Economista - 2014
A diferença entre o valor da produção e o valor dos bens intermediários é usada para pagar os fatores e agentes econômicos que participaram da produção, sendo que esse pagamento aparece sob a forma de salários para os trabalhadores, lucros para as firmas e impostos para o governo, constituindo, na ótica da renda, a definição do Produto Interno Bruto.
Os estudiosos da macroeconomia costumam definir o curto prazo como sendo o tempo em que o produto é determinado pela educação, pela pesquisa e pelo desenvolvimento, pela poupança e pelas ações do governo; o médio prazo como o tempo em que o produto é determinado pela demanda e o longo prazo como o tempo em que o produto é determinado pela tecnologia.
Considerando-se as equações YD = C + I + G – T (que estabelece uma relação formal e direta entre a renda disponível e seus componentes em uma economia fechada) e C = c0 + c1YD (que estabelece uma situação específica referente ao consumo, em que c0 é o consumo autônomo e c1 é a propensão marginal ao consumo), podendo os componentes I, G e T ser considerados como determinados fora do modelo e sendo I =
o investimento exógeno, enquanto G e T representam, respectivamente, os gastos do governo e os impostos, chega-se à conclusão de que não se dispõe de regras confiáveis para uma determinação de seus quantitativos dentro do modelo, o que fica, então, sob cuidados do governo.
Se Y = C + I + G, YD = Y – T e C = c0 + c1YD , em que Y é o produto, C é o consumo, I é o investimento, G são as compras do governo e T são os impostos líquidos de transferências, então 1/ 1- c1 é o multiplicador gasto.
O aumento da demanda agregada, indicado pela passagem de Z a Z’, permite dizer que houve uma elevação do gasto autônomo, fazendo com que a economia passasse do equilíbrio no ponto A para outro equilíbrio no ponto A’, enquanto a trajetória para alcançar o novo equilíbrio permite concluir que o primeiro impacto sobre a renda, decorrente do aumento da demanda agregada, é representado pelo segmento Ab , sendo que o segmento bc representa o aumento do consumo autônomo, os segmentos cd e de completam essa trajetória até o novo equilíbrio em A’.
O crescimento da produção encontra um limite após n+1 rodadas na sequência da trajetória de ajuste da economia depois do aumento da demanda agregada, sendo essa trajetória indicada pelos segmentos Ab , bc , cd , de e, finalmente, eA ’, considerando-se como expressão para esse ajuste a progressão geométrica 1 + c1 + c12 +...+ c1n , melhor representada pelo efeito multiplicador 1/1-c1 , após algumas transformações algébricas.
À esquerda do ponto de equilíbrio A, estabelece-se uma produção mais elevada que a demanda (Z), enquanto, à direita desse mesmo ponto, a demanda (Z) é mais elevada que a produção, o mesmo acontece com o ponto A’ em relação à demanda (Z’), ficando, portanto, garantido um excesso de oferta à esquerda desses pontos e um excesso de demanda à direita, já que os pontos A e A’ representam os respectivos equilíbrios.
Se todos poupam mais, acabarão, no decorrer do tempo, poupando menos, isso porque a poupança reduz o consumo, desacelerando a demanda, que diminui o produto, o qual, por sua vez, provoca queda na renda e, consequentemente, na poupança, sendo esse resultado facilmente provado pela fórmula da poupança S = – c0 + (1 – c1)(Y – T), de maneira que é possível afirmar que a parcimônia das pessoas, no longo prazo, é prejudicial.
Considerando-se o equilíbrio no ponto A , pode-se afirmar que uma elevação da taxa de juros influencia negativamente a demanda por bens e investimentos, de sorte que a curva Z deve se deslocar para baixo, tal como aparece no gráfico e, consequentemente, o nível de produção deve cair, o que leva a uma redução do investimento e do consumo, induzindo uma diminuição do produto, reforçada pela atuação do efeito multiplicador.
O nível de produção varia de maneira inversa à taxa de juros, garantindo uma curva IS negativamente inclinada, e, para qualquer nível da taxa de juros, o anúncio de uma elevação dos impostos garante o deslocamento da curva IS para a direita, isso porque a produção deverá diminuir, sendo o inverso para um aumento dos gastos governamentais.




