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Técnico Judiciário Auxiliar - 2024


Página 6  •  Total 80 questões
47103Questão 51|Direito Constitucional|médio

Em determinada temática de competência legislativa concorrente entre a União e os estados, a deputada estadual Maria constatou que aquele ente federativo ainda não editara nenhuma norma em sua esfera de competência.

À luz desse quadro, Maria concluiu corretamente que o estado:

  • A

    não pode legislar sobre a temática;

  • B

    pode legislar sobre a temática, desde que o Congresso Nacional referende a norma que for editada;

  • C

    pode legislar livremente sobre a temática e, caso sobrevenha lei da União, a lei estadual será tida como revogada;

  • D

    pode legislar livremente sobre a temática e, caso sobrevenha lei da União, a lei estadual terá sua eficácia suspensa naquilo que colidir com a referida lei;

  • E

    somente pode legislar sobre a temática se a União editar lei complementar delegando a competência legislativa aos entes federativos de natureza subnacional.

47104Questão 52|Direito Constitucional|médio

João e Antônio, proprietários de duas importantes fazendas confinantes, localizadas em zona rural, tinham divergências quanto ao limite territorial da propriedade de cada qual. Como as fazendas eram muito produtivas, alterações de limites importariam em grande impacto financeiro, sendo que ambos, apesar de ricos, não aceitavam ter qualquer espécie de redução dos seus ganhos. Já saturado com a situação e entendendo que teria provas que lhe permitiriam descrever, com exatidão, os limites territoriais de sua Fazenda, João decidiu ajuizar uma ação em face de Antônio para definir os referidos limites.

À luz da sistemática vigente, é correto afirmar que:

  • A

    a presença de interesses difusos indica que a ação deve ser ajuizada pelo Ministério Público;

  • B

    João precisa de um profissional com capacidade postulatória para o ajuizamento da ação, que pode ser tanto um Defensor Público como um advogado;

  • C

    por dizer respeito ao direito de propriedade, que tem a natureza de direito fundamental, a ação pode ser ajuizada pelo Ministério Público ou pela Defensoria Pública;

  • D

    por se tratar de interesse privado e em razão da situação pessoal de João, ele precisa de um advogado para o ajuizamento da ação, não de um Defensor Público;

  • E

    em razão do princípio do livre acesso à justiça, João tem liberdade para escolher se a ação deve ser ajuizada pelo Ministério Público, pela Defensoria Pública ou por advogado.

47105Questão 53|Direito Constitucional|médio

Maria, servidora recém-empossada no Tribunal de Justiça do Estado Alfa, tomou conhecimento de um requerimento formulado pela associação dos lojistas do Norte desse estado. Nesse pleito, era postulada a criação de uma Câmara Cível regional, com competência para atuar naquela parte do estado, o que decorria do grande volume de recursos processuais oriundos da respectiva região.

Ao consultar a Constituição da República, Maria concluiu corretamente que o referido pleito:

  • A

    afronta o princípio da unidade de jurisdição, não podendo ser acolhido;

  • B

    pressupõe a aprovação, por plebiscito, da população diretamente interessada;

  • C

    pode ser acolhido pelo Tribunal de Justiça, que avaliará a conveniência do funcionamento descentralizado;

  • D

    é contrário ao princípio da isonomia no acesso à justiça, pois as outras regiões não contarão com Câmara similar;

  • E

    deve ser obrigatoriamente acolhido, já que o Tribunal de Justiça deveria ter criado a referida Câmara de ofício.

47106Questão 54|Direito Constitucional|médio

Na comarca Alfa, de juízo único, em uma ação de cobrança na qual figuravam como partes João e Maria, o juiz de direito proferiu decisão, decidindo um incidente processual, que, ao ver desta última, seria contrária aos balizamentos estabelecidos pela ordem jurídica.

Ao consultar o seu patrono em relação à possibilidade de a decisão judicial ser reformada pelo Conselho Nacional de Justiça, foi corretamente informado a Maria que isso:

  • A

    não pode ser feito;

  • B

    pode ser feito antes do decurso de um ano;

  • C

    pode ser feito por meio de reclamação constitucional;

  • D

    pressupõe a interposição de recurso ao Tribunal de Justiça;

  • E

    exige que o valor da causa seja superior ao valor de alçada.

47107Questão 55|Direito Civil|médio

O juiz Achádego proferiu decisão em um processo com o seguinte conteúdo: “Realmente, não há lei que regule especificamente a matéria. No entanto, existe regra para hipótese semelhante que pode ser aplicada, com as devidas alterações, a esse caso. De mais a mais, a pretensão do autor é conforme o princípio da razoabilidade e, em uma análise econômica, promove o melhor resultado para o mercado de ações”.

