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Analista Judiciário - Área Judiciária - Especialidade: Oficial de Justiça Avaliador Federal - 2022


Página 1  •  Total 60 questões
95005Questão 1|Português|superior

Atenção: Para responder à questão, considere o poema “O que passou passou?” do escritor curitibano Paulo Leminski. 

1     Antigamente, se morria.

       1907, digamos, aquilo sim

       é que era morrer.

       Morria gente todo dia,

       e morria com muito prazer,

       já que todo mundo sabia

       que o Juízo, afinal, viria,

       e todo mundo ia renascer.

       Morria-se praticamente de tudo.

10   De doença, de parto, de tosse.

       E ainda se morria de amor,

       como se o amar morte fosse.

       Pra morrer, bastava um susto,

       um lenço no vento, um suspiro e pronto,

       lá se ia nosso defunto

       para a terra dos pés juntos.

       Dia de anos, casamento, batizado,

       morrer era um tipo de festa,

       uma das coisas da vida,

20    como ser ou não ser convidado.

        O escândalo era de praxe.

        Mas os danos eram pequenos.

        Descansou. Partiu. Deus o tenha.

        Sempre alguém tinha uma frase 

        que deixava aquilo mais ou menos.

        Tinha coisas que matavam na certa.

        Pepino com leite, vento encanado,

        praga de velha e amor mal curado.

        Tinha coisas que tem que morrer,

30    tinha coisas que tem que matar.

        A honra, a terra e o sangue

        mandou muita gente praquele lugar.

        Que mais podia um velho fazer,

        nos idos de 1916,

        a não ser pegar pneumonia,

        deixar tudo para os filhos

        e virar fotografia?

        Ninguém vivia pra sempre.

        Afinal, a vida é um upa.

40    Não deu pra ir mais além.

        Mas ninguém tem culpa.

        Quem mandou não ser devoto

        de Santo Inácio de Acapulco,

        Menino Jesus de Praga?

        O diabo anda solto.

        Aqui se faz, aqui se paga.

        Almoçou e fez a barba,

        tomou banho e foi no vento.

        Não tem o que reclamar.

50    Agora, vamos ao testamento.

        Hoje, a morte está difícil.

        Tem recursos, tem asilos, tem remédios.

        Agora, a morte tem limites.

        E, em caso de necessidade,

        a ciência da eternidade

        inventou a criônica.

        Hoje, sim, pessoal, a vida é crônica. 

(LEMINSKI, Paulo. Toda poesia, 2013)

O eu lírico manifesta-se explicitamente no poema em:

  • A

    Morria-se praticamente de tudo. / De doença, de parto, de tosse. (versos 9 e 10)

  • B

    1907, digamos, aquilo sim / é que era morrer. (versos 2 e 3)

  • C

    E ainda se morria de amor, / como se o amar morte fosse. (versos 11 e 12)

  • D

    Almoçou e fez a barba, / tomou banho e foi no vento. (versos 47 e 48)

  • E

    O escândalo era de praxe. / Mas os danos eram pequenos. (versos 21 e 22)

95006Questão 2|Português|superior

Atenção: Para responder à questão, considere o poema “O que passou passou?” do escritor curitibano Paulo Leminski. 

1     Antigamente, se morria.

       1907, digamos, aquilo sim

       é que era morrer.

       Morria gente todo dia,

       e morria com muito prazer,

       já que todo mundo sabia

       que o Juízo, afinal, viria,

       e todo mundo ia renascer.

       Morria-se praticamente de tudo.

10   De doença, de parto, de tosse.

       E ainda se morria de amor,

       como se o amar morte fosse.

       Pra morrer, bastava um susto,

       um lenço no vento, um suspiro e pronto,

       lá se ia nosso defunto

       para a terra dos pés juntos.

       Dia de anos, casamento, batizado,

       morrer era um tipo de festa,

       uma das coisas da vida,

20    como ser ou não ser convidado.

        O escândalo era de praxe.

        Mas os danos eram pequenos.

        Descansou. Partiu. Deus o tenha.

