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Observam-se plenamente as regras que regulamentam o emprego do sinal de crase em:


99294|Português|superior

O humor e o "politicamente correto"

Tem sido marca de nossa época (não se sabe exatamente

a partir de quando, nem por que começou) adotar extrema

cautela quanto a formas de expressão, ao vocabulário, ao

emprego de certos conceitos. Trata-se de evitar que seja ferida

a susceptibilidade de quem pertence a determinada etnia, ou

professe certa religião, ou se oriente por determinada opção

sexual, ou que surja representando toda uma nacionalidade. Tal

preocupação traria a vantagem de impedir (ou ao menos tentar

impedir) a propagação de qualquer preconceito. Mas, no que diz

respeito à criação e à prática do humor, os efeitos dessa cautela

podem ser desastrosos.

É que o humor vive, exatamente, do desmesuramento,

do excesso, do arbítrio, da caricatura, do estereótipo ... e do

preconceito. Este último é o vilão da história: o preconceito é o

argumento final para quem cultiva o politicamente correto e

abomina quem dê um passo fora desse território bem comportado

e muito bem controlado.

Desde sempre o humor serviu como compensação

simbólica para as tantas desventuras que afligem o homem. É

quando o pobre se ri do rico, o ingênuo do esperto, o fraco do

poderoso; ou então, é quando ser pobre, ingênuo ou fraco já é

razão para um riso que explora o peso do infortúnio e da

desgraça. De fato, o humor não pede a ninguém o direito de

agir: sua liberdade é a sua razão de ser, é o sentido final de

quem ri - ainda que seja para não chorar.

O advento do "politicamente correto" parte da convicção

de que, para sermos todos felizes, temos que ser todos, ao

mesmo tempo e inteiramente, justos e honestos uns com os

outros, respeitando-nos uns aos outros sem qualquer possibilidade

de desvio. Ora, às vezes isso é extremamente chato:

ou porque não conseguimos ser justos e honestos o tempo

todo, ou porque a falta do riso acaba por nos tornar tão

distantes uns em relação ao outros que nos sentimos quase

desumanos... Por alguma razão, o riso é parte de nós. Sem ele,

perderemos a criancice, mataremos todos os palhaços do

mundo, eliminaremos todas as gargalhadas. Ou, como disse

uma vez um humorista, "se o mundo chegar a ser inteiramente

sério, que graça terá?".

(Abelardo Siqueira, inédito)

Observam-se plenamente as regras que regulamentam o emprego do sinal de crase em:

  • A

    Se uma forma de reação ao humor é rir à socapa, outra forma, contrária àquela, é rir às escâncaras.

  • B

    O humor não pede licença à ninguém para se fazer presente, nem recorre à normas de boa conduta para se justificar.

  • C

    Assiste à toda gente o direito de não se rir de uma piada, mas não cabe à nenhuma pessoa impedir que alguém a conte.

  • D

    O humorista requisitou àquela senhora para contracenar com ele, mas, afeita à defender o "politicamente correto", ela se recusou.

  • E

    É à partir das reações de alguém à ação do humor que podemos chegar à alguma conclusão sobre o seu caráter pessoal.