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Escrevente Técnico Judiciário - 2024


Página 2  •  Total 100 questões
42232Questão 11|Português|médio

Leia o texto para responder à questão.

Liberdade adiada

    Sentia-se cansada. A barriga, as pernas, a cabeça, o corpo todo era um enorme peso que lhe caía irremediavelmente em cima. Esperava que a qualquer momento o coração lhe perfurasse o peito, lhe rasgasse a blusa.

    Como seria o coração?

    Teria mesmo aquela forma bonita dos postais coloridos?

    … Será que as dores deformam os corações?

  Pensou em atirar a lata de água ao chão, esparramar-se no líquido, encharcar-se, fazer-se lama, confundir-se com aqueles caminhos que durante anos e mais anos lhe comiam as solas dos pés, lhe queimavam as veias, lhe roubavam as forças.

Imaginou os filhos que aguardavam e já deviam estar acordados. Os filhos que ela odiava!

    Não. Não voltaria para casa.

    O barranco olhava-a, boca aberta, num sorriso irresistível, convidando-a para o encontro final.

   Conhecia aquele tipo de sorriso e não tinha boas recordações dos tempos que vinham depois. Mas um dia havia de o eternizar. E se fosse agora, no instante que madrugava? A lata e ela, para sempre, juntas no sorriso do barranco.

   Gostava de sua lata de carregar água. Tratava bem a lata. Às vezes, em momentos de raiva ou simplesmente indefinidos, areava uma, dez, mil vezes, até que sua lata ficava a luzir e a cólera, ou a indefinição se perdiam no brilho prateado. Com o fundo de madeira que tivera que mandar colocar, ficou mais pesada, mas não eram daí os seus tormentos.

    À borda do barranco, com a lata de água à cabeça e a saia batida pelo vento, pensou nos filhos e levou as mãos ao peito.

    O que tinha a ver os filhos com o coração? Os filhos… Como ela os amava, Nossenhor!

    Apressou-se a ir ao encontro deles. O mais novito devia estar a chamar por ela.

    Correu deixando o barranco e o sonho de liberdade para trás.

(Dina Salústio. Mornas eram as noites. Adaptado)

A história narrada apresenta a personagem em uma situação de

  • A

    pleno equilíbrio emocional, com ponderações coerentes sobre a maternidade.

  • B

    extrema tensão existencial, provocada pelos sofrimentos da vida difícil que levava.

  • C

    melancolia e reflexão sobre os filhos, que cresciam e logo seriam independentes.

  • D

    irritação e vontade de chorar, decorrente da perda da lata estimada no barranco.

  • E

    incontrolável tristeza e desesperança, fruto da saudade dos caminhos já trilhados.

42233Questão 12|Português|médio

Leia o texto para responder à questão.

Liberdade adiada

    Sentia-se cansada. A barriga, as pernas, a cabeça, o corpo todo era um enorme peso que lhe caía irremediavelmente em cima. Esperava que a qualquer momento o coração lhe perfurasse o peito, lhe rasgasse a blusa.

    Como seria o coração?

    Teria mesmo aquela forma bonita dos postais coloridos?

    … Será que as dores deformam os corações?

  Pensou em atirar a lata de água ao chão, esparramar-se no líquido, encharcar-se, fazer-se lama, confundir-se com aqueles caminhos que durante anos e mais anos lhe comiam as solas dos pés, lhe queimavam as veias, lhe roubavam as forças.

Imaginou os filhos que aguardavam e já deviam estar acordados. Os filhos que ela odiava!

    Não. Não voltaria para casa.

    O barranco olhava-a, boca aberta, num sorriso irresistível, convidando-a para o encontro final.

   Conhecia aquele tipo de sorriso e não tinha boas recordações dos tempos que vinham depois. Mas um dia havia de o eternizar. E se fosse agora, no instante que madrugava? A lata e ela, para sempre, juntas no sorriso do barranco.