        Sempre alguém tinha uma frase 

        que deixava aquilo mais ou menos.

        Tinha coisas que matavam na certa.

        Pepino com leite, vento encanado,

        praga de velha e amor mal curado.

        Tinha coisas que tem que morrer,

30    tinha coisas que tem que matar.

        A honra, a terra e o sangue

        mandou muita gente praquele lugar.

        Que mais podia um velho fazer,

        nos idos de 1916,

        a não ser pegar pneumonia,

        deixar tudo para os filhos

        e virar fotografia?

        Ninguém vivia pra sempre.

        Afinal, a vida é um upa.

40    Não deu pra ir mais além.

        Mas ninguém tem culpa.

        Quem mandou não ser devoto

        de Santo Inácio de Acapulco,

        Menino Jesus de Praga?

        O diabo anda solto.

        Aqui se faz, aqui se paga.

        Almoçou e fez a barba,

        tomou banho e foi no vento.

        Não tem o que reclamar.

50    Agora, vamos ao testamento.

        Hoje, a morte está difícil.

        Tem recursos, tem asilos, tem remédios.

        Agora, a morte tem limites.

        E, em caso de necessidade,

        a ciência da eternidade

        inventou a criônica.

        Hoje, sim, pessoal, a vida é crônica. 

(LEMINSKI, Paulo. Toda poesia, 2013)

“Agora, a morte tem limites.” (verso 53)

Implícito a esse verso está a ideia de que, antes, a morte mostrava-se

  • A

    onipotente.

  • B

    imprevisível.

  • C

    compassiva.

  • D

    enigmática.

  • E

    desleixada.

95007Questão 3|Português|superior

Atenção: Para responder à questão, considere o poema “O que passou passou?” do escritor curitibano Paulo Leminski. 

1     Antigamente, se morria.

       1907, digamos, aquilo sim

       é que era morrer.

       Morria gente todo dia,

       e morria com muito prazer,

       já que todo mundo sabia

       que o Juízo, afinal, viria,

       e todo mundo ia renascer.

       Morria-se praticamente de tudo.

10   De doença, de parto, de tosse.

       E ainda se morria de amor,

       como se o amar morte fosse.

       Pra morrer, bastava um susto,

       um lenço no vento, um suspiro e pronto,

       lá se ia nosso defunto

       para a terra dos pés juntos.

       Dia de anos, casamento, batizado,

       morrer era um tipo de festa,

       uma das coisas da vida,

20    como ser ou não ser convidado.

        O escândalo era de praxe.

        Mas os danos eram pequenos.

        Descansou. Partiu. Deus o tenha.

        Sempre alguém tinha uma frase 

        que deixava aquilo mais ou menos.

        Tinha coisas que matavam na certa.

        Pepino com leite, vento encanado,

        praga de velha e amor mal curado.

        Tinha coisas que tem que morrer,

30    tinha coisas que tem que matar.

        A honra, a terra e o sangue

        mandou muita gente praquele lugar.

        Que mais podia um velho fazer,

        nos idos de 1916,

        a não ser pegar pneumonia,

        deixar tudo para os filhos

        e virar fotografia?

        Ninguém vivia pra sempre.

        Afinal, a vida é um upa.

40    Não deu pra ir mais além.

        Mas ninguém tem culpa.

        Quem mandou não ser devoto

        de Santo Inácio de Acapulco,

        Menino Jesus de Praga?

        O diabo anda solto.

        Aqui se faz, aqui se paga.

        Almoçou e fez a barba,

        tomou banho e foi no vento.

        Não tem o que reclamar.

50    Agora, vamos ao testamento.

        Hoje, a morte está difícil.

        Tem recursos, tem asilos, tem remédios.

        Agora, a morte tem limites.

        E, em caso de necessidade,

        a ciência da eternidade

        inventou a criônica.

        Hoje, sim, pessoal, a vida é crônica. 

(LEMINSKI, Paulo. Toda poesia, 2013)

Considere os seguintes trechos:

I. “Descansou. Partiu. Deus o tenha.” (verso 23)

II. “deixar tudo para os filhos / e virar fotografia?” (versos 36 e 37)

III. “Mas ninguém tem culpa.” (verso 41)

Ocorre eufemismo em

  • A

    III, apenas.

