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Técnico - Segurança Institucional - 2015


Página 1  •  Total 60 questões
130096Questão 1|Português|médio

O sino d e ouro

[...] − mas me contaram em Goiás, nessa povoação de poucas almas, as casas são pobres e os homens pobres, e muitos são parados e doentes e indolentes, e mesmo a igreja é pequena, me contaram que ali tem − coisa bela e espantosa − um grande sino de ouro.

Lembrança de antigo esplendor, gesto de gratidão, dádiva ao Senhor de um grã-senhor − nem Chartres, nem Colônia, nem S. Pedro ou Ruão, nenhuma catedral imensa com seus enormes carrilhões tem nada capaz de um som tão lindo e puro como esse sino de ouro, de ouro catado e fundido na própria terra goiana nos tempos de antigamente.

É apenas um sino, mas é de ouro. De tarde seu som vai voando em ondas mansas sobre as matas e os cerrados, e as veredas de buritis, e a melancolia do chapadão, e chega ao distante e deserto carrascal, e avança em ondas mansas sobre os campos imensos, o som do sino de ouro. E a cada um daqueles homens pobres ele dá cada dia sua ração de alegria. Eles sabem que de todos os ruídos e sons que fogem do mundo em procura de Deus − gemidos, gritos, blasfêmias, batuques, sinos, orações, e o murmúrio temeroso e agônico das grandes cidades que esperam a explosão atômica e no seu próprio ventre negro parecem conter o germe de todas as explosões − eles sabem que Deus, com especial delícia e alegria, ouve o som alegre do sino de ouro perdido no fundo do sertão. E então é como se cada homem, o mais pobre, o mais doente e humilde, o mais mesquinho e triste, tivesse dentro da alma um pequeno sino de ouro. [...]

Mas quem me contou foi um homem velho que esteve lá; contou dizendo: “eles têm um sino de ouro e acham que vivem disso, não se importam com mais nada, nem querem mais trabalhar; fazem apenas o essencial para comer e continuar a viver, pois acham maravilhoso ter um sino de ouro”.

O homem velho me contou isso com espanto e desprezo. Mas eu contei a uma criança e nos seus olhos se lia seu pensamento: que a coisa mais bonita do mundo deve ser ouvir um sino de ouro. Com certeza é esta mesma a opinião de Deus, pois ainda que Deus não exista ele só pode ter a mesma opinião de uma criança. Pois cada um de nós quando criança tem dentro da alma seu sino de ouro que depois, por nossa culpa e miséria e pecado e corrução*, vai virando ferro e chumbo, vai virando pedra e terra, e lama e podridão.

*corrução = corrupção (regionalismo)

(Adaptado de: BRAGA, Rubem. Os melhores contos de Rubem Braga. São Paulo: Global, 1999, 10 ed. p. 131-132)

O desenvolvimento do texto salienta, especialmente,

  • A

    a importância da preservação de um meio ambiente favorável à propagação do som oriundo das badaladas de um sino de ouro que, ecoando na natureza, traz alegria para aqueles que o estão ouvindo.

  • B

    a permanência de uma concepção materialista voltada para elementos terrenos de valor incontestável perante os homens, representado pelo sino de ouro que resgata as antigas riqueza e importância do lugar.

  • C

    o contraste entre antiga riqueza e atual pobreza, assim como entre a grandeza de catedrais famosas e a simplicidade do lugarejo em que a existência de um sino de ouro se mostra como algo extraordinário.

  • D

    o esforço de uma população que vive sem recursos em uma região distante e abandonada, no sentido de demonstrar sua fé através do som produzido por um objeto de grande valor, como o sino de ouro.

  • E

    o desencanto das pessoas mais velhas com a decadência do lugar onde vivem, de cuja grandiosidade restou apenas um sino de ouro que, ainda que pequeno, corrobora suas convicções religiosas.

130097Questão 2|Português|médio

O sino d e ouro

[...] − mas me contaram em Goiás, nessa povoação de poucas almas, as casas são pobres e os homens pobres, e muitos são parados e doentes e indolentes, e mesmo a igreja é pequena, me contaram que ali tem − coisa bela e espantosa − um grande sino de ouro.

