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Analista Judiciário - Área Judiciária - 2010


Página 1  •  Total 70 questões
100919Questão 1|Português|superior

Sociedade do espetáculo: mal de uma época

"Nosso tempo prefere a imagem à coisa, a cópia ao original,

a representação à realidade, a aparência ao ser. O cúmulo

da ilusão é também o cúmulo do sagrado." Essas palavras do

filósofo Feurbach nos dizem algo fundamental sobre nossa época.

Toda a vida das sociedades nas quais reinam as condições

modernas de produção se anuncia como uma imensa acumulação

de espetáculos. Tudo o que era diretamente vivido se esvai

na fumaça da representação. As imagens fluem desligadas de

cada aspecto da vida e fundem-se num curso comum, de forma

que a unidade da vida não mais pode ser restabelecida.

O espetáculo é ao mesmo tempo parte da sociedade, a

própria sociedade e seu instrumento de unificação. Como parte

da sociedade, o espetáculo concentra todo o olhar e toda a consciência.

Por ser algo separado, ele é o foco do olhar iludido e da

falsa consciência. O espetáculo não é um conjunto de imagens,

mas uma relação entre pessoas, mediatizadas por imagens.

A alienação do espectador em proveito do objeto contemplado

exprime-se assim: quanto mais contempla, menos

vive; quanto mais aceita reconhecer-se nas imagens dominantes,

menos ele compreende a sua própria existência e o seu

próprio desejo. O conceito de espetáculo unifica e explica uma

grande diversidade de fenômenos aparentes, apresenta-se

como algo grandioso, positivo, indiscutível e inacessível.

A exterioridade do espetáculo em relação ao homem que

deveria agir como um sujeito real aparece no fato de que os

seus próprios gestos já não são seus, mas de um outro que os

apresenta a ele. Eis por que o espectador não se sente em casa

em parte alguma, porque o espetáculo está em toda parte. Eis

por que nossos valores mais profundos têm dificuldade de

sobreviver em uma sociedade do espetáculo, porque a verdade

e a transparência, que tornam a vida realmente humana, dela

são banidas e os valores, enterrados sob o escombro das

aparências e da mentira, que nos separam, em vez de nos unir.

(Adaptado de Maria Clara Luccheti Bingemer, revista Adital)

De acordo com a citação do filósofo Feurbach, na abertura do texto, vive-se num tempo em que

  • A

    o plano das coisas, uma vez sacralizado, faz desaparecer o plano dos nossos valores espirituais.

  • B

    a mera representação das coisas adquire uma relevância maior que a das coisas em si mesmas.

  • C

    a valorização de processos ilusórios faz com que as pessoas se prendam cada vez mais aos ritos sagrados.

  • D

    as imagens e as coisas mundanas captam nossa atenção de tal modo que já não as distinguimos umas das outras.

  • E

    a verdade das imagens e a ilusão das representações delas confundem nossa percepção e nossos sentidos.

100920Questão 2|Português|superior

Sociedade do espetáculo: mal de uma época

"Nosso tempo prefere a imagem à coisa, a cópia ao original,

a representação à realidade, a aparência ao ser. O cúmulo

da ilusão é também o cúmulo do sagrado." Essas palavras do

filósofo Feurbach nos dizem algo fundamental sobre nossa época.

Toda a vida das sociedades nas quais reinam as condições

modernas de produção se anuncia como uma imensa acumulação

de espetáculos. Tudo o que era diretamente vivido se esvai

na fumaça da representação. As imagens fluem desligadas de

cada aspecto da vida e fundem-se num curso comum, de forma

que a unidade da vida não mais pode ser restabelecida.

O espetáculo é ao mesmo tempo parte da sociedade, a

própria sociedade e seu instrumento de unificação. Como parte

da sociedade, o espetáculo concentra todo o olhar e toda a consciência.

Por ser algo separado, ele é o foco do olhar iludido e da

falsa consciência. O espetáculo não é um conjunto de imagens,

mas uma relação entre pessoas, mediatizadas por imagens.

A alienação do espectador em proveito do objeto contemplado

exprime-se assim: quanto mais contempla, menos

vive; quanto mais aceita reconhecer-se nas imagens dominantes,

menos ele compreende a sua própria existência e o seu

próprio desejo. O conceito de espetáculo unifica e explica uma

grande diversidade de fenômenos aparentes, apresenta-se

como algo grandioso, positivo, indiscutível e inacessível.