  • B

    I, apenas.

  • C

    II, apenas.

  • D

    I e II, apenas.

  • E

    I, II e III.

95008Questão 4|Português|superior

Atenção: Para responder à questão, considere o poema “O que passou passou?” do escritor curitibano Paulo Leminski. 

1     Antigamente, se morria.

       1907, digamos, aquilo sim

       é que era morrer.

       Morria gente todo dia,

       e morria com muito prazer,

       já que todo mundo sabia

       que o Juízo, afinal, viria,

       e todo mundo ia renascer.

       Morria-se praticamente de tudo.

10   De doença, de parto, de tosse.

       E ainda se morria de amor,

       como se o amar morte fosse.

       Pra morrer, bastava um susto,

       um lenço no vento, um suspiro e pronto,

       lá se ia nosso defunto

       para a terra dos pés juntos.

       Dia de anos, casamento, batizado,

       morrer era um tipo de festa,

       uma das coisas da vida,

20    como ser ou não ser convidado.

        O escândalo era de praxe.

        Mas os danos eram pequenos.

        Descansou. Partiu. Deus o tenha.

        Sempre alguém tinha uma frase 

        que deixava aquilo mais ou menos.

        Tinha coisas que matavam na certa.

        Pepino com leite, vento encanado,

        praga de velha e amor mal curado.

        Tinha coisas que tem que morrer,

30    tinha coisas que tem que matar.

        A honra, a terra e o sangue

        mandou muita gente praquele lugar.

        Que mais podia um velho fazer,

        nos idos de 1916,

        a não ser pegar pneumonia,

        deixar tudo para os filhos

        e virar fotografia?

        Ninguém vivia pra sempre.

        Afinal, a vida é um upa.

40    Não deu pra ir mais além.

        Mas ninguém tem culpa.

        Quem mandou não ser devoto

        de Santo Inácio de Acapulco,

        Menino Jesus de Praga?

        O diabo anda solto.

        Aqui se faz, aqui se paga.

        Almoçou e fez a barba,

        tomou banho e foi no vento.

        Não tem o que reclamar.

50    Agora, vamos ao testamento.

        Hoje, a morte está difícil.

        Tem recursos, tem asilos, tem remédios.

        Agora, a morte tem limites.

        E, em caso de necessidade,

        a ciência da eternidade

        inventou a criônica.

        Hoje, sim, pessoal, a vida é crônica. 

(LEMINSKI, Paulo. Toda poesia, 2013)

O trecho sublinhado expressa um desejo em:

  • A

    “Agora, a morte tem limites.” (verso 53)

  • B

    “Sempre alguém tinha uma frase” (verso 24)

  • C

    “Mas ninguém tem culpa.” (verso 41)

  • D

    “Afinal, a vida é um upa.” (verso 39)

  • E

    “Descansou. Partiu. Deus o tenha.” (verso 23)

95009Questão 5|Português|superior

Atenção: Para responder à questão, considere o poema “O que passou passou?” do escritor curitibano Paulo Leminski. 

1     Antigamente, se morria.

       1907, digamos, aquilo sim

       é que era morrer.

       Morria gente todo dia,

       e morria com muito prazer,

       já que todo mundo sabia

       que o Juízo, afinal, viria,

       e todo mundo ia renascer.

       Morria-se praticamente de tudo.

10   De doença, de parto, de tosse.

       E ainda se morria de amor,

       como se o amar morte fosse.

       Pra morrer, bastava um susto,

       um lenço no vento, um suspiro e pronto,

       lá se ia nosso defunto

       para a terra dos pés juntos.

       Dia de anos, casamento, batizado,

       morrer era um tipo de festa,

       uma das coisas da vida,

20    como ser ou não ser convidado.

        O escândalo era de praxe.

        Mas os danos eram pequenos.

        Descansou. Partiu. Deus o tenha.