Lembrança de antigo esplendor, gesto de gratidão, dádiva ao Senhor de um grã-senhor − nem Chartres, nem Colônia, nem S. Pedro ou Ruão, nenhuma catedral imensa com seus enormes carrilhões tem nada capaz de um som tão lindo e puro como esse sino de ouro, de ouro catado e fundido na própria terra goiana nos tempos de antigamente.

É apenas um sino, mas é de ouro. De tarde seu som vai voando em ondas mansas sobre as matas e os cerrados, e as veredas de buritis, e a melancolia do chapadão, e chega ao distante e deserto carrascal, e avança em ondas mansas sobre os campos imensos, o som do sino de ouro. E a cada um daqueles homens pobres ele dá cada dia sua ração de alegria. Eles sabem que de todos os ruídos e sons que fogem do mundo em procura de Deus − gemidos, gritos, blasfêmias, batuques, sinos, orações, e o murmúrio temeroso e agônico das grandes cidades que esperam a explosão atômica e no seu próprio ventre negro parecem conter o germe de todas as explosões − eles sabem que Deus, com especial delícia e alegria, ouve o som alegre do sino de ouro perdido no fundo do sertão. E então é como se cada homem, o mais pobre, o mais doente e humilde, o mais mesquinho e triste, tivesse dentro da alma um pequeno sino de ouro. [...]

Mas quem me contou foi um homem velho que esteve lá; contou dizendo: “eles têm um sino de ouro e acham que vivem disso, não se importam com mais nada, nem querem mais trabalhar; fazem apenas o essencial para comer e continuar a viver, pois acham maravilhoso ter um sino de ouro”.

O homem velho me contou isso com espanto e desprezo. Mas eu contei a uma criança e nos seus olhos se lia seu pensamento: que a coisa mais bonita do mundo deve ser ouvir um sino de ouro. Com certeza é esta mesma a opinião de Deus, pois ainda que Deus não exista ele só pode ter a mesma opinião de uma criança. Pois cada um de nós quando criança tem dentro da alma seu sino de ouro que depois, por nossa culpa e miséria e pecado e corrução*, vai virando ferro e chumbo, vai virando pedra e terra, e lama e podridão.

*corrução = corrupção (regionalismo)

(Adaptado de: BRAGA, Rubem. Os melhores contos de Rubem Braga. São Paulo: Global, 1999, 10 ed. p. 131-132)

No último parágrafo, identifica-se

  • A

    a conclusão pertinente de todo o desenvolvimento textual, com oposição entre a visão de espanto e desprezo de um homem velho e a ingenuidade e a simplicidade de uma criança, ainda não corrompida pelos desencantos da vida.

  • B

    a introdução de um novo argumento de sustentação da ideia central do texto, ou seja, a de que os seres humanos estarão sempre sujeitos à perda de valores morais e religiosos, principalmente se conseguem alcançar riquezas materiais.

  • C

    uma opinião emitida pelo próprio autor, em que expõe sua dúvida pessoal quanto à real importância atribuída a um objeto de alto valor, como um sino de ouro, desnecessário, entretanto, para uma população tão pobre e desamparada.

  • D

    uma censura ao emprego indevido de bens materiais, simbolizados na utilização do ouro extraído do próprio lugar, onde nada mais existe, a não ser indolência e miséria, para fundir um sino, cujo benefício está apenas na sonoridade, ainda que bela.

  • E

    o desprezo do autor diante da história que lhe foi contada, por considerar o contraste entre a pobreza das pessoas e a quantidade de ouro necessária para a fundição de um sino, sem valor imediato para melhorar as condições de vida na região.

130098Questão 3|Português|médio

O sino d e ouro

[...] − mas me contaram em Goiás, nessa povoação de poucas almas, as casas são pobres e os homens pobres, e muitos são parados e doentes e indolentes, e mesmo a igreja é pequena, me contaram que ali tem − coisa bela e espantosa − um grande sino de ouro.

Lembrança de antigo esplendor, gesto de gratidão, dádiva ao Senhor de um grã-senhor − nem Chartres, nem Colônia, nem S. Pedro ou Ruão, nenhuma catedral imensa com seus enormes carrilhões tem nada capaz de um som tão lindo e puro como esse sino de ouro, de ouro catado e fundido na própria terra goiana nos tempos de antigamente.