   Gostava de sua lata de carregar água. Tratava bem a lata. Às vezes, em momentos de raiva ou simplesmente indefinidos, areava uma, dez, mil vezes, até que sua lata ficava a luzir e a cólera, ou a indefinição se perdiam no brilho prateado. Com o fundo de madeira que tivera que mandar colocar, ficou mais pesada, mas não eram daí os seus tormentos.

    À borda do barranco, com a lata de água à cabeça e a saia batida pelo vento, pensou nos filhos e levou as mãos ao peito.

    O que tinha a ver os filhos com o coração? Os filhos… Como ela os amava, Nossenhor!

    Apressou-se a ir ao encontro deles. O mais novito devia estar a chamar por ela.

    Correu deixando o barranco e o sonho de liberdade para trás.

(Dina Salústio. Mornas eram as noites. Adaptado)

Pela passagem – Pensou em atirar a lata de água ao chão, esparramar-se no líquido, encharcar-se, fazer-se lama… (5º parágrafo) – é correto afirmar que a personagem

  • A

    evita os caminhos que ladeiam o barranco.

  • B

    está fraca para carregar latas cheias de água.

  • C

    deseja fugir da realidade que tanto a oprime.

  • D

    quer saber exatamente como funciona o coração.

  • E

    precisa molhar-se para suportar o calor.

42234Questão 13|Português|médio

Leia o texto para responder à questão.

Liberdade adiada

    Sentia-se cansada. A barriga, as pernas, a cabeça, o corpo todo era um enorme peso que lhe caía irremediavelmente em cima. Esperava que a qualquer momento o coração lhe perfurasse o peito, lhe rasgasse a blusa.

    Como seria o coração?

    Teria mesmo aquela forma bonita dos postais coloridos?

    … Será que as dores deformam os corações?

  Pensou em atirar a lata de água ao chão, esparramar-se no líquido, encharcar-se, fazer-se lama, confundir-se com aqueles caminhos que durante anos e mais anos lhe comiam as solas dos pés, lhe queimavam as veias, lhe roubavam as forças.

Imaginou os filhos que aguardavam e já deviam estar acordados. Os filhos que ela odiava!

    Não. Não voltaria para casa.

    O barranco olhava-a, boca aberta, num sorriso irresistível, convidando-a para o encontro final.

   Conhecia aquele tipo de sorriso e não tinha boas recordações dos tempos que vinham depois. Mas um dia havia de o eternizar. E se fosse agora, no instante que madrugava? A lata e ela, para sempre, juntas no sorriso do barranco.

   Gostava de sua lata de carregar água. Tratava bem a lata. Às vezes, em momentos de raiva ou simplesmente indefinidos, areava uma, dez, mil vezes, até que sua lata ficava a luzir e a cólera, ou a indefinição se perdiam no brilho prateado. Com o fundo de madeira que tivera que mandar colocar, ficou mais pesada, mas não eram daí os seus tormentos.

    À borda do barranco, com a lata de água à cabeça e a saia batida pelo vento, pensou nos filhos e levou as mãos ao peito.

    O que tinha a ver os filhos com o coração? Os filhos… Como ela os amava, Nossenhor!

    Apressou-se a ir ao encontro deles. O mais novito devia estar a chamar por ela.

    Correu deixando o barranco e o sonho de liberdade para trás.

(Dina Salústio. Mornas eram as noites. Adaptado)

O parágrafo final do texto permite concluir que a personagem optou por

  • A

    se manter na companhia dos filhos.

  • B

    aceitar o convite feito pelo barranco.

  • C

    buscar novos desafios longe dos filhos.

  • D

    ignorar o chamado do filho mais novo.

  • E

    se espalhar na lama contida no barranco.

42235Questão 14|Português|médio

Leia o texto para responder à questão.

Liberdade adiada

    Sentia-se cansada. A barriga, as pernas, a cabeça, o corpo todo era um enorme peso que lhe caía irremediavelmente em cima. Esperava que a qualquer momento o coração lhe perfurasse o peito, lhe rasgasse a blusa.