        Sempre alguém tinha uma frase 

        que deixava aquilo mais ou menos.

        Tinha coisas que matavam na certa.

        Pepino com leite, vento encanado,

        praga de velha e amor mal curado.

        Tinha coisas que tem que morrer,

30    tinha coisas que tem que matar.

        A honra, a terra e o sangue

        mandou muita gente praquele lugar.

        Que mais podia um velho fazer,

        nos idos de 1916,

        a não ser pegar pneumonia,

        deixar tudo para os filhos

        e virar fotografia?

        Ninguém vivia pra sempre.

        Afinal, a vida é um upa.

40    Não deu pra ir mais além.

        Mas ninguém tem culpa.

        Quem mandou não ser devoto

        de Santo Inácio de Acapulco,

        Menino Jesus de Praga?

        O diabo anda solto.

        Aqui se faz, aqui se paga.

        Almoçou e fez a barba,

        tomou banho e foi no vento.

        Não tem o que reclamar.

50    Agora, vamos ao testamento.

        Hoje, a morte está difícil.

        Tem recursos, tem asilos, tem remédios.

        Agora, a morte tem limites.

        E, em caso de necessidade,

        a ciência da eternidade

        inventou a criônica.

        Hoje, sim, pessoal, a vida é crônica. 

(LEMINSKI, Paulo. Toda poesia, 2013)

Expressão expletiva é uma expressão que não exerce função sintática. (Evanildo Bechara. Moderna gramática portuguesa, 2009. Adaptado.)

Verifica-se uma expressão expletiva em:

  • A

    “Não deu pra ir mais além. / Mas ninguém tem culpa.” (versos 40 e 41)

  • B

    “O escândalo era de praxe. / Mas os danos eram pequenos.” (versos 21 e 22)

  • C

    “Sempre alguém tinha uma frase / que deixava aquilo mais ou menos.” (versos 24 e 25)

  • D

    “A honra, a terra e o sangue / mandou muita gente praquele lugar.” (versos 31 e 32)

  • E

    “1907, digamos, aquilo sim / é que era morrer.” (versos 2 e 3)

95010Questão 6|Português|superior

Atenção: Para responder à questão, considere o poema “O que passou passou?” do escritor curitibano Paulo Leminski. 

1     Antigamente, se morria.

       1907, digamos, aquilo sim

       é que era morrer.

       Morria gente todo dia,

       e morria com muito prazer,

       já que todo mundo sabia

       que o Juízo, afinal, viria,

       e todo mundo ia renascer.

       Morria-se praticamente de tudo.

10   De doença, de parto, de tosse.

       E ainda se morria de amor,

       como se o amar morte fosse.

       Pra morrer, bastava um susto,

       um lenço no vento, um suspiro e pronto,

       lá se ia nosso defunto

       para a terra dos pés juntos.

       Dia de anos, casamento, batizado,

       morrer era um tipo de festa,

       uma das coisas da vida,

20    como ser ou não ser convidado.

        O escândalo era de praxe.

        Mas os danos eram pequenos.

        Descansou. Partiu. Deus o tenha.

        Sempre alguém tinha uma frase 

        que deixava aquilo mais ou menos.

        Tinha coisas que matavam na certa.

        Pepino com leite, vento encanado,

        praga de velha e amor mal curado.

        Tinha coisas que tem que morrer,

30    tinha coisas que tem que matar.

        A honra, a terra e o sangue

        mandou muita gente praquele lugar.

        Que mais podia um velho fazer,

        nos idos de 1916,

        a não ser pegar pneumonia,

        deixar tudo para os filhos

        e virar fotografia?

        Ninguém vivia pra sempre.

        Afinal, a vida é um upa.

40    Não deu pra ir mais além.

        Mas ninguém tem culpa.

        Quem mandou não ser devoto

        de Santo Inácio de Acapulco,

        Menino Jesus de Praga?

        O diabo anda solto.

        Aqui se faz, aqui se paga.

        Almoçou e fez a barba,

        tomou banho e foi no vento.

        Não tem o que reclamar.

50    Agora, vamos ao testamento.

        Hoje, a morte está difícil.

