Agente de Polícia Federal - 2021
Texto 2A1-I
Tinha de deixar aquela casa. Não sentia saudades. Erauma casa escura, com um cheiro doce e enjoado que nuncapassou. Não tinha vista a não ser a da janela que dava para oedifício ao lado. E só via as cozinhas. Quando anoitecia, todaaquela vizinhança começava, ao mesmo tempo, a fazer bife, e oar ficava cheirando a cebola e alho. Ia-se embora, com alegriaaté, porque o outro apartamento tinha uma janela de onde erapossível ver o mar, não todo, mas um pedacinho que, lá um dia,talvez lhe mostrasse um navio passando. Claro, arejado.
Mas era preciso levar suas poucas coisas. Uma calça, duascamisas, um rádio de cabeceira, talcos, dentifrícios, uma lavanda,quatro ou cinco toalhas. Cabia tudo em uma mala só. Mas tinha agaveta. Tinha de desocupar aquela gaveta. Cinco ou seis cartasguardadas ali.
Resolveu ler, a começar pela primeira, pondo-as emordem pelas datas. Ela dizia tanto “te amo, te amo”... e contavaque andara chorando na rua, que o fora esperar na estação, que aparenta já andava desconfiada de sua tristeza. No fundo de umenvelope, o raminho de cabelo. Havia escurecido com o tempo,mas era um pedacinho de sua beleza e, de qualquer forma, umpouco de presença a querer bem.
Antônio Maria. Com vocês, Antônio Maria. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1994, p. 83-84 (com adaptações).
Com referência às ideias e aos aspectos linguísticos do texto 2A1-I, julgue o item a seguir.
Infere-se do texto que a personagem, ao longo de toda a narrativa, está sendo tomada por um tipo de nostalgia que não está relacionada ao espaço físico, mas, sim, a uma saudade de um estado — o da primeira paixão.
Texto 2A1-I
Tinha de deixar aquela casa. Não sentia saudades. Erauma casa escura, com um cheiro doce e enjoado que nuncapassou. Não tinha vista a não ser a da janela que dava para oedifício ao lado. E só via as cozinhas. Quando anoitecia, todaaquela vizinhança começava, ao mesmo tempo, a fazer bife, e oar ficava cheirando a cebola e alho. Ia-se embora, com alegriaaté, porque o outro apartamento tinha uma janela de onde erapossível ver o mar, não todo, mas um pedacinho que, lá um dia,talvez lhe mostrasse um navio passando. Claro, arejado.
Mas era preciso levar suas poucas coisas. Uma calça, duascamisas, um rádio de cabeceira, talcos, dentifrícios, uma lavanda,quatro ou cinco toalhas. Cabia tudo em uma mala só. Mas tinha agaveta. Tinha de desocupar aquela gaveta. Cinco ou seis cartasguardadas ali.
Resolveu ler, a começar pela primeira, pondo-as emordem pelas datas. Ela dizia tanto “te amo, te amo”... e contavaque andara chorando na rua, que o fora esperar na estação, que aparenta já andava desconfiada de sua tristeza. No fundo de umenvelope, o raminho de cabelo. Havia escurecido com o tempo,mas era um pedacinho de sua beleza e, de qualquer forma, umpouco de presença a querer bem.
Antônio Maria. Com vocês, Antônio Maria. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1994, p. 83-84 (com adaptações).
Com referência às ideias e aos aspectos linguísticos do texto 2A1-I, julgue o item a seguir.
O vocábulo “até” (sétimo período do primeiro parágrafo), empregado no sentido de inclusive, poderia ser deslocado para o início do trecho “com alegria até”.
Texto 2A1-I
Tinha de deixar aquela casa. Não sentia saudades. Erauma casa escura, com um cheiro doce e enjoado que nuncapassou. Não tinha vista a não ser a da janela que dava para oedifício ao lado. E só via as cozinhas. Quando anoitecia, todaaquela vizinhança começava, ao mesmo tempo, a fazer bife, e oar ficava cheirando a cebola e alho. Ia-se embora, com alegriaaté, porque o outro apartamento tinha uma janela de onde erapossível ver o mar, não todo, mas um pedacinho que, lá um dia,talvez lhe mostrasse um navio passando. Claro, arejado.
Mas era preciso levar suas poucas coisas. Uma calça, duascamisas, um rádio de cabeceira, talcos, dentifrícios, uma lavanda,quatro ou cinco toalhas. Cabia tudo em uma mala só. Mas tinha agaveta. Tinha de desocupar aquela gaveta. Cinco ou seis cartasguardadas ali.