    Como seria o coração?

    Teria mesmo aquela forma bonita dos postais coloridos?

    … Será que as dores deformam os corações?

  Pensou em atirar a lata de água ao chão, esparramar-se no líquido, encharcar-se, fazer-se lama, confundir-se com aqueles caminhos que durante anos e mais anos lhe comiam as solas dos pés, lhe queimavam as veias, lhe roubavam as forças.

Imaginou os filhos que aguardavam e já deviam estar acordados. Os filhos que ela odiava!

    Não. Não voltaria para casa.

    O barranco olhava-a, boca aberta, num sorriso irresistível, convidando-a para o encontro final.

   Conhecia aquele tipo de sorriso e não tinha boas recordações dos tempos que vinham depois. Mas um dia havia de o eternizar. E se fosse agora, no instante que madrugava? A lata e ela, para sempre, juntas no sorriso do barranco.

   Gostava de sua lata de carregar água. Tratava bem a lata. Às vezes, em momentos de raiva ou simplesmente indefinidos, areava uma, dez, mil vezes, até que sua lata ficava a luzir e a cólera, ou a indefinição se perdiam no brilho prateado. Com o fundo de madeira que tivera que mandar colocar, ficou mais pesada, mas não eram daí os seus tormentos.

    À borda do barranco, com a lata de água à cabeça e a saia batida pelo vento, pensou nos filhos e levou as mãos ao peito.

    O que tinha a ver os filhos com o coração? Os filhos… Como ela os amava, Nossenhor!

    Apressou-se a ir ao encontro deles. O mais novito devia estar a chamar por ela.

    Correu deixando o barranco e o sonho de liberdade para trás.

(Dina Salústio. Mornas eram as noites. Adaptado)

Na passagem – Com o fundo de madeira que tivera que mandar colocar, ficou mais pesada, mas não eram daí os seus tormentos. (10º parágrafo) –, o sentido expresso pela preposição Com e pela conjunção mas e o referente da expressão daí são, correta e respectivamente:

  • A

    lugar; conclusão; o fundo da lata.

  • B

    causa; conclusão; o peso da lata.

  • C

    causa; oposição; o peso da lata.

  • D

    lugar; oposição; o fundo da lata.

  • E

    consequência; adição; a lata.

42236Questão 15|Português|médio

Leia o texto para responder à questão.

Liberdade adiada

    Sentia-se cansada. A barriga, as pernas, a cabeça, o corpo todo era um enorme peso que lhe caía irremediavelmente em cima. Esperava que a qualquer momento o coração lhe perfurasse o peito, lhe rasgasse a blusa.

    Como seria o coração?

    Teria mesmo aquela forma bonita dos postais coloridos?

    … Será que as dores deformam os corações?

  Pensou em atirar a lata de água ao chão, esparramar-se no líquido, encharcar-se, fazer-se lama, confundir-se com aqueles caminhos que durante anos e mais anos lhe comiam as solas dos pés, lhe queimavam as veias, lhe roubavam as forças.

Imaginou os filhos que aguardavam e já deviam estar acordados. Os filhos que ela odiava!

    Não. Não voltaria para casa.

    O barranco olhava-a, boca aberta, num sorriso irresistível, convidando-a para o encontro final.

   Conhecia aquele tipo de sorriso e não tinha boas recordações dos tempos que vinham depois. Mas um dia havia de o eternizar. E se fosse agora, no instante que madrugava? A lata e ela, para sempre, juntas no sorriso do barranco.

   Gostava de sua lata de carregar água. Tratava bem a lata. Às vezes, em momentos de raiva ou simplesmente indefinidos, areava uma, dez, mil vezes, até que sua lata ficava a luzir e a cólera, ou a indefinição se perdiam no brilho prateado. Com o fundo de madeira que tivera que mandar colocar, ficou mais pesada, mas não eram daí os seus tormentos.