É apenas um sino, mas é de ouro. De tarde seu som vai voando em ondas mansas sobre as matas e os cerrados, e as veredas de buritis, e a melancolia do chapadão, e chega ao distante e deserto carrascal, e avança em ondas mansas sobre os campos imensos, o som do sino de ouro. E a cada um daqueles homens pobres ele dá cada dia sua ração de alegria. Eles sabem que de todos os ruídos e sons que fogem do mundo em procura de Deus − gemidos, gritos, blasfêmias, batuques, sinos, orações, e o murmúrio temeroso e agônico das grandes cidades que esperam a explosão atômica e no seu próprio ventre negro parecem conter o germe de todas as explosões − eles sabem que Deus, com especial delícia e alegria, ouve o som alegre do sino de ouro perdido no fundo do sertão. E então é como se cada homem, o mais pobre, o mais doente e humilde, o mais mesquinho e triste, tivesse dentro da alma um pequeno sino de ouro. [...]

Mas quem me contou foi um homem velho que esteve lá; contou dizendo: “eles têm um sino de ouro e acham que vivem disso, não se importam com mais nada, nem querem mais trabalhar; fazem apenas o essencial para comer e continuar a viver, pois acham maravilhoso ter um sino de ouro”.

O homem velho me contou isso com espanto e desprezo. Mas eu contei a uma criança e nos seus olhos se lia seu pensamento: que a coisa mais bonita do mundo deve ser ouvir um sino de ouro. Com certeza é esta mesma a opinião de Deus, pois ainda que Deus não exista ele só pode ter a mesma opinião de uma criança. Pois cada um de nós quando criança tem dentro da alma seu sino de ouro que depois, por nossa culpa e miséria e pecado e corrução*, vai virando ferro e chumbo, vai virando pedra e terra, e lama e podridão.

*corrução = corrupção (regionalismo)

(Adaptado de: BRAGA, Rubem. Os melhores contos de Rubem Braga. São Paulo: Global, 1999, 10 ed. p. 131-132)

... das grandes cidades que esperam a explosão atômica e no seu próprio ventre negro parecem conter o germe de todas as explosões... (3o parágrafo) Identifica-se, na afirmativa acima,

  • A

    constatação quanto ao fato de que a explosão demográfica que identifica as grandes cidades tende a inviabilizar a convivência pacífica entre os cidadãos.

  • B

    reconhecimento de perigos externos que venham a comprometer a necessária tranquilidade da vida nas grandes cidades.

  • C

    indicação da existência de uma estabilidade social trazida, incontestavelmente, por uma paz urbana garantida internamente.

  • D

    resignação frente aos problemas vividos por uma população heterogênea, como a que se encontra nos maiores aglomerados urbanos.

  • E

    alusão a uma violência imanente, que pode tornar-se fator de desestabilização da vida em sociedade, principalmente em grandes centros urbanos.

130099Questão 4|Português|médio

O sino d e ouro

[...] − mas me contaram em Goiás, nessa povoação de poucas almas, as casas são pobres e os homens pobres, e muitos são parados e doentes e indolentes, e mesmo a igreja é pequena, me contaram que ali tem − coisa bela e espantosa − um grande sino de ouro.

Lembrança de antigo esplendor, gesto de gratidão, dádiva ao Senhor de um grã-senhor − nem Chartres, nem Colônia, nem S. Pedro ou Ruão, nenhuma catedral imensa com seus enormes carrilhões tem nada capaz de um som tão lindo e puro como esse sino de ouro, de ouro catado e fundido na própria terra goiana nos tempos de antigamente.

É apenas um sino, mas é de ouro. De tarde seu som vai voando em ondas mansas sobre as matas e os cerrados, e as veredas de buritis, e a melancolia do chapadão, e chega ao distante e deserto carrascal, e avança em ondas mansas sobre os campos imensos, o som do sino de ouro. E a cada um daqueles homens pobres ele dá cada dia sua ração de alegria. Eles sabem que de todos os ruídos e sons que fogem do mundo em procura de Deus − gemidos, gritos, blasfêmias, batuques, sinos, orações, e o murmúrio temeroso e agônico das grandes cidades que esperam a explosão atômica e no seu próprio ventre negro parecem conter o germe de todas as explosões − eles sabem que Deus, com especial delícia e alegria, ouve o som alegre do sino de ouro perdido no fundo do sertão. E então é como se cada homem, o mais pobre, o mais doente e humilde, o mais mesquinho e triste, tivesse dentro da alma um pequeno sino de ouro. [...]