Nesse caso, exclusivamente à luz da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, notadamente a disciplina das lacunas normativas (art. 4º), o juiz:

  • A

    não poderia decidir sem base legal;

  • B

    poderia invocar qualquer um desses fundamentos, sendo a lei omissa;

  • C

    só poderia transpor a norma para caso semelhante e aplicar o princípio da razoabilidade, dado que não há lei regendo a matéria;

  • D

    sobre o tema, só poderia utilizar a norma existente para caso semelhante, dada a ausência da lei;

  • E

    poderia transpor a norma pensada para casos semelhantes e adotar os princípios da economia, dado o silêncio da lei.

47108Questão 56|Direito Civil|médio

Qualquer que seja o valor da transação, é desnecessária escritura pública para alienar ou ceder:

  • A

    o direito à sucessão aberta pela morte de alguém;

  • B

    um prédio de cinco andares ainda não totalmente construído;

  • C

    vasta plantação de árvores, durante a transferência de uma fazenda para outra diante de iminente risco de destruição;

  • D

    energia solar;

  • E

    vitrais e portas desenhados por importante artista, temporariamente retirados de um casarão durante uma reforma para nela se reempregarem posteriormente quando as obras acabarem.

47109Questão 57|Direito Civil|médio

Álveo integra a Associação dos Funcionários do Poder Judiciário do Estado X. Após uma polêmica votação, liderada pelo diretor Aluvião, aprova-se a venda da sede histórica do clube para construir-se, no lugar, um empreendimento imobiliário. Álveo, então, ajuíza demanda em face de Aluvião em que pede a anulação da assembleia e a indenização pelos danos sofridos pela associação. Fundamenta seu pedido nos deveres que Aluvião, como associado, teria em relação aos demais.

Em sua contestação, Aluvião suscita três teses defensivas:

I. Álveo não poderia pedir indenização em nome da associação, diante da autonomia de sua personalidade jurídica;

II. não há qualquer relação entre associados, nem direitos, nem obrigações recíprocas; e

III. a associação não poderia sofrer danos morais porque, como pessoa jurídica, não pode receber proteção a direitos da personalidade, próprios das pessoas naturais.

Em relação a essas teses, exclusivamente à luz do direito civil, é correto afirmar que:

  • A

    são todas improcedentes;

  • B

    são todas procedentes;

  • C

    apenas I e II são procedentes;

  • D

    apenas II e III são procedentes;

  • E

    apenas I e III são procedentes.

47110Questão 58|Direito Civil|médio

Confira-se a seguinte figura típica do direito penal:

“Art. 135-A. Exigir cheque-caução, nota promissória ou qualquer garantia, bem como o preenchimento prévio de formulários administrativos, como condição para o atendimento médico-hospitalar emergencial:

Pena ̶detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e multa..”

Essa situação, no direito civil, corresponde a:

  • A

    coação;

  • B

    estado de perigo;

  • C

    dolo;

  • D

    lesão;

  • E

    erro essencial.

47111Questão 59|Direito Civil|médio

O Superior Tribunal de Justiça, em recente decisão, fez constar de sua ementa a seguinte proposição:

“Inovando em relação à ordem jurídica anterior, o art. 189 do Código Civil de 2002 estabelece, expressamente, que o alvo da prescrição é a pretensão, instituto de direito material, compreendido como o poder de exigir um comportamento positivo ou negativo da outra parte da relação jurídica.” (REsp n. 2.088.100/SP, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 17/10/2023, DJe de 23/10/2023.)

Consequência direta de a prescrição incidir sobre a pretensão é:

  • A

    o desaparecimento do direito, que não poderá, por isso mesmo, ser exercitado judicialmente;

  • B

    o dever de devolver o valor recebido por dívida prescrita;

  • C

    a impossibilidade de renúncia ao prazo prescricional, uma vez consumado;

  • D

    a impossibilidade de cobrança de dívida prescrita, seja judicialmente, seja extrajudicialmente;

  • E

    a possibilidade de as partes, em comum acordo, alterarem o prazo de prescrição, que não extingue a obrigação em si mesma.

47112Questão 60|Direito Civil|médio

Pontes de Miranda, dentre suas muitas contribuições ao direito brasileiro, trouxe a chamada Escada Ponteana, que postula a divisão dos negócios jurídicos em três planos: o da existência da validade e o da eficácia. Sob essa premissa, imagine-se um negócio jurídico:

I. existente e eficaz, porém inválido; II. válido e eficaz, porém inexistente; III. existente e válido, porém ineficaz.

Pela proposição de Pontes de Miranda, seria(m) possível(is):

  • A

    I, II e III;

  • B

    apenas I;

  • C

    apenas II e III;

  • D

    apenas I e III;

  • E

    apenas III.

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