    À borda do barranco, com a lata de água à cabeça e a saia batida pelo vento, pensou nos filhos e levou as mãos ao peito.

    O que tinha a ver os filhos com o coração? Os filhos… Como ela os amava, Nossenhor!

    Apressou-se a ir ao encontro deles. O mais novito devia estar a chamar por ela.

    Correu deixando o barranco e o sonho de liberdade para trás.

(Dina Salústio. Mornas eram as noites. Adaptado)

A regência verbal e a regência nominal estão em conformidade com a norma-padrão em:

  • A

    Ela lembrou de que tinha a lata, que preferia manter bem areada do que nutrir a raiva, em certos momentos. Na verdade, ficava ansiosa em ver aquele objeto luzindo.

  • B

    Ela lembrou que tinha a lata, que preferia mais manter bem areada que nutrir a raiva, em certos momentos. Na verdade, ficava ansiosa para ver aquele objeto luzindo.

  • C

    Ela lembrou-se que tinha a lata, que preferia manter bem areada a nutrir a raiva, em certos momentos. Na verdade, ficava ansiosa de ver aquele objeto luzindo.

  • D

    Ela lembrou-se de que tinha a lata, que preferia manter bem areada do que nutrir a raiva, em certos momentos. Na verdade, ficava ansiosa a ver aquele objeto luzindo.

  • E

    Ela lembrou-se de que tinha a lata, que preferia manter bem areada a nutrir a raiva, em certos momentos. Na verdade, ficava ansiosa por ver aquele objeto luzindo.

42237Questão 16|Português|médio

Leia o texto para responder à questão.

Liberdade adiada

    Sentia-se cansada. A barriga, as pernas, a cabeça, o corpo todo era um enorme peso que lhe caía irremediavelmente em cima. Esperava que a qualquer momento o coração lhe perfurasse o peito, lhe rasgasse a blusa.

    Como seria o coração?

    Teria mesmo aquela forma bonita dos postais coloridos?

    … Será que as dores deformam os corações?

  Pensou em atirar a lata de água ao chão, esparramar-se no líquido, encharcar-se, fazer-se lama, confundir-se com aqueles caminhos que durante anos e mais anos lhe comiam as solas dos pés, lhe queimavam as veias, lhe roubavam as forças.

Imaginou os filhos que aguardavam e já deviam estar acordados. Os filhos que ela odiava!

    Não. Não voltaria para casa.

    O barranco olhava-a, boca aberta, num sorriso irresistível, convidando-a para o encontro final.

   Conhecia aquele tipo de sorriso e não tinha boas recordações dos tempos que vinham depois. Mas um dia havia de o eternizar. E se fosse agora, no instante que madrugava? A lata e ela, para sempre, juntas no sorriso do barranco.

   Gostava de sua lata de carregar água. Tratava bem a lata. Às vezes, em momentos de raiva ou simplesmente indefinidos, areava uma, dez, mil vezes, até que sua lata ficava a luzir e a cólera, ou a indefinição se perdiam no brilho prateado. Com o fundo de madeira que tivera que mandar colocar, ficou mais pesada, mas não eram daí os seus tormentos.

    À borda do barranco, com a lata de água à cabeça e a saia batida pelo vento, pensou nos filhos e levou as mãos ao peito.

    O que tinha a ver os filhos com o coração? Os filhos… Como ela os amava, Nossenhor!

    Apressou-se a ir ao encontro deles. O mais novito devia estar a chamar por ela.

    Correu deixando o barranco e o sonho de liberdade para trás.

(Dina Salústio. Mornas eram as noites. Adaptado)

Considere as passagens:

•  Imaginou os filhos que aguardavam e já deviam estar acordados. Os filhos que ela odiava! (6º parágrafo)

•  Tratava bem a lata. (10º parágrafo)

Quanto ao emprego de pronomes e à colocação pronominal, as reescritas das passagens atendem à norma-padrão em:

  • A

    Imaginou os filhos que aguardavam-lhe e já deviam estar acordados. Odiava-lhes! / Tratava-na bem.