Mas quem me contou foi um homem velho que esteve lá; contou dizendo: “eles têm um sino de ouro e acham que vivem disso, não se importam com mais nada, nem querem mais trabalhar; fazem apenas o essencial para comer e continuar a viver, pois acham maravilhoso ter um sino de ouro”.

O homem velho me contou isso com espanto e desprezo. Mas eu contei a uma criança e nos seus olhos se lia seu pensamento: que a coisa mais bonita do mundo deve ser ouvir um sino de ouro. Com certeza é esta mesma a opinião de Deus, pois ainda que Deus não exista ele só pode ter a mesma opinião de uma criança. Pois cada um de nós quando criança tem dentro da alma seu sino de ouro que depois, por nossa culpa e miséria e pecado e corrução*, vai virando ferro e chumbo, vai virando pedra e terra, e lama e podridão.

*corrução = corrupção (regionalismo)

(Adaptado de: BRAGA, Rubem. Os melhores contos de Rubem Braga. São Paulo: Global, 1999, 10 ed. p. 131-132)

É apenas um sino, mas é de ouro. De tarde seu som vai voando em ondas mansas sobre as matas e os cerrados, e as veredas de buritis, e a melancolia do chapadão, e chega ao distante e deserto carrascal, e avança em ondas mansas sobre os campos imensos, o som do sino de ouro. E a cada um daqueles homens pobres ele dá cada dia sua ração de alegria. [...] E então é como se cada homem, o mais pobre, o mais doente e humilde, o mais mesquinho e triste, tivesse dentro da alma um pequeno sino de ouro. O trecho transcrito acima é exemplo de

  • A

    uso insistente de repetições que interrompem conscientemente o fluxo narrativo, resultando em ideias circulares e expressões já apresentadas anteriormente como, por exemplo,ondas mansas.

  • B

    emprego de recursos sintáticos que garantem o encadeamento das ideias, como a insistência no uso da conjunção e , que imprime, além do mais, ritmo melódico às frases.

  • C

    ressalva em relação a todo o teor do texto, ao pretender acentuar a importância de um sino de ouro, como atestado da antiga prosperidade do lugarejo, agora habitado somente por homens pobres.

  • D

    identificação dos sentimentos religiosos do autor, ao ouvir o som do sino de ouro , participando da alegria demonstrada pelos habitantes do lugar em possuir tão valioso instrumento sonoro.

  • E

    uso prolixo de alguns elementos da língua, pois, ao afirmar que se trata de apenas um sino , ou de um pequeno sino de ouro, o autor diminui a importância desse objeto naquele lugar humilde.

130100Questão 5|Português|médio

O sino d e ouro

[...] − mas me contaram em Goiás, nessa povoação de poucas almas, as casas são pobres e os homens pobres, e muitos são parados e doentes e indolentes, e mesmo a igreja é pequena, me contaram que ali tem − coisa bela e espantosa − um grande sino de ouro.

Lembrança de antigo esplendor, gesto de gratidão, dádiva ao Senhor de um grã-senhor − nem Chartres, nem Colônia, nem S. Pedro ou Ruão, nenhuma catedral imensa com seus enormes carrilhões tem nada capaz de um som tão lindo e puro como esse sino de ouro, de ouro catado e fundido na própria terra goiana nos tempos de antigamente.

É apenas um sino, mas é de ouro. De tarde seu som vai voando em ondas mansas sobre as matas e os cerrados, e as veredas de buritis, e a melancolia do chapadão, e chega ao distante e deserto carrascal, e avança em ondas mansas sobre os campos imensos, o som do sino de ouro. E a cada um daqueles homens pobres ele dá cada dia sua ração de alegria. Eles sabem que de todos os ruídos e sons que fogem do mundo em procura de Deus − gemidos, gritos, blasfêmias, batuques, sinos, orações, e o murmúrio temeroso e agônico das grandes cidades que esperam a explosão atômica e no seu próprio ventre negro parecem conter o germe de todas as explosões − eles sabem que Deus, com especial delícia e alegria, ouve o som alegre do sino de ouro perdido no fundo do sertão. E então é como se cada homem, o mais pobre, o mais doente e humilde, o mais mesquinho e triste, tivesse dentro da alma um pequeno sino de ouro. [...]