        Tem recursos, tem asilos, tem remédios.

        Agora, a morte tem limites.

        E, em caso de necessidade,

        a ciência da eternidade

        inventou a criônica.

        Hoje, sim, pessoal, a vida é crônica. 

(LEMINSKI, Paulo. Toda poesia, 2013)

Um vocábulo pode ser formado quando passa de uma classe gramatical a outra, sem a modificação de sua forma. É o que se denomina derivação imprópria. Constitui exemplo de derivação imprópria o termo sublinhado em:

  • A

    “e todo mundo ia renascer.” (verso 8)

  • B

    “Pra morrer, bastava um susto,” (verso 13)

  • C

    “como se o amar morte fosse.” (verso 12)

  • D

    “deixar tudo para os filhos” (verso 36)

  • E

    “Não tem o que reclamar.” (verso 49)

95011Questão 7|Português|superior

Atenção: Para responder à questão, considere o poema “O que passou passou?” do escritor curitibano Paulo Leminski. 

1     Antigamente, se morria.

       1907, digamos, aquilo sim

       é que era morrer.

       Morria gente todo dia,

       e morria com muito prazer,

       já que todo mundo sabia

       que o Juízo, afinal, viria,

       e todo mundo ia renascer.

       Morria-se praticamente de tudo.

10   De doença, de parto, de tosse.

       E ainda se morria de amor,

       como se o amar morte fosse.

       Pra morrer, bastava um susto,

       um lenço no vento, um suspiro e pronto,

       lá se ia nosso defunto

       para a terra dos pés juntos.

       Dia de anos, casamento, batizado,

       morrer era um tipo de festa,

       uma das coisas da vida,

20    como ser ou não ser convidado.

        O escândalo era de praxe.

        Mas os danos eram pequenos.

        Descansou. Partiu. Deus o tenha.

        Sempre alguém tinha uma frase 

        que deixava aquilo mais ou menos.

        Tinha coisas que matavam na certa.

        Pepino com leite, vento encanado,

        praga de velha e amor mal curado.

        Tinha coisas que tem que morrer,

30    tinha coisas que tem que matar.

        A honra, a terra e o sangue

        mandou muita gente praquele lugar.

        Que mais podia um velho fazer,

        nos idos de 1916,

        a não ser pegar pneumonia,

        deixar tudo para os filhos

        e virar fotografia?

        Ninguém vivia pra sempre.

        Afinal, a vida é um upa.

40    Não deu pra ir mais além.

        Mas ninguém tem culpa.

        Quem mandou não ser devoto

        de Santo Inácio de Acapulco,

        Menino Jesus de Praga?

        O diabo anda solto.

        Aqui se faz, aqui se paga.

        Almoçou e fez a barba,

        tomou banho e foi no vento.

        Não tem o que reclamar.

50    Agora, vamos ao testamento.

        Hoje, a morte está difícil.

        Tem recursos, tem asilos, tem remédios.

        Agora, a morte tem limites.

        E, em caso de necessidade,

        a ciência da eternidade

        inventou a criônica.

        Hoje, sim, pessoal, a vida é crônica. 

(LEMINSKI, Paulo. Toda poesia, 2013)

Considerando a regência verbal recomendada pela norma-padrão da língua portuguesa, verifica-se um desvio em:

  • A

    “Agora, vamos ao testamento.” (verso 50)

  • B

    “lá se ia nosso defunto / para a terra dos pés juntos.” (versos 15 e 16)

  • C

    “Almoçou e fez a barba,” (verso 47)

  • D

    "tomou banho e foi no vento.” (verso 48)

  • E

    “a ciência da eternidade / inventou a criônica.” (versos 55 e 56)

95012Questão 8|Português|superior

Atenção: Para responder à questão, leia o trecho inicial do conto “Virginius: narrativa de um advogado”, de Machado de Assis. 

      Não me correu tranquilo o S. João de 185...