  • B

    Imaginou os filhos que a aguardavam e já deviam estar acordados. Odiava-os! / Tratava-a bem.

  • C

    Imaginou os filhos que aguardavam-la e já deviam estar acordados. Odiava-os! / Tratava-a bem.

  • D

    Imaginou os filhos que aguardavam-na e já deviam estar acordados. Lhes odiava! / Tratava ela bem.

  • E

    Imaginou os filhos que lhe aguardavam e já deviam estar acordados. Os odiava! / A tratava bem.

42238Questão 17|Português|médio

Leia o texto para responder à questão.

Liberdade adiada

    Sentia-se cansada. A barriga, as pernas, a cabeça, o corpo todo era um enorme peso que lhe caía irremediavelmente em cima. Esperava que a qualquer momento o coração lhe perfurasse o peito, lhe rasgasse a blusa.

    Como seria o coração?

    Teria mesmo aquela forma bonita dos postais coloridos?

    … Será que as dores deformam os corações?

  Pensou em atirar a lata de água ao chão, esparramar-se no líquido, encharcar-se, fazer-se lama, confundir-se com aqueles caminhos que durante anos e mais anos lhe comiam as solas dos pés, lhe queimavam as veias, lhe roubavam as forças.

Imaginou os filhos que aguardavam e já deviam estar acordados. Os filhos que ela odiava!

    Não. Não voltaria para casa.

    O barranco olhava-a, boca aberta, num sorriso irresistível, convidando-a para o encontro final.

   Conhecia aquele tipo de sorriso e não tinha boas recordações dos tempos que vinham depois. Mas um dia havia de o eternizar. E se fosse agora, no instante que madrugava? A lata e ela, para sempre, juntas no sorriso do barranco.

   Gostava de sua lata de carregar água. Tratava bem a lata. Às vezes, em momentos de raiva ou simplesmente indefinidos, areava uma, dez, mil vezes, até que sua lata ficava a luzir e a cólera, ou a indefinição se perdiam no brilho prateado. Com o fundo de madeira que tivera que mandar colocar, ficou mais pesada, mas não eram daí os seus tormentos.

    À borda do barranco, com a lata de água à cabeça e a saia batida pelo vento, pensou nos filhos e levou as mãos ao peito.

    O que tinha a ver os filhos com o coração? Os filhos… Como ela os amava, Nossenhor!

    Apressou-se a ir ao encontro deles. O mais novito devia estar a chamar por ela.

    Correu deixando o barranco e o sonho de liberdade para trás.

(Dina Salústio. Mornas eram as noites. Adaptado)

Os termos destacados são, correta e respectivamente, pronome possessivo e advérbio em:

  • A

    … que lhe caía irremediavelmente em cima. (1º parágrafo) / Correu deixando o barranco e o sonho de liberdade para trás. (14º parágrafo)

  • B

    Apressou-se a ir ao encontro deles. (13º parágrafo) / O barranco olhava-a, boca aberta, num sorriso irresistível… (8º parágrafo)

  • C

    Os filhos que ela odiava! (6º parágrafo) / Esperava que a qualquer momento… (1º parágrafo)

  • D

    Gostava de sua lata de carregar água. (10º parágrafo) / Como ela os amava, Nossenhor! (12º parágrafo)

  • E

    Sentia-se cansada. (1º parágrafo) / A lata e ela, para sempre, juntas no sorriso do barranco. (9º parágrafo)

42239Questão 18|Português|médio

Leia o texto para responder à questão.

Liberdade adiada

    Sentia-se cansada. A barriga, as pernas, a cabeça, o corpo todo era um enorme peso que lhe caía irremediavelmente em cima. Esperava que a qualquer momento o coração lhe perfurasse o peito, lhe rasgasse a blusa.