Mas quem me contou foi um homem velho que esteve lá; contou dizendo: “eles têm um sino de ouro e acham que vivem disso, não se importam com mais nada, nem querem mais trabalhar; fazem apenas o essencial para comer e continuar a viver, pois acham maravilhoso ter um sino de ouro”.

O homem velho me contou isso com espanto e desprezo. Mas eu contei a uma criança e nos seus olhos se lia seu pensamento: que a coisa mais bonita do mundo deve ser ouvir um sino de ouro. Com certeza é esta mesma a opinião de Deus, pois ainda que Deus não exista ele só pode ter a mesma opinião de uma criança. Pois cada um de nós quando criança tem dentro da alma seu sino de ouro que depois, por nossa culpa e miséria e pecado e corrução*, vai virando ferro e chumbo, vai virando pedra e terra, e lama e podridão.

*corrução = corrupção (regionalismo)

(Adaptado de: BRAGA, Rubem. Os melhores contos de Rubem Braga. São Paulo: Global, 1999, 10 ed. p. 131-132)

Considere as afirmativas abaixo a respeito do emprego de sinais de pontuação no texto: I. O longo segmento isolado por travessões no 3o parágrafo constitui uma enumeração de sentido explicativo em relação à afirmativa que o antecede. II. Os dois-pontos que aparecem no 4o parágrafo introduzem uma citação, devidamente assinalada pelas aspas que aparecem no seu início e no fim. III. ... que a coisa mais bonita do mundo deve ser ouvir um sino de ouro. Estaria inteiramente correta, sem alteração do sentido da afirmativa, a colocação de uma vírgula entre o verbo ser e o verbo ouvir. IV. Pois cada um de nós quando criança tem dentro da alma seu sino de ouro... O segmento quando criança pode ser isolado por vírgulas, sem prejuízo para a correção da frase. Está correto o que se afirma APENAS em

  • A

    I, II e IV.

  • B

    I, II e III.

  • C

    II, III e IV.

  • D

    II e III.

  • E

    I e IV.

130101Questão 6|Português|médio

O sino d e ouro

[...] − mas me contaram em Goiás, nessa povoação de poucas almas, as casas são pobres e os homens pobres, e muitos são parados e doentes e indolentes, e mesmo a igreja é pequena, me contaram que ali tem − coisa bela e espantosa − um grande sino de ouro.

Lembrança de antigo esplendor, gesto de gratidão, dádiva ao Senhor de um grã-senhor − nem Chartres, nem Colônia, nem S. Pedro ou Ruão, nenhuma catedral imensa com seus enormes carrilhões tem nada capaz de um som tão lindo e puro como esse sino de ouro, de ouro catado e fundido na própria terra goiana nos tempos de antigamente.

É apenas um sino, mas é de ouro. De tarde seu som vai voando em ondas mansas sobre as matas e os cerrados, e as veredas de buritis, e a melancolia do chapadão, e chega ao distante e deserto carrascal, e avança em ondas mansas sobre os campos imensos, o som do sino de ouro. E a cada um daqueles homens pobres ele dá cada dia sua ração de alegria. Eles sabem que de todos os ruídos e sons que fogem do mundo em procura de Deus − gemidos, gritos, blasfêmias, batuques, sinos, orações, e o murmúrio temeroso e agônico das grandes cidades que esperam a explosão atômica e no seu próprio ventre negro parecem conter o germe de todas as explosões − eles sabem que Deus, com especial delícia e alegria, ouve o som alegre do sino de ouro perdido no fundo do sertão. E então é como se cada homem, o mais pobre, o mais doente e humilde, o mais mesquinho e triste, tivesse dentro da alma um pequeno sino de ouro. [...]

Mas quem me contou foi um homem velho que esteve lá; contou dizendo: “eles têm um sino de ouro e acham que vivem disso, não se importam com mais nada, nem querem mais trabalhar; fazem apenas o essencial para comer e continuar a viver, pois acham maravilhoso ter um sino de ouro”.