A exterioridade do espetáculo em relação ao homem que

deveria agir como um sujeito real aparece no fato de que os

seus próprios gestos já não são seus, mas de um outro que os

apresenta a ele. Eis por que o espectador não se sente em casa

em parte alguma, porque o espetáculo está em toda parte. Eis

por que nossos valores mais profundos têm dificuldade de

sobreviver em uma sociedade do espetáculo, porque a verdade

e a transparência, que tornam a vida realmente humana, dela

são banidas e os valores, enterrados sob o escombro das

aparências e da mentira, que nos separam, em vez de nos unir.

(Adaptado de Maria Clara Luccheti Bingemer, revista Adital)

Para a autora do texto, uma característica essencial da sociedade do espetáculo está no modo como o homem moderno

  • A

    valoriza uma experiência direta das coisas e dos fenômenos, em detrimento de qualquer tipo de abstração.

  • B

    revela-se um alienado, quando suprime a contemplação dos objetos para analisar criticamente a imagem que eles têm.

  • C

    subordina sua consciência a um processo de representações, que ele contempla e adota como um mundo unificado.

  • D

    delega aos produtores de espetáculos a representação de uma ilusão que ele teme reconhecer dentro de si mesmo.

  • E

    age em relação ao mundo das imagens e das representações coletivas, destituindo-as de qualquer significação.

100921Questão 3|Português|superior

Sociedade do espetáculo: mal de uma época

"Nosso tempo prefere a imagem à coisa, a cópia ao original,

a representação à realidade, a aparência ao ser. O cúmulo

da ilusão é também o cúmulo do sagrado." Essas palavras do

filósofo Feurbach nos dizem algo fundamental sobre nossa época.

Toda a vida das sociedades nas quais reinam as condições

modernas de produção se anuncia como uma imensa acumulação

de espetáculos. Tudo o que era diretamente vivido se esvai

na fumaça da representação. As imagens fluem desligadas de

cada aspecto da vida e fundem-se num curso comum, de forma

que a unidade da vida não mais pode ser restabelecida.

O espetáculo é ao mesmo tempo parte da sociedade, a

própria sociedade e seu instrumento de unificação. Como parte

da sociedade, o espetáculo concentra todo o olhar e toda a consciência.

Por ser algo separado, ele é o foco do olhar iludido e da

falsa consciência. O espetáculo não é um conjunto de imagens,

mas uma relação entre pessoas, mediatizadas por imagens.

A alienação do espectador em proveito do objeto contemplado

exprime-se assim: quanto mais contempla, menos

vive; quanto mais aceita reconhecer-se nas imagens dominantes,

menos ele compreende a sua própria existência e o seu

próprio desejo. O conceito de espetáculo unifica e explica uma

grande diversidade de fenômenos aparentes, apresenta-se

como algo grandioso, positivo, indiscutível e inacessível.

A exterioridade do espetáculo em relação ao homem que

deveria agir como um sujeito real aparece no fato de que os

seus próprios gestos já não são seus, mas de um outro que os

apresenta a ele. Eis por que o espectador não se sente em casa

em parte alguma, porque o espetáculo está em toda parte. Eis

por que nossos valores mais profundos têm dificuldade de

sobreviver em uma sociedade do espetáculo, porque a verdade

e a transparência, que tornam a vida realmente humana, dela

são banidas e os valores, enterrados sob o escombro das

aparências e da mentira, que nos separam, em vez de nos unir.

(Adaptado de Maria Clara Luccheti Bingemer, revista Adital)

O espetáculo

é ao mesmo tempo parte da sociedade,

a própria sociedade

e seu instrumento de unificação. A identificação acima entre os elementos sublinhados é fundamentada na precisa convicção de que o espetáculo é

  • A

    uma relação entre pessoas, mediatizadas por ima- gens.

  • B

    algo grandioso, positivo, indiscutível e inacessível.

  • C

    algo separado, o foco do olhar iludido e da falsa consciência.

  • D

    uma grande diversidade de fenômenos aparentes.

  • E

    a alienação do espectador em proveito do objeto contemplado.

100922Questão 4|Português|superior

Sociedade do espetáculo: mal de uma época

"Nosso tempo prefere a imagem à coisa, a cópia ao original,

a representação à realidade, a aparência ao ser. O cúmulo

da ilusão é também o cúmulo do sagrado." Essas palavras do

filósofo Feurbach nos dizem algo fundamental sobre nossa época.

