os bons. Mas eles

são bons só na vida privada. É difícil alguém se empenhar em

melhorar a cidade, a sociedade. As personagens boas são

afetuosas, solidárias, mas não têm vida pública. As personagens

más são menos numerosas, mas são indispensáveis.

Condimentam a trama. Seu destino é mais variado, e assim

deve ser, se quisermos uma boa novela. Não podem ser todas

punidas, nem sair todas impunes.

ágon

  • elemento de origem grega: assembleia; local onde se realizam

jogos sacros e lutas; luta.

(Trecho do artigo de Renato Janine Ribeiro.

O Estado de S.

Paulo

,

C2+música

, D17, 11 de setembro de 2010, com

adaptações.)

A concordância verbal e nominal está inteiramente correta na frase:

  • A

    Personagens do bem e personagens do mal mostra a dualidade que existe em todas as ações humanas no decorrer de uma trama realmente capaz de manter o interesse dos espectadores.

  • B

    O drama representado em uma novela, com personagens atraentes que se divide entre o bem e o mal, atraem, durante vários meses, a atenção de um público fiel e interessado em suas peripécias.

  • C

    Uma novela que chame a atenção do público e leve os espectadores a acompanhar a trama, muitas vezes longa, deve basear-se em uma realidade transmudada em sonho e fantasia.

  • D

    Para que seja atraente as situações criadas pelo autor de uma novelas, é preciso que as personagens tenham atitudes coerentes e convincentes para o público que a acompanham diariamente.

  • E

    O drama que vive as personagens de novelas, ainda que seja baseado em tipos humanos reais, nem sempre convencem os espectadores, que desejam se distrair em casa, após o trabalho.