    Como seria o coração?

    Teria mesmo aquela forma bonita dos postais coloridos?

    … Será que as dores deformam os corações?

  Pensou em atirar a lata de água ao chão, esparramar-se no líquido, encharcar-se, fazer-se lama, confundir-se com aqueles caminhos que durante anos e mais anos lhe comiam as solas dos pés, lhe queimavam as veias, lhe roubavam as forças.

Imaginou os filhos que aguardavam e já deviam estar acordados. Os filhos que ela odiava!

    Não. Não voltaria para casa.

    O barranco olhava-a, boca aberta, num sorriso irresistível, convidando-a para o encontro final.

   Conhecia aquele tipo de sorriso e não tinha boas recordações dos tempos que vinham depois. Mas um dia havia de o eternizar. E se fosse agora, no instante que madrugava? A lata e ela, para sempre, juntas no sorriso do barranco.

   Gostava de sua lata de carregar água. Tratava bem a lata. Às vezes, em momentos de raiva ou simplesmente indefinidos, areava uma, dez, mil vezes, até que sua lata ficava a luzir e a cólera, ou a indefinição se perdiam no brilho prateado. Com o fundo de madeira que tivera que mandar colocar, ficou mais pesada, mas não eram daí os seus tormentos.

    À borda do barranco, com a lata de água à cabeça e a saia batida pelo vento, pensou nos filhos e levou as mãos ao peito.

    O que tinha a ver os filhos com o coração? Os filhos… Como ela os amava, Nossenhor!

    Apressou-se a ir ao encontro deles. O mais novito devia estar a chamar por ela.

    Correu deixando o barranco e o sonho de liberdade para trás.

(Dina Salústio. Mornas eram as noites. Adaptado)

Considere as reescritas de informações do texto.

•  Esperava que _____ qualquer hora o coração lhe perfurasse o peito, lhe rasgasse a blusa. •  O coração corresponderia mesmo _____  forma bonita dos postais coloridos? •  Pensou em jogar _____  lata de água ao chão, esparramar-se no líquido, fazer-se lama. •  O barranco dirigia _____  ela um sorriso irresistível, convidando-a para o encontro final.

De acordo com a norma-padrão, as lacunas devem ser preenchidas, respectivamente, com:

  • A

    a … àquela … a … a

  • B

    a … àquela … à … à

  • C

    à … aquela … a … a

  • D

    à … àquela … a … a

  • E

    a … aquela … a … à

42240Questão 19|Português|médio

Leia o texto para responder às questão.

   Recuemos cinco séculos no tempo. Vemos uma Europa, que então era o mundo, saída da Idade Média, possuída pela febre tão inquietante quanto bela e fértil do Renascimento, e paradoxalmente, envolta em guerras religiosas e conquistas.

  Na Península Ibérica, a inquietação criadora tomou outra forma. Povos de navegadores não mais se conformavam em olhar e apenas imaginar o que haveria além do horizonte atlântico. Pagaram para ver, com risco de suas próprias vidas. Tomando o rumo oeste em pequenas embarcações, Colombo (1492) e Cabral (1500) descobriram o Novo Mundo.

   Havia, no entanto, muito a descobrir. Desde o fim do século XIII, os europeus sabiam da existência do Grande Império da China, através da narrativa de Marco Polo que lá vivera cerca de 20 anos. Em seu livro, ele fazia referência ao Japão como um país fantasticamente rico, inatingido, localizado ao lado da costa chinesa. Todavia, dois séculos e meio transcorreriam antes que um europeu pisasse em território dos japoneses.

   Com a chegada a Tanegashima, praticamente os portugueses completaram seus postulados, desenhos dos continentes e mares, que constituíam os primeiros mapas de navegação.