Toda a vida das sociedades nas quais reinam as condições

modernas de produção se anuncia como uma imensa acumulação

de espetáculos. Tudo o que era diretamente vivido se esvai

na fumaça da representação. As imagens fluem desligadas de

cada aspecto da vida e fundem-se num curso comum, de forma

que a unidade da vida não mais pode ser restabelecida.

O espetáculo é ao mesmo tempo parte da sociedade, a

própria sociedade e seu instrumento de unificação. Como parte

da sociedade, o espetáculo concentra todo o olhar e toda a consciência.

Por ser algo separado, ele é o foco do olhar iludido e da

falsa consciência. O espetáculo não é um conjunto de imagens,

mas uma relação entre pessoas, mediatizadas por imagens.

A alienação do espectador em proveito do objeto contemplado

exprime-se assim: quanto mais contempla, menos

vive; quanto mais aceita reconhecer-se nas imagens dominantes,

menos ele compreende a sua própria existência e o seu

próprio desejo. O conceito de espetáculo unifica e explica uma

grande diversidade de fenômenos aparentes, apresenta-se

como algo grandioso, positivo, indiscutível e inacessível.

A exterioridade do espetáculo em relação ao homem que

deveria agir como um sujeito real aparece no fato de que os

seus próprios gestos já não são seus, mas de um outro que os

apresenta a ele. Eis por que o espectador não se sente em casa

em parte alguma, porque o espetáculo está em toda parte. Eis

por que nossos valores mais profundos têm dificuldade de

sobreviver em uma sociedade do espetáculo, porque a verdade

e a transparência, que tornam a vida realmente humana, dela

são banidas e os valores, enterrados sob o escombro das

aparências e da mentira, que nos separam, em vez de nos unir.

(Adaptado de Maria Clara Luccheti Bingemer, revista Adital)

As imagens fluem desligadas de cada aspecto da vida e fundem-se num curso comum, de forma que a unidade da vida não pode ser restabelecida. Considerando-se o contexto, infere-se da afirmação acima que

  • A

    a fragmentação da vida em imagens é um fenômeno natural da história humana, estando presente em todas as civilzações.

  • B

    o curso comum das imagens, não obstante sejam estas fluentes, acaba por unificá-las dentro da vida, com a qual se fundem.

  • C

    o sentido da unidade da vida é comparável ao que detêm as imagens que fluem e se fundem num curso comum.

  • D

    a vida já se estabeleceu como unidade, antes que esta fosse rompida pelas imagens que, em nosso tempo, fluem desligadas.

  • E

    a unidade da vida será restabelecida apenas quando as imagens, ainda que desligadas entre si, substituam as próprias coisas.

100923Questão 5|Português|superior

Sociedade do espetáculo: mal de uma época

"Nosso tempo prefere a imagem à coisa, a cópia ao original,

a representação à realidade, a aparência ao ser. O cúmulo

da ilusão é também o cúmulo do sagrado." Essas palavras do

filósofo Feurbach nos dizem algo fundamental sobre nossa época.

Toda a vida das sociedades nas quais reinam as condições

modernas de produção se anuncia como uma imensa acumulação

de espetáculos. Tudo o que era diretamente vivido se esvai

na fumaça da representação. As imagens fluem desligadas de

cada aspecto da vida e fundem-se num curso comum, de forma

que a unidade da vida não mais pode ser restabelecida.

O espetáculo é ao mesmo tempo parte da sociedade, a

própria sociedade e seu instrumento de unificação. Como parte

da sociedade, o espetáculo concentra todo o olhar e toda a consciência.

Por ser algo separado, ele é o foco do olhar iludido e da

falsa consciência. O espetáculo não é um conjunto de imagens,

mas uma relação entre pessoas, mediatizadas por imagens.

A alienação do espectador em proveito do objeto contemplado

exprime-se assim: quanto mais contempla, menos

vive; quanto mais aceita reconhecer-se nas imagens dominantes,

menos ele compreende a sua própria existência e o seu

próprio desejo. O conceito de espetáculo unifica e explica uma

grande diversidade de fenômenos aparentes, apresenta-se

como algo grandioso, positivo, indiscutível e inacessível.

A exterioridade do espetáculo em relação ao homem que

deveria agir como um sujeito real aparece no fato de que os

seus próprios gestos já não são seus, mas de um outro que os

apresenta a ele. Eis por que o espectador não se sente em casa

em parte alguma, porque o espetáculo está em toda parte. Eis

por que nossos valores mais profundos têm dificuldade de

sobreviver em uma sociedade do espetáculo, porque a verdade

e a transparência, que tornam a vida realmente humana, dela

são banidas e os valores, enterrados sob o escombro das

aparências e da mentira, que nos separam, em vez de nos unir.

