Oficial Bombeiro Militar - 2023
A respeito de O livro das semelhanças , de Ana Martins Marques, considere as seguintes afirmativas: 1. A obra possui caráter explicitamente confessional, o que se materializa na forma dos poemas, que simulam registros de um diário pessoal. 2. O livro está dividido em quatro partes, “Livro”, “Cartografias”, “Visitas ao lugar-comum” e “O livro das semelhanças”, sendo a última a mais longa delas. 3. A seção intitulada “Livro” possui um aspecto metaliterário, organizando-se conforme a estrutura de um livro de poemas. 4. Os poemas desta obra se caracterizam pelo emprego de métrica e de esquemas de rimas regulares. Assinale a alternativa correta.
Leia o seguinte trecho, do romance de Bernardo Carvalho: Leusipo perguntou o que eu tinha ido fazer na aldeia. Preferi achar que o tom era amistoso e, no meu paternalismo ingênuo, comecei a lhe explicar o que era um romance. Ele não estava interessado. Queria saber o que eu tinha ido fazer na aldeia. Os velhos estavam preocupados, queriam saber por que eu vinha remexer no passado, e ele não gostava quando os velhos ficavam preocupados. Eu tentava convencê-lo de que não havia motivo para preocupação. Tudo o que eu queria saber já era conhecido. E ele me perguntava: “Então, por que você quer saber, se já sabe?”. Tentei lhe explicar que pretendia escrever um livro e mais uma vez o que era um romance, o que era um livro de ficção (e mostrava o que tinha nas mãos), que seria tudo historinha, sem nenhuma consequência na realidade. Ele seguia incrédulo. Fazia-se desentendido, mas na verdade só queria me intimidar. Eu estava entre irritado e amedrontado. Tinha vontade de mandar o índio à puta que o pariu, mas não podia me indispor com a aldeia. Se é que havia alguma coisa a descobrir (e Leusipo a me intimidar punha ainda mais lenha nessa minha fantasia), era preciso ser diplomático. CARVALHO, Bernardo. Nove noites. São Paulo: Companhia das Letras, 2006. p. 85. Com base no fragmento acima transcrito e na leitura integral de Nove noites, assinale a alternativa correta.
“Max Weber (1864-1920) endossa o ponto de vista segundo o qual as ciências sociais visam a compreensão de eventos culturais enquanto singularidades. O alvo é, portanto, captar a especificidade dos fenômenos estudados e seus significados. Mas sendo a realidade cultural infinita, uma investigação exaustiva, que considerasse todas as circunstâncias ou variáveis envolvidas num determinado acontecimento, torna-se uma pretensão inatingível. Por isso, o cientista social precisa isolar, da ‘imensidade absoluta, um fragmento ínfimo’ que considera relevante. [...] Pode-se dizer, então, que o particular ou o específico não é aquilo que vem dado pela experiência, nem muito menos o ponto de partida do conhecimento, mas o resultado de um esforço cognitivo que discrimina, organiza e, enfim, abstrai certos aspectos da realidade na tentativa de explicar as causas associadas à produção de determinados fenômenos”. QUINTANEIRO, Tania; BARBOSA, Maria Ligia de Oliveira; OLIVEIRA, Marcia Gardênia Monteiro de. Um toque de clássicos: Marx, Durkheim e Weber. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2003. p. 100. Considerando o trecho acima, assinale a alternativa que apresenta corretamente a definição de objetividade da pesquisa científica, segundo Weber.