      Duas semanas antes do dia em que a Igreja celebra o evangelista, recebi pelo correio o seguinte bilhete, sem assinatura e de letra desconhecida:

      “O Dr. *** é convidado a ir à vila de... tomar conta de um processo. O objeto é digno do talento e das habilitações do advogado. Despesas e honorários ser-lhe-ão satisfeitos antecipadamente, mal puser pé no estribo. O réu está na cadeia da mesma vila e chama-se Julião. Note que o Dr. é convidado a ir defender o réu.”

      Li e reli este bilhete; voltei-o em todos os sentidos; comparei a letra com todas as letras dos meus amigos e conhecidos... Nada pude descobrir. 

      Entretanto, picava-me a curiosidade. Luzia-me um romance através daquele misterioso e anônimo bilhete. Tomei uma resolução definitiva. Ultimei uns negócios, dei de mão outros, e oito dias depois de receber o bilhete tinha à porta um cavalo e um camarada para seguir viagem. No momento em que me dispunha a sair, entrou-me em casa um sujeito desconhecido, e entregou-me um rolo de papel contendo uma avultada soma, importância aproximada das despesas e dos honorários. Recusei apesar das instâncias, montei a cavalo e parti.

      Só depois de ter feito algumas léguas é que me lembrei de que justamente na vila a que eu ia morava um amigo meu, antigo companheiro da academia. 

      Poucos dias depois apeava eu à porta do referido amigo. Depois de entregar o cavalo aos cuidados do camarada, entrei para abraçar o meu antigo companheiro de estudos, que me recebeu alvoroçado e admirado.

      − A que vens, meu amigo? A que vens? perguntava-me ele.

      − Vais sabê-lo. Creio que há um romance para deslindar. Há quinze dias recebi no meu escritório, na corte, um bilhete anônimo em que se me convidava com instância a vir a esta vila para tomar conta de uma defesa. Não pude conhecer a letra; era desigual e trêmula, como escrita por mão cansada...

      − Tens o bilhete contigo?

      − Tenho.

      Tirei do bolso o misterioso bilhete e entreguei-o aberto ao meu amigo. Ele, depois de lê-lo, disse:

      − É a letra de Pai de todos.

      − Quem é Pai de todos?

      − É um fazendeiro destas paragens, o velho Pio. O povo dá-lhe o nome de Pai de todos, porque o velho Pio o é na verdade.

      − Bem dizia eu que há romance no fundo!... Que faz esse velho para que lhe deem semelhante título?

      − Pouca coisa. Pio é, por assim dizer, a justiça e a caridade fundidas em uma só pessoa. Só as grandes causas vão ter às autoridades judiciárias, policiais ou municipais; mas tudo o que não sai de certa ordem é decidido na fazenda de Pio, cuja sentença todos acatam e cumprem. Seja ela contra Pedro ou contra Paulo, Paulo e Pedro submetem-se, como se fora uma decisão divina. Quando dois contendores saem da fazenda de Pio, saem amigos. É caso de consciência aderir ao julgamento de Pai de todos.

      O meu amigo continuou a desfiar as virtudes do fazendeiro. Meu espírito apreendia-se cada vez mais de que eu ia entrar em um romance. Finalmente o meu amigo dispunha-se a contar-me a história do crime em cujo conhecimento devia eu entrar daí a poucas horas. Detive-o.

      − Não, disse-lhe, deixa-me saber de tudo por boca do próprio réu. Depois compararei com o que me contarás.

      − É melhor. Julião é inocente...

(Adaptado de: ASSIS, Machado de. Obra Completa, v. II. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994)

De acordo com o amigo do narrador, o título atribuído a Pio mostra-se

  • A

    apropriado.

  • B

    irônico.

  • C

    enigmático.

  • D

    exagerado.

  • E

    desdenhoso.

95013Questão 9|Português|superior

Atenção: Para responder à questão, leia o trecho inicial do conto “Virginius: narrativa de um advogado”, de Machado de Assis. 

      Não me correu tranquilo o S. João de 185...