(Adaptado de Maria Clara Luccheti Bingemer, revista Adital)

Atente para as seguintes afirmações:

I. Justamente pelo fato de o espetáculo estar em toda parte é que os homens de hoje, numa sociedade em que funcionam como espectadores, não se sentem em casa em lugar nenhum.

II. A verdade e a transparência, identificadas como valores autenticamente humanos, são incompatíveis com os que regem a sociedade do espetáculo.

III. Na sociedade do espetáculo, a desejável ação do sujeito dá lugar a um estado de recriação das imagens exteriores, que lhe faculta reconhecer-se a si mesmo.

Em relação ao texto, está correto o que se afirma SOMENTE em

  • A

    I.

  • B

    II.

  • C

    III.

  • D

    II e III.

  • E

    I e II.

100924Questão 6|Português|superior

Sociedade do espetáculo: mal de uma época

"Nosso tempo prefere a imagem à coisa, a cópia ao original,

a representação à realidade, a aparência ao ser. O cúmulo

da ilusão é também o cúmulo do sagrado." Essas palavras do

filósofo Feurbach nos dizem algo fundamental sobre nossa época.

Toda a vida das sociedades nas quais reinam as condições

modernas de produção se anuncia como uma imensa acumulação

de espetáculos. Tudo o que era diretamente vivido se esvai

na fumaça da representação. As imagens fluem desligadas de

cada aspecto da vida e fundem-se num curso comum, de forma

que a unidade da vida não mais pode ser restabelecida.

O espetáculo é ao mesmo tempo parte da sociedade, a

própria sociedade e seu instrumento de unificação. Como parte

da sociedade, o espetáculo concentra todo o olhar e toda a consciência.

Por ser algo separado, ele é o foco do olhar iludido e da

falsa consciência. O espetáculo não é um conjunto de imagens,

mas uma relação entre pessoas, mediatizadas por imagens.

A alienação do espectador em proveito do objeto contemplado

exprime-se assim: quanto mais contempla, menos

vive; quanto mais aceita reconhecer-se nas imagens dominantes,

menos ele compreende a sua própria existência e o seu

próprio desejo. O conceito de espetáculo unifica e explica uma

grande diversidade de fenômenos aparentes, apresenta-se

como algo grandioso, positivo, indiscutível e inacessível.

A exterioridade do espetáculo em relação ao homem que

deveria agir como um sujeito real aparece no fato de que os

seus próprios gestos já não são seus, mas de um outro que os

apresenta a ele. Eis por que o espectador não se sente em casa

em parte alguma, porque o espetáculo está em toda parte. Eis

por que nossos valores mais profundos têm dificuldade de

sobreviver em uma sociedade do espetáculo, porque a verdade

e a transparência, que tornam a vida realmente humana, dela

são banidas e os valores, enterrados sob o escombro das

aparências e da mentira, que nos separam, em vez de nos unir.

(Adaptado de Maria Clara Luccheti Bingemer, revista Adital)

Estão inteiramente respeitadas as normas de concordância verbal em:

  • A

    Quando às coisas se preferem a imagem delas, privilegia-se o espetáculo das aparências.

  • B

    As palavras do filósofo Feurbach, um pensador já tão distante de nós, mantém-se como um preciso diagnóstico.

  • C

    O que resultam de tantas imagens dominantes são a identificação dos indivíduos com algo exterior a eles.

  • D

    Já não se distingue nos gestos dos indivíduos algo que de fato os identifique como autênticos sujeitos.

  • E

    Cabem-nos, a todos nós, buscar preservar valores como a verdade e a transparência, ameaçados de desaparição.

100925Questão 7|Português|superior

Sociedade do espetáculo: mal de uma época

"Nosso tempo prefere a imagem à coisa, a cópia ao original,

a representação à realidade, a aparência ao ser. O cúmulo

da ilusão é também o cúmulo do sagrado." Essas palavras do

filósofo Feurbach nos dizem algo fundamental sobre nossa época.

Toda a vida das sociedades nas quais reinam as condições

modernas de produção se anuncia como uma imensa acumulação

de espetáculos. Tudo o que era diretamente vivido se esvai

na fumaça da representação. As imagens fluem desligadas de

cada aspecto da vida e fundem-se num curso comum, de forma

que a unidade da vida não mais pode ser restabelecida.