Resolveu ler, a começar pela primeira, pondo-as emordem pelas datas. Ela dizia tanto “te amo, te amo”... e contavaque andara chorando na rua, que o fora esperar na estação, que aparenta já andava desconfiada de sua tristeza. No fundo de umenvelope, o raminho de cabelo. Havia escurecido com o tempo,mas era um pedacinho de sua beleza e, de qualquer forma, umpouco de presença a querer bem.
Antônio Maria. Com vocês, Antônio Maria. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1994, p. 83-84 (com adaptações).
Com referência às ideias e aos aspectos linguísticos do texto 2A1-I, julgue o item a seguir.
O termo “ali” (quinto período do segundo parágrafo) refere-se a “aquela casa” (primeiro período do texto).
Texto 2A1-I
Tinha de deixar aquela casa. Não sentia saudades. Erauma casa escura, com um cheiro doce e enjoado que nuncapassou. Não tinha vista a não ser a da janela que dava para oedifício ao lado. E só via as cozinhas. Quando anoitecia, todaaquela vizinhança começava, ao mesmo tempo, a fazer bife, e oar ficava cheirando a cebola e alho. Ia-se embora, com alegriaaté, porque o outro apartamento tinha uma janela de onde erapossível ver o mar, não todo, mas um pedacinho que, lá um dia,talvez lhe mostrasse um navio passando. Claro, arejado.
Mas era preciso levar suas poucas coisas. Uma calça, duascamisas, um rádio de cabeceira, talcos, dentifrícios, uma lavanda,quatro ou cinco toalhas. Cabia tudo em uma mala só. Mas tinha agaveta. Tinha de desocupar aquela gaveta. Cinco ou seis cartasguardadas ali.
Resolveu ler, a começar pela primeira, pondo-as emordem pelas datas. Ela dizia tanto “te amo, te amo”... e contavaque andara chorando na rua, que o fora esperar na estação, que aparenta já andava desconfiada de sua tristeza. No fundo de umenvelope, o raminho de cabelo. Havia escurecido com o tempo,mas era um pedacinho de sua beleza e, de qualquer forma, umpouco de presença a querer bem.
Antônio Maria. Com vocês, Antônio Maria. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1994, p. 83-84 (com adaptações).
Com referência às ideias e aos aspectos linguísticos do texto 2A1-I, julgue o item a seguir.
Os vocábulos “Claro” e “arejado” (ao final do primeiro parágrafo) fazem referência a “navio”, vocábulo que os antecede no período anterior.
Texto 2A1-I
Tinha de deixar aquela casa. Não sentia saudades. Erauma casa escura, com um cheiro doce e enjoado que nuncapassou. Não tinha vista a não ser a da janela que dava para oedifício ao lado. E só via as cozinhas. Quando anoitecia, todaaquela vizinhança começava, ao mesmo tempo, a fazer bife, e oar ficava cheirando a cebola e alho. Ia-se embora, com alegriaaté, porque o outro apartamento tinha uma janela de onde erapossível ver o mar, não todo, mas um pedacinho que, lá um dia,talvez lhe mostrasse um navio passando. Claro, arejado.
Mas era preciso levar suas poucas coisas. Uma calça, duascamisas, um rádio de cabeceira, talcos, dentifrícios, uma lavanda,quatro ou cinco toalhas. Cabia tudo em uma mala só. Mas tinha agaveta. Tinha de desocupar aquela gaveta. Cinco ou seis cartasguardadas ali.
Resolveu ler, a começar pela primeira, pondo-as emordem pelas datas. Ela dizia tanto “te amo, te amo”... e contavaque andara chorando na rua, que o fora esperar na estação, que aparenta já andava desconfiada de sua tristeza. No fundo de umenvelope, o raminho de cabelo. Havia escurecido com o tempo,mas era um pedacinho de sua beleza e, de qualquer forma, umpouco de presença a querer bem.
Antônio Maria. Com vocês, Antônio Maria. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1994, p. 83-84 (com adaptações).
Com referência às ideias e aos aspectos linguísticos do texto 2A1-I, julgue o item a seguir.