   No primeiro encontro em Tanegashima, os japoneses conheceram a espingarda, que iria alterar profundamente o comportamento bélico de um povo exímio no uso da espada e do arco e flecha. Em 1546, três anos após o primeiro encontro, três naus portuguesas chegaram a Kyushu, dando início ao intercâmbio comercial com o Japão. Durante quatro décadas, até 1587 (quando chegam os espanhóis), os portugueses foram os únicos parceiros europeus no intercâmbio com o Japão.

(Aliança Cultural Brasil-Japão. Cultura Japonesa: São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba. Adaptado)

As informações textuais permitem concluir corretamente que

  • A

    as mudanças religiosa e política na Europa corresponderam a uma forma de contra-atacar o Grande Império da China que, junto com o rico Japão, constituíam uma ameaça ao poder econômico da Espanha e de Portugal.

  • B

    as intenções de Portugal com a relação comercial com o Japão eram buscar um mercado alternativo de armas para o fortalecimento do poderio bélico e o estabelecimento da China como novo parceiro comercial.

  • C

    as vantajosas relações comerciais estabelecidas com o Japão fizeram com que Portugal impusesse aos japoneses, a partir de 1546, o fim do intercâmbio comercial desse povo com outros países europeus.

  • D

    os navegadores portugueses, cansados de guerras religiosas, empreenderam um novo modelo de desenvolvimento comercial, baseado nas relações amigáveis com países asiáticos, sobretudo a China e o Japão.

  • E

    as transformações por que passava a Europa inspiraram os navegadores portugueses a explorar outros lugares, do que resultou a chegada ao Japão, país com o qual iniciaram as relações comerciais.

42241Questão 20|Português|médio

Leia o texto para responder às questão.

   Recuemos cinco séculos no tempo. Vemos uma Europa, que então era o mundo, saída da Idade Média, possuída pela febre tão inquietante quanto bela e fértil do Renascimento, e paradoxalmente, envolta em guerras religiosas e conquistas.

  Na Península Ibérica, a inquietação criadora tomou outra forma. Povos de navegadores não mais se conformavam em olhar e apenas imaginar o que haveria além do horizonte atlântico. Pagaram para ver, com risco de suas próprias vidas. Tomando o rumo oeste em pequenas embarcações, Colombo (1492) e Cabral (1500) descobriram o Novo Mundo.

   Havia, no entanto, muito a descobrir. Desde o fim do século XIII, os europeus sabiam da existência do Grande Império da China, através da narrativa de Marco Polo que lá vivera cerca de 20 anos. Em seu livro, ele fazia referência ao Japão como um país fantasticamente rico, inatingido, localizado ao lado da costa chinesa. Todavia, dois séculos e meio transcorreriam antes que um europeu pisasse em território dos japoneses.

   Com a chegada a Tanegashima, praticamente os portugueses completaram seus postulados, desenhos dos continentes e mares, que constituíam os primeiros mapas de navegação.

   No primeiro encontro em Tanegashima, os japoneses conheceram a espingarda, que iria alterar profundamente o comportamento bélico de um povo exímio no uso da espada e do arco e flecha. Em 1546, três anos após o primeiro encontro, três naus portuguesas chegaram a Kyushu, dando início ao intercâmbio comercial com o Japão. Durante quatro décadas, até 1587 (quando chegam os espanhóis), os portugueses foram os únicos parceiros europeus no intercâmbio com o Japão.

(Aliança Cultural Brasil-Japão. Cultura Japonesa: São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba. Adaptado)

Nas passagens – Vemos uma Europa, que então era o mundo… (1º parágrafo) – e – Pagaram para ver, com risco de suas próprias vidas. (2º parágrafo) –, as expressões grifadas significam, contextual e respectivamente:

  • A

    o que se impunha totalmente; abstiveram-se.

  • B

    o que funcionava melhor; duvidaram.

  • C

    o que se imaginava sempre; resignaram-se.

  • D

    o que se conhecia mais; arriscaram-se.

  • E

    o que se via fisicamente; desistiram.

Escrevente Técnico Judiciário - 2024 | Prova