O espetáculo é ao mesmo tempo parte da sociedade, a

própria sociedade e seu instrumento de unificação. Como parte

da sociedade, o espetáculo concentra todo o olhar e toda a consciência.

Por ser algo separado, ele é o foco do olhar iludido e da

falsa consciência. O espetáculo não é um conjunto de imagens,

mas uma relação entre pessoas, mediatizadas por imagens.

A alienação do espectador em proveito do objeto contemplado

exprime-se assim: quanto mais contempla, menos

vive; quanto mais aceita reconhecer-se nas imagens dominantes,

menos ele compreende a sua própria existência e o seu

próprio desejo. O conceito de espetáculo unifica e explica uma

grande diversidade de fenômenos aparentes, apresenta-se

como algo grandioso, positivo, indiscutível e inacessível.

A exterioridade do espetáculo em relação ao homem que

deveria agir como um sujeito real aparece no fato de que os

seus próprios gestos já não são seus, mas de um outro que os

apresenta a ele. Eis por que o espectador não se sente em casa

em parte alguma, porque o espetáculo está em toda parte. Eis

por que nossos valores mais profundos têm dificuldade de

sobreviver em uma sociedade do espetáculo, porque a verdade

e a transparência, que tornam a vida realmente humana, dela

são banidas e os valores, enterrados sob o escombro das

aparências e da mentira, que nos separam, em vez de nos unir.

(Adaptado de Maria Clara Luccheti Bingemer, revista Adital)

Na frase Eis

por que

o espectador não se sente em casa em parte alguma,

porque

o espetáculo está em toda parte, os elementos sublinhados podem ser correta e respectivamente substituídos por

  • A

    a razão pela qual e visto que.

  • B

    por cujo motivo e visto que.

  • C

    a finalidade pela qual e dado que.

  • D

    o motivo por onde e conquanto.

  • E

    a alegação de que e conquanto.

100926Questão 8|Português|superior

Sociedade do espetáculo: mal de uma época

"Nosso tempo prefere a imagem à coisa, a cópia ao original,

a representação à realidade, a aparência ao ser. O cúmulo

da ilusão é também o cúmulo do sagrado." Essas palavras do

filósofo Feurbach nos dizem algo fundamental sobre nossa época.

Toda a vida das sociedades nas quais reinam as condições

modernas de produção se anuncia como uma imensa acumulação

de espetáculos. Tudo o que era diretamente vivido se esvai

na fumaça da representação. As imagens fluem desligadas de

cada aspecto da vida e fundem-se num curso comum, de forma

que a unidade da vida não mais pode ser restabelecida.

O espetáculo é ao mesmo tempo parte da sociedade, a

própria sociedade e seu instrumento de unificação. Como parte

da sociedade, o espetáculo concentra todo o olhar e toda a consciência.

Por ser algo separado, ele é o foco do olhar iludido e da

falsa consciência. O espetáculo não é um conjunto de imagens,

mas uma relação entre pessoas, mediatizadas por imagens.

A alienação do espectador em proveito do objeto contemplado

exprime-se assim: quanto mais contempla, menos

vive; quanto mais aceita reconhecer-se nas imagens dominantes,

menos ele compreende a sua própria existência e o seu

próprio desejo. O conceito de espetáculo unifica e explica uma

grande diversidade de fenômenos aparentes, apresenta-se

como algo grandioso, positivo, indiscutível e inacessível.

A exterioridade do espetáculo em relação ao homem que

deveria agir como um sujeito real aparece no fato de que os

seus próprios gestos já não são seus, mas de um outro que os

apresenta a ele. Eis por que o espectador não se sente em casa

em parte alguma, porque o espetáculo está em toda parte. Eis

por que nossos valores mais profundos têm dificuldade de

sobreviver em uma sociedade do espetáculo, porque a verdade

e a transparência, que tornam a vida realmente humana, dela

são banidas e os valores, enterrados sob o escombro das

aparências e da mentira, que nos separam, em vez de nos unir.

(Adaptado de Maria Clara Luccheti Bingemer, revista Adital)

No trecho quanto mais contempla, menos vive; quanto mais aceita reconhecer-se nas imagens dominantes, me- nos ele compreende a sua própria existência expressa-se uma relação de

  • A

    causalidade entre menos vive e mais aceita.

  • B

    oposição entre mais contempla e mais aceita.

  • C

    exclusão entre menos vive e menos compreende.