Sem prejuízo para o sentido original do texto, o período “Quando anoitecia, toda aquela vizinhança começava, ao mesmo tempo, a fazer bife, e o ar ficava cheirando a cebola e alho” poderia ser reescrito da seguinte maneira: Ao anoitecer, toda aquela vizinhança começava a fazer bife e o ar ficava cheirando à cebola e alho ao mesmo tempo.
Texto 2A1-I
Tinha de deixar aquela casa. Não sentia saudades. Erauma casa escura, com um cheiro doce e enjoado que nuncapassou. Não tinha vista a não ser a da janela que dava para oedifício ao lado. E só via as cozinhas. Quando anoitecia, todaaquela vizinhança começava, ao mesmo tempo, a fazer bife, e oar ficava cheirando a cebola e alho. Ia-se embora, com alegriaaté, porque o outro apartamento tinha uma janela de onde erapossível ver o mar, não todo, mas um pedacinho que, lá um dia,talvez lhe mostrasse um navio passando. Claro, arejado.
Mas era preciso levar suas poucas coisas. Uma calça, duascamisas, um rádio de cabeceira, talcos, dentifrícios, uma lavanda,quatro ou cinco toalhas. Cabia tudo em uma mala só. Mas tinha agaveta. Tinha de desocupar aquela gaveta. Cinco ou seis cartasguardadas ali.
Resolveu ler, a começar pela primeira, pondo-as emordem pelas datas. Ela dizia tanto “te amo, te amo”... e contavaque andara chorando na rua, que o fora esperar na estação, que aparenta já andava desconfiada de sua tristeza. No fundo de umenvelope, o raminho de cabelo. Havia escurecido com o tempo,mas era um pedacinho de sua beleza e, de qualquer forma, umpouco de presença a querer bem.
Antônio Maria. Com vocês, Antônio Maria. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1994, p. 83-84 (com adaptações).
Ainda com relação aos aspectos linguísticos do texto 2A1-I, julgue o item subsequente.
No sétimo período do primeiro parágrafo, a forma “lhe” desempenha a função de complemento indireto da forma verbal “mostrasse” e funciona como elemento de coesão ao retomar o personagem da narrativa.
Texto 2A1-I
Tinha de deixar aquela casa. Não sentia saudades. Erauma casa escura, com um cheiro doce e enjoado que nuncapassou. Não tinha vista a não ser a da janela que dava para oedifício ao lado. E só via as cozinhas. Quando anoitecia, todaaquela vizinhança começava, ao mesmo tempo, a fazer bife, e oar ficava cheirando a cebola e alho. Ia-se embora, com alegriaaté, porque o outro apartamento tinha uma janela de onde erapossível ver o mar, não todo, mas um pedacinho que, lá um dia,talvez lhe mostrasse um navio passando. Claro, arejado.
Mas era preciso levar suas poucas coisas. Uma calça, duascamisas, um rádio de cabeceira, talcos, dentifrícios, uma lavanda,quatro ou cinco toalhas. Cabia tudo em uma mala só. Mas tinha agaveta. Tinha de desocupar aquela gaveta. Cinco ou seis cartasguardadas ali.
Resolveu ler, a começar pela primeira, pondo-as emordem pelas datas. Ela dizia tanto “te amo, te amo”... e contavaque andara chorando na rua, que o fora esperar na estação, que aparenta já andava desconfiada de sua tristeza. No fundo de umenvelope, o raminho de cabelo. Havia escurecido com o tempo,mas era um pedacinho de sua beleza e, de qualquer forma, umpouco de presença a querer bem.
Antônio Maria. Com vocês, Antônio Maria. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1994, p. 83-84 (com adaptações).
Ainda com relação aos aspectos linguísticos do texto 2A1-I, julgue o item subsequente.
A forma verbal “tinha” foi empregada com o mesmo sentido nas duas ocorrências nos seguintes períodos do segundo parágrafo: “Mas tinha a gaveta. Tinha de desocupar aquela gaveta.”.
Texto 2A1-I
Tinha de deixar aquela casa. Não sentia saudades. Erauma casa escura, com um cheiro doce e enjoado que nuncapassou. Não tinha vista a não ser a da janela que dava para oedifício ao lado. E só via as cozinhas. Quando anoitecia, todaaquela vizinhança começava, ao mesmo tempo, a fazer bife, e oar ficava cheirando a cebola e alho. Ia-se embora, com alegriaaté, porque o outro apartamento tinha uma janela de onde erapossível ver o mar, não todo, mas um pedacinho que, lá um dia,talvez lhe mostrasse um navio passando. Claro, arejado.