      Duas semanas antes do dia em que a Igreja celebra o evangelista, recebi pelo correio o seguinte bilhete, sem assinatura e de letra desconhecida:

      “O Dr. *** é convidado a ir à vila de... tomar conta de um processo. O objeto é digno do talento e das habilitações do advogado. Despesas e honorários ser-lhe-ão satisfeitos antecipadamente, mal puser pé no estribo. O réu está na cadeia da mesma vila e chama-se Julião. Note que o Dr. é convidado a ir defender o réu.”

      Li e reli este bilhete; voltei-o em todos os sentidos; comparei a letra com todas as letras dos meus amigos e conhecidos... Nada pude descobrir. 

      Entretanto, picava-me a curiosidade. Luzia-me um romance através daquele misterioso e anônimo bilhete. Tomei uma resolução definitiva. Ultimei uns negócios, dei de mão outros, e oito dias depois de receber o bilhete tinha à porta um cavalo e um camarada para seguir viagem. No momento em que me dispunha a sair, entrou-me em casa um sujeito desconhecido, e entregou-me um rolo de papel contendo uma avultada soma, importância aproximada das despesas e dos honorários. Recusei apesar das instâncias, montei a cavalo e parti.

      Só depois de ter feito algumas léguas é que me lembrei de que justamente na vila a que eu ia morava um amigo meu, antigo companheiro da academia. 

      Poucos dias depois apeava eu à porta do referido amigo. Depois de entregar o cavalo aos cuidados do camarada, entrei para abraçar o meu antigo companheiro de estudos, que me recebeu alvoroçado e admirado.

      − A que vens, meu amigo? A que vens? perguntava-me ele.

      − Vais sabê-lo. Creio que há um romance para deslindar. Há quinze dias recebi no meu escritório, na corte, um bilhete anônimo em que se me convidava com instância a vir a esta vila para tomar conta de uma defesa. Não pude conhecer a letra; era desigual e trêmula, como escrita por mão cansada...

      − Tens o bilhete contigo?

      − Tenho.

      Tirei do bolso o misterioso bilhete e entreguei-o aberto ao meu amigo. Ele, depois de lê-lo, disse:

      − É a letra de Pai de todos.

      − Quem é Pai de todos?

      − É um fazendeiro destas paragens, o velho Pio. O povo dá-lhe o nome de Pai de todos, porque o velho Pio o é na verdade.

      − Bem dizia eu que há romance no fundo!... Que faz esse velho para que lhe deem semelhante título?

      − Pouca coisa. Pio é, por assim dizer, a justiça e a caridade fundidas em uma só pessoa. Só as grandes causas vão ter às autoridades judiciárias, policiais ou municipais; mas tudo o que não sai de certa ordem é decidido na fazenda de Pio, cuja sentença todos acatam e cumprem. Seja ela contra Pedro ou contra Paulo, Paulo e Pedro submetem-se, como se fora uma decisão divina. Quando dois contendores saem da fazenda de Pio, saem amigos. É caso de consciência aderir ao julgamento de Pai de todos.

      O meu amigo continuou a desfiar as virtudes do fazendeiro. Meu espírito apreendia-se cada vez mais de que eu ia entrar em um romance. Finalmente o meu amigo dispunha-se a contar-me a história do crime em cujo conhecimento devia eu entrar daí a poucas horas. Detive-o.

      − Não, disse-lhe, deixa-me saber de tudo por boca do próprio réu. Depois compararei com o que me contarás.

      − É melhor. Julião é inocente...

(Adaptado de: ASSIS, Machado de. Obra Completa, v. II. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994)

Em “Nada pude descobrir. Entretanto, picava-me a curiosidade.” (4° /5° parágrafos), o termo sublinhado pode ser substituído, sem prejuízo para o sentido do texto, por:

  • A

    Na verdade

  • B

    Não obstante

  • C

    Por conseguinte

  • D

    Além disso

  • E

    Em razão disso

95014Questão 10|Português|superior

Atenção: Para responder à questão, leia o trecho inicial do conto “Virginius: narrativa de um advogado”, de Machado de Assis. 

      Não me correu tranquilo o S. João de 185...