  • D

    alternância entre mais contempla e mais aceita.

  • E

    proporção entre mais contempla e menos vive.

100927Questão 9|Português|superior

Sociedade do espetáculo: mal de uma época

"Nosso tempo prefere a imagem à coisa, a cópia ao original,

a representação à realidade, a aparência ao ser. O cúmulo

da ilusão é também o cúmulo do sagrado." Essas palavras do

filósofo Feurbach nos dizem algo fundamental sobre nossa época.

Toda a vida das sociedades nas quais reinam as condições

modernas de produção se anuncia como uma imensa acumulação

de espetáculos. Tudo o que era diretamente vivido se esvai

na fumaça da representação. As imagens fluem desligadas de

cada aspecto da vida e fundem-se num curso comum, de forma

que a unidade da vida não mais pode ser restabelecida.

O espetáculo é ao mesmo tempo parte da sociedade, a

própria sociedade e seu instrumento de unificação. Como parte

da sociedade, o espetáculo concentra todo o olhar e toda a consciência.

Por ser algo separado, ele é o foco do olhar iludido e da

falsa consciência. O espetáculo não é um conjunto de imagens,

mas uma relação entre pessoas, mediatizadas por imagens.

A alienação do espectador em proveito do objeto contemplado

exprime-se assim: quanto mais contempla, menos

vive; quanto mais aceita reconhecer-se nas imagens dominantes,

menos ele compreende a sua própria existência e o seu

próprio desejo. O conceito de espetáculo unifica e explica uma

grande diversidade de fenômenos aparentes, apresenta-se

como algo grandioso, positivo, indiscutível e inacessível.

A exterioridade do espetáculo em relação ao homem que

deveria agir como um sujeito real aparece no fato de que os

seus próprios gestos já não são seus, mas de um outro que os

apresenta a ele. Eis por que o espectador não se sente em casa

em parte alguma, porque o espetáculo está em toda parte. Eis

por que nossos valores mais profundos têm dificuldade de

sobreviver em uma sociedade do espetáculo, porque a verdade

e a transparência, que tornam a vida realmente humana, dela

são banidas e os valores, enterrados sob o escombro das

aparências e da mentira, que nos separam, em vez de nos unir.

(Adaptado de Maria Clara Luccheti Bingemer, revista Adital)

A frase que admite transposição para a voz passiva é:

  • A

    O cúmulo da ilusão é também o cúmulo do sagrado.

  • B

    O conceito de espetáculo unifica e explica uma grande diversidade de fenômenos.

  • C

    O espetáculo é ao mesmo tempo parte da sociedade, a própria sociedade e seu instrumento de unificação.

  • D

    As imagens fluem desligadas de cada aspecto da vida (...).

  • E

    Por ser algo separado, ele é o foco do olhar iludido e da falsa consciência.

100928Questão 10|Português|superior

Nova infância?

Até onde posso avaliar, parece que já não existem mais

crianças como as de antigamente - o que equivale a dizer que

talvez seja preciso redefinir o que vem a ser infância. Quem

viveu no tempo em que a rua era o espaço natural de todos os

jogos e brincadeiras, palco das conversas e das piadas, cenário

da vida coletiva, lamentará o quanto as crianças de hoje vivem

reclusas nas casas e nos apartamentos. Seja por questão de

segurança (medo da rua), seja pela avalanche das novidades

tecnológicas e dos brinquedos eletrônicos, o sedentarismo

infantil é um fenômeno que se alastra por toda parte.

Trata-se de uma anomalia cruel: as crianças, seres

naturalmente carregados de energia e vitalidade, estão vivendo

longas horas diárias de concentração solitária e de imobilidade.

Diante das telas e dos monitores, satisfazem-se com o movimento

virtual, com a investigação a distância, com a experiência

imaginária. O prazer do convívio vem sendo perigosamente

substituído pelo sentimento de autossuficiência. Que tipo de

sociedade estamos constituindo?

(Herculano Menezes, inédito)

O que está referido no texto como anomalia cruel consiste no fato de que as crianças de hoje

  • A

    estão desenvolvendo uma extraordinária capacidade de concentração.

  • B

    ignoram as atividades criativas que lhes estão sendo oferecidas.

  • C

    manifestam uma curiosidade precoce pela tecnologia e pela ciência.

  • D

    entregam-se a práticas que implicam passividade e sedentarismo.

  • E

    revelam um prazer mórbido ao demonstrarem sua autossuficiência.