O homem velho me contou isso com espanto e desprezo. Mas eu contei a uma criança e nos seus olhos se lia seu pensamento: que a coisa mais bonita do mundo deve ser ouvir um sino de ouro. Com certeza é esta mesma a opinião de Deus, pois ainda que Deus não exista ele só pode ter a mesma opinião de uma criança. Pois cada um de nós quando criança tem dentro da alma seu sino de ouro que depois, por nossa culpa e miséria e pecado e corrução*, vai virando ferro e chumbo, vai virando pedra e terra, e lama e podridão.

*corrução = corrupção (regionalismo)

(Adaptado de: BRAGA, Rubem. Os melhores contos de Rubem Braga. São Paulo: Global, 1999, 10 ed. p. 131-132)

... que ali tem um grande sino de ouro ... eles têm um sino de ouro O par que se caracteriza pelos mesmos tempo, modo e pessoas em que se encontram os verbos sublinhados acima é:

  • A

    se lia seu pensamento se liam suas ideias

  • B

    cada um deles fez apenas o essencial fazem apenas o essencial

  • C

    eles sabem que Deus ... se eles soubessem que Deus ...

  • D

    o lugarejo é pobre as casas são pobres

  • E

    O homem velho me contou isso Os habitantes me contaram isso

130102Questão 7|Português|médio

O sino d e ouro

[...] − mas me contaram em Goiás, nessa povoação de poucas almas, as casas são pobres e os homens pobres, e muitos são parados e doentes e indolentes, e mesmo a igreja é pequena, me contaram que ali tem − coisa bela e espantosa − um grande sino de ouro.

Lembrança de antigo esplendor, gesto de gratidão, dádiva ao Senhor de um grã-senhor − nem Chartres, nem Colônia, nem S. Pedro ou Ruão, nenhuma catedral imensa com seus enormes carrilhões tem nada capaz de um som tão lindo e puro como esse sino de ouro, de ouro catado e fundido na própria terra goiana nos tempos de antigamente.

É apenas um sino, mas é de ouro. De tarde seu som vai voando em ondas mansas sobre as matas e os cerrados, e as veredas de buritis, e a melancolia do chapadão, e chega ao distante e deserto carrascal, e avança em ondas mansas sobre os campos imensos, o som do sino de ouro. E a cada um daqueles homens pobres ele dá cada dia sua ração de alegria. Eles sabem que de todos os ruídos e sons que fogem do mundo em procura de Deus − gemidos, gritos, blasfêmias, batuques, sinos, orações, e o murmúrio temeroso e agônico das grandes cidades que esperam a explosão atômica e no seu próprio ventre negro parecem conter o germe de todas as explosões − eles sabem que Deus, com especial delícia e alegria, ouve o som alegre do sino de ouro perdido no fundo do sertão. E então é como se cada homem, o mais pobre, o mais doente e humilde, o mais mesquinho e triste, tivesse dentro da alma um pequeno sino de ouro. [...]

Mas quem me contou foi um homem velho que esteve lá; contou dizendo: “eles têm um sino de ouro e acham que vivem disso, não se importam com mais nada, nem querem mais trabalhar; fazem apenas o essencial para comer e continuar a viver, pois acham maravilhoso ter um sino de ouro”.

O homem velho me contou isso com espanto e desprezo. Mas eu contei a uma criança e nos seus olhos se lia seu pensamento: que a coisa mais bonita do mundo deve ser ouvir um sino de ouro. Com certeza é esta mesma a opinião de Deus, pois ainda que Deus não exista ele só pode ter a mesma opinião de uma criança. Pois cada um de nós quando criança tem dentro da alma seu sino de ouro que depois, por nossa culpa e miséria e pecado e corrução*, vai virando ferro e chumbo, vai virando pedra e terra, e lama e podridão.

*corrução = corrupção (regionalismo)

(Adaptado de: BRAGA, Rubem. Os melhores contos de Rubem Braga. São Paulo: Global, 1999, 10 ed. p. 131-132)

E a cada um daqueles homens pobres ele dá cada dia sua ração de alegria. A função sintática do termo sublinhado acima é a mesma do que se encontra, também sublinhado, em:

  • A

    ... nenhuma catedral imensa [...] tem nada capazde um som tão lindo e puro...

  • B

    Poiscada um de nósquando criança tem dentro da alma seu sino de ouro ...

  • C

    Eles sabem que de todos os ruídos e sons que fogemdo mundoem procura de Deus ...