“Desenvolver uma reflexão sociológica sobre a participação de mulheres no desenvolvimento da Sociologia implica incluir, tanto as ideias daquelas que produziram em ambientes legitimados, quanto daquelas que atuaram nas margens e que, por circunstância de classe, raça ou nacionalidade foram relegadas ao esquecimento [...]. Ao frisarmos a importância de lermos e estudarmos suas obras, não o fazemos simplesmente com base no argumento de que é preciso incluir mulheres no cânone, mas pela constatação que por meio de suas obras podemos trazer para a órbita da Sociologia clássica uma série de temas e perspectivas que não estão contempladas atualmente: vida privada, cotidiano, intimidade, família, casamento, sexualidade e divisão sexual do trabalho são alguns dos temas mais evidentes nas suas obras”. DAFLON, Veronica Toste; CAMPOS, Luna Ribeiro [org.]. Pioneiras da sociologia: mulheres intelectuais nos séculos XVIII e XIX. Niterói: EdUFF, 2022. p. 18-19. Considerando a reflexão apresentada pelas autoras sobre mulheres sociólogas, é correto afirmar que:
“O racismo avoluma e desfigura o rosto da cultura que o pratica. A literatura, as artes plásticas, as canções para costureirinhas, os provérbios, os hábitos, os patterns , quer se proponham a fazer-lhe o processo ou banalizá-lo, restituem o racismo. O mesmo é dizer que um grupo social, um país, uma civilização, não podem ser racistas inconscientemente. [...] O racismo não é uma descoberta acidental. Não é um elemento oculto. Não se exigem esforços sobre-humanos para o pôr em evidência. O racismo entra pelos olhos adentro precisamente porque se insere num conjunto caracterizado: o da exploração desavergonhada de um grupo de homens sobre outro que chegou a um estágio de desenvolvimento técnico superior. É por isso que, na maioria das vezes, a opressão militar e econômica precede, possibilita e legitima o racismo”. FANON, Frantz. Racismo e cultura. Brasil: Terra sem Amos, 2022. p. 18-19. Considerando a descrição apresentada pelo autor sobre a relação entre cultura e racismo, é correto afirmar:
“Nós surgimos, efetivamente, do cruzamento de uns poucos brancos com multidões de mulheres índias e negras. Essa situação não chega a configurar uma democracia racial, como quis Gilberto Freyre e muita gente mais, tamanha é a carga de opressão, preconceito e discriminação antinegro que ela encerra. Não o é também, obviamente, porque a própria expectativa de que o negro desapareça pela mestiçagem é um racismo. [...] O aspecto mais perverso do racismo assimilacionista é que ele dá de si uma imagem de maior sociabilidade, quando de fato, desarma o negro para lutar contra a pobreza que lhe é imposta, e dissimula as condições de terrível violência a que é submetido. [...] Tudo isso demonstra, claramente, que a democracia racial é possível, mas só é praticável conjuntamente com a democracia social. Ou bem há democracia para todos, ou não há democracia para ninguém”. RIBEIRO, Darcy. O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. São Paulo: Cia das Letras, 1995. p. 225-227. No que concerne ao tema da democracia racial expressa no fragmento acima, é correto afirmar:
“Na passagem do idealismo para o materialismo dialético, Ludwig Feuerbach (1804-1872), hegeliano de esquerda, foi uma figura-chave. Feuerbach sustentava que a alienação fundamental tem suas raízes no fenômeno religioso, que cinde a natureza humana, fazendo com que os homens se submetam a forças divinas, as quais, embora criadas por eles próprios, são percebidas como autônomas e superiores. O mundo religioso é concebido por Feuerbach como uma projeção fantástica da mente humana, por isso mesmo alienada. A supressão desse mundo, por meio da crítica religiosa, faria desaparecer a própria alienação, promovendo a liberdade de consciência. Embora inicialmente seduzidos pelas teses de Feuerbach, logo Karl Marx (1818-1883) e Friedrich Engels (1820-1895) rebateram-nas vigorosamente por considerarem tal crítica religiosa uma simples ‘luta contra frases’. É nesse ponto que a teoria marxista articula a dialética e o materialismo sob uma perspectiva histórica, negando, assim, tanto o idealismo hegeliano quanto o materialismo dos neo-hegelianos”. QUINTANEIRO, Tania; BARBOSA, Maria Ligia de Oliveira; OLIVEIRA, Marcia Gardênia Monteiro de. Um toque de clássicos : Marx, Durkheim e Weber. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2003. p. 27-28. Considerando o trecho acima sobre a relação de Karl Marx e Friedrich Engels com a obra de Ludwig Feuerbach, é correto afirmar:
“O bom senso é a coisa do mundo melhor partilhada [...]. [...] Não é suficiente ter o espírito bom, o principal é aplicá-lo bem”. DESCARTES, René. Discurso do método . Tradução: Bento Prado Jr. Coleção Os Pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1983. p. 37. Considerando a importância do método para a filosofia de Descartes, assinale a alternativa que contém um dos preceitos para bem direcionar-se o espírito e, assim, adquirir-se conhecimentos.
No artigo Da redistribuição ao reconhecimento? Dilemas da justiça numa era pós-socialista , Nancy Fraser trata do dilema entre duas demandas de justiça, típicas de nossa era: demandas por redistribuição e demandas por reconhecimento. De acordo com a autora, esse dilema reside no fato de que:
No Tratado da Tolerância , Voltaire argumenta que a condenação de Jean Calas à morte, em 9 de março de 1762, foi um erro judiciário fomentado pela intolerância. Levando em consideração essa obra, assinale a alternativa que corresponde à posição de Voltaire diante desse acontecimento.