      Duas semanas antes do dia em que a Igreja celebra o evangelista, recebi pelo correio o seguinte bilhete, sem assinatura e de letra desconhecida:

      “O Dr. *** é convidado a ir à vila de... tomar conta de um processo. O objeto é digno do talento e das habilitações do advogado. Despesas e honorários ser-lhe-ão satisfeitos antecipadamente, mal puser pé no estribo. O réu está na cadeia da mesma vila e chama-se Julião. Note que o Dr. é convidado a ir defender o réu.”

      Li e reli este bilhete; voltei-o em todos os sentidos; comparei a letra com todas as letras dos meus amigos e conhecidos... Nada pude descobrir. 

      Entretanto, picava-me a curiosidade. Luzia-me um romance através daquele misterioso e anônimo bilhete. Tomei uma resolução definitiva. Ultimei uns negócios, dei de mão outros, e oito dias depois de receber o bilhete tinha à porta um cavalo e um camarada para seguir viagem. No momento em que me dispunha a sair, entrou-me em casa um sujeito desconhecido, e entregou-me um rolo de papel contendo uma avultada soma, importância aproximada das despesas e dos honorários. Recusei apesar das instâncias, montei a cavalo e parti.

      Só depois de ter feito algumas léguas é que me lembrei de que justamente na vila a que eu ia morava um amigo meu, antigo companheiro da academia. 

      Poucos dias depois apeava eu à porta do referido amigo. Depois de entregar o cavalo aos cuidados do camarada, entrei para abraçar o meu antigo companheiro de estudos, que me recebeu alvoroçado e admirado.

      − A que vens, meu amigo? A que vens? perguntava-me ele.

      − Vais sabê-lo. Creio que há um romance para deslindar. Há quinze dias recebi no meu escritório, na corte, um bilhete anônimo em que se me convidava com instância a vir a esta vila para tomar conta de uma defesa. Não pude conhecer a letra; era desigual e trêmula, como escrita por mão cansada...

      − Tens o bilhete contigo?

      − Tenho.

      Tirei do bolso o misterioso bilhete e entreguei-o aberto ao meu amigo. Ele, depois de lê-lo, disse:

      − É a letra de Pai de todos.

      − Quem é Pai de todos?

      − É um fazendeiro destas paragens, o velho Pio. O povo dá-lhe o nome de Pai de todos, porque o velho Pio o é na verdade.

      − Bem dizia eu que há romance no fundo!... Que faz esse velho para que lhe deem semelhante título?

      − Pouca coisa. Pio é, por assim dizer, a justiça e a caridade fundidas em uma só pessoa. Só as grandes causas vão ter às autoridades judiciárias, policiais ou municipais; mas tudo o que não sai de certa ordem é decidido na fazenda de Pio, cuja sentença todos acatam e cumprem. Seja ela contra Pedro ou contra Paulo, Paulo e Pedro submetem-se, como se fora uma decisão divina. Quando dois contendores saem da fazenda de Pio, saem amigos. É caso de consciência aderir ao julgamento de Pai de todos.

      O meu amigo continuou a desfiar as virtudes do fazendeiro. Meu espírito apreendia-se cada vez mais de que eu ia entrar em um romance. Finalmente o meu amigo dispunha-se a contar-me a história do crime em cujo conhecimento devia eu entrar daí a poucas horas. Detive-o.

      − Não, disse-lhe, deixa-me saber de tudo por boca do próprio réu. Depois compararei com o que me contarás.

      − É melhor. Julião é inocente...

(Adaptado de: ASSIS, Machado de. Obra Completa, v. II. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994)

Considere os seguintes trechos:

I. Depois de entregar o cavalo aos cuidados do camarada, entrei para abraçar o meu antigo companheiro de estudos. (7° parágrafo) II. – Tens o bilhete contigo? (10° parágrafo) III. O povo dá-lhe o nome de Pai de todos, porque o velho Pio o é na verdade. (15° parágrafo)

Retoma uma expressão mencionada anteriormente no texto o termo sublinhado APENAS em

  • A

    III.

  • B

    I.

  • C

    II.

  • D

    I e II.

  • E

    II e III.