  • D

    ... que Deus [...] ouve o som alegredo sino de ouroperdido no fundo do sertão.

  • E

    De tarde seu som vai voando em ondas mansassobre as matas e os cerrados...

130103Questão 8|Português|médio

As normas de concordância verbal e nominal estão inteiramente respeitadas em:

  • A

    É aceito por todos os habitantes a existência de um sino de ouro, apesar da pobreza geral, porque a beleza dos sons por ele emitido não se comparam a nada.

  • B

    Um viajante que chega ao lugarejo deve achar incompatível as condições miseráveis de vida da população e o alto valor de um sino de ouro ali existente.

  • C

    Somente os sons de um sino de ouro poderia tornar-se a maneira mais apropriada, para aqueles pobres homens, de cultivarem e transmitirem seu sentimento religioso.

  • D

    Todos os dias, o som do sino de ouro que se espalha pelos ares enche de alegria o coração dos habitantes e lhes traz uma doce sensação de paz e harmonia.

  • E

    Naquele lugar pequeno e pobre, os sons de um sino de ouro se transforma no maior presente que os moradores é capaz de oferecer aos viajantes que casualmente passam por ali.

130104Questão 9|Português|médio

Algum forasteiro chega por acaso ao pequeno lugar. O forasteiro propõe negócios. Propõe estradas. Propõe progresso. Os habitantes olham o forasteiro em silêncio. Os habitantes permanecem quietos. Eles ouvem dentro de si seu particular sino de ouro. As frases acima compõem um parágrafo corretamente pontuado, com lógica, clareza e coesão, em:

  • A

    Ainda que algum forasteiro possa chegar ao pequeno lugar por acaso, que propõe negócios, propõe estradas e propõe progresso. Os habitantes olham o forasteiro em silêncio, permanecem quietos, ouvem dentro de si seu particular sino de ouro.

  • B

    Enquanto algum forasteiro chega por acaso ao pequeno lugar e propõe negócios e mais estradas, com progresso. Os habitantes olham o forasteiro em silêncio, permanecendo quietos e ouvem dentro de si seu particular sino de ouro.

  • C

    Os habitantes do pequeno lugar olham o forasteiro que chega por acaso em silêncio. Eles permanecem quietos, com seu particular sino de ouro que ouvem dentro de si, mesmo com o forasteiro propondo negócios, estradas e progresso.

  • D

    Os habitantes que olham o forasteiro em silêncio e eles permanecem quietos. Eles ouvem dentro de si seu particular sino de ouro, quando ele chega por acaso ao pequeno lugar. Por isso mesmo, o forasteiro propõe negócios, propõe estradas, propõe progresso.

  • E

    Se algum forasteiro, por acaso, chega ao pequeno lugar, propondo negócios, estradas e progresso, os habitantes o olham em silêncio. Permanecendo quietos, ouvem dentro de si seu particular sino de ouro.

130105Questão 10|Redação Oficial|médio

O segmento inteiramente correto, com linguagem adequada e respeito às normas que regem a redação de documentos oficiais, é:

  • A

    Os congressistas acabam de aprovar a emenda apresentada na semana passada, para votação, por que consideraram que a mesma vem de encontro aos interesses dos contribuintes, por isso votaram unânimes nela, aprovando-a.

  • B

    Os contratos ora vigentes privilegiam a boa governança empresarial, no sentido de se estabelecerem normas fundamentais para acordos entre partes interessadas, compra e venda de materiais, fornecimento de componentes necessários e cumprimento dos prazos estabelecidos.

  • C

    Conquanto é necessário o comparecimento de todos para o quorum permitindo a votação dos projetos enviados, parece que não será isso possível, já que os participantes da comissão estão envolvidos com outros compromissos, também inadiáveis.

  • D

    As partes interessadas decidiram que os bens que cada parte adquirir, a qualquer título, durante a vigência do contrato, será propriedade comum às partes, e a divisão será de acordo com o que cada uma dessas partes adquirir, quando o contrato for rompido.

  • E

    Como se tratam de documentos de cessão de bens, onde esses bens se encontram relacionados, é importante estabelecer a origem de cada um deles e de seu proprietário, com o propósito de se evitar futuras demandas e acúmulo de processos judiciais.

Técnico - Segurança Institucional - 2015 | Prova