Mas era preciso levar suas poucas coisas. Uma calça, duascamisas, um rádio de cabeceira, talcos, dentifrícios, uma lavanda,quatro ou cinco toalhas. Cabia tudo em uma mala só. Mas tinha agaveta. Tinha de desocupar aquela gaveta. Cinco ou seis cartasguardadas ali.
Resolveu ler, a começar pela primeira, pondo-as emordem pelas datas. Ela dizia tanto “te amo, te amo”... e contavaque andara chorando na rua, que o fora esperar na estação, que aparenta já andava desconfiada de sua tristeza. No fundo de umenvelope, o raminho de cabelo. Havia escurecido com o tempo,mas era um pedacinho de sua beleza e, de qualquer forma, umpouco de presença a querer bem.
Antônio Maria. Com vocês, Antônio Maria. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1994, p. 83-84 (com adaptações).
Ainda com relação aos aspectos linguísticos do texto 2A1-I, julgue o item subsequente.
Na oração “Cabia tudo em uma mala só”, o vocábulo “tudo” exerce a função de sujeito.
Texto 2A1-II
Cresce rapidamente, em quase todos os países, o númerode pessoas na prisão ou que esperam prováveis sentenças deprisão. Em quase toda parte, a rede de prisões está se ampliandointensamente. Os gastos orçamentários do Estado com as forçasda lei e da ordem, principalmente os efetivos policiais e osserviços penitenciários, crescem em todo o planeta. Maisimportante, a proporção da população em conflito direto com alei e sujeita à prisão cresce em ritmo que indica uma mudançamais que meramente quantitativa e sugere uma “significaçãomuito ampliada da solução institucional como componente dapolítica criminal” — e assinala, além disso, que muitos governosalimentam a pressuposição, que goza de amplo apoio na opiniãopública, de que “há uma crescente necessidade de disciplinarimportantes grupos e segmentos populacionais”.
A proporção da população que cumpre sentenças de prisãoé distinta em cada país, refletindo idiossincrasias de tradiçõesculturais e histórias de pensamento e de práticas penais, mas orápido crescimento parece ser um fenômeno universal em toda aponta “mais desenvolvida” do mundo.
Zygmunt Bauman. Globalização: as consequências humanas. Tradução:Marcus Penchel. Rio de Janeiro, Zahar, 1999, p. 122-123 (com adaptações).
No que se refere às ideias e aos aspectos linguísticos do texto 2A1-II, julgue o item que seguem.
Conclui-se das ideias do texto que, apesar de existirem peculiaridades culturais e históricas sobre o estabelecimento das penas em cada país, o crescimento do encarceramento apresenta-se como um fenômeno universal que, chancelado pela opinião pública, tem sido adotado como política de segurança por muitos governos, principalmente os das regiões mais desenvolvidas do mundo.
Texto 2A1-II
Cresce rapidamente, em quase todos os países, o númerode pessoas na prisão ou que esperam prováveis sentenças deprisão. Em quase toda parte, a rede de prisões está se ampliandointensamente. Os gastos orçamentários do Estado com as forçasda lei e da ordem, principalmente os efetivos policiais e osserviços penitenciários, crescem em todo o planeta. Maisimportante, a proporção da população em conflito direto com alei e sujeita à prisão cresce em ritmo que indica uma mudançamais que meramente quantitativa e sugere uma “significaçãomuito ampliada da solução institucional como componente dapolítica criminal” — e assinala, além disso, que muitos governosalimentam a pressuposição, que goza de amplo apoio na opiniãopública, de que “há uma crescente necessidade de disciplinarimportantes grupos e segmentos populacionais”.
A proporção da população que cumpre sentenças de prisãoé distinta em cada país, refletindo idiossincrasias de tradiçõesculturais e histórias de pensamento e de práticas penais, mas orápido crescimento parece ser um fenômeno universal em toda aponta “mais desenvolvida” do mundo.
Zygmunt Bauman. Globalização: as consequências humanas. Tradução:Marcus Penchel. Rio de Janeiro, Zahar, 1999, p. 122-123 (com adaptações).
No que se refere às ideias e aos aspectos linguísticos do texto 2A1-II, julgue o item que segue.
Seriam preservados a correção gramatical e os sentidos do texto caso a vírgula empregada imediatamente após o vocábulo “rapidamente” (primeiro período do texto) fosse suprimida.