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As imagens fluem desligadas de cada aspecto da vida e fundem-se num curso comum, de forma que a unidade da vida não pode ser restabelecida. Considerando-se o...


100922|Português|superior

Sociedade do espetáculo: mal de uma época

"Nosso tempo prefere a imagem à coisa, a cópia ao original,

a representação à realidade, a aparência ao ser. O cúmulo

da ilusão é também o cúmulo do sagrado." Essas palavras do

filósofo Feurbach nos dizem algo fundamental sobre nossa época.

Toda a vida das sociedades nas quais reinam as condições

modernas de produção se anuncia como uma imensa acumulação

de espetáculos. Tudo o que era diretamente vivido se esvai

na fumaça da representação. As imagens fluem desligadas de

cada aspecto da vida e fundem-se num curso comum, de forma

que a unidade da vida não mais pode ser restabelecida.

O espetáculo é ao mesmo tempo parte da sociedade, a

própria sociedade e seu instrumento de unificação. Como parte

da sociedade, o espetáculo concentra todo o olhar e toda a consciência.

Por ser algo separado, ele é o foco do olhar iludido e da

falsa consciência. O espetáculo não é um conjunto de imagens,

mas uma relação entre pessoas, mediatizadas por imagens.

A alienação do espectador em proveito do objeto contemplado

exprime-se assim: quanto mais contempla, menos

vive; quanto mais aceita reconhecer-se nas imagens dominantes,

menos ele compreende a sua própria existência e o seu

próprio desejo. O conceito de espetáculo unifica e explica uma

grande diversidade de fenômenos aparentes, apresenta-se

como algo grandioso, positivo, indiscutível e inacessível.

A exterioridade do espetáculo em relação ao homem que

deveria agir como um sujeito real aparece no fato de que os

seus próprios gestos já não são seus, mas de um outro que os

apresenta a ele. Eis por que o espectador não se sente em casa

em parte alguma, porque o espetáculo está em toda parte. Eis

por que nossos valores mais profundos têm dificuldade de

sobreviver em uma sociedade do espetáculo, porque a verdade

e a transparência, que tornam a vida realmente humana, dela

são banidas e os valores, enterrados sob o escombro das

aparências e da mentira, que nos separam, em vez de nos unir.

(Adaptado de Maria Clara Luccheti Bingemer, revista Adital)

As imagens fluem desligadas de cada aspecto da vida e fundem-se num curso comum, de forma que a unidade da vida não pode ser restabelecida. Considerando-se o contexto, infere-se da afirmação acima que

  • A

    a fragmentação da vida em imagens é um fenômeno natural da história humana, estando presente em todas as civilzações.

  • B

    o curso comum das imagens, não obstante sejam estas fluentes, acaba por unificá-las dentro da vida, com a qual se fundem.

  • C

    o sentido da unidade da vida é comparável ao que detêm as imagens que fluem e se fundem num curso comum.

  • D

    a vida já se estabeleceu como unidade, antes que esta fosse rompida pelas imagens que, em nosso tempo, fluem desligadas.

  • E

    a unidade da vida será restabelecida apenas quando as imagens, ainda que desligadas entre si, substituam as próprias coisas.