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O fato de o gavião matar a pomba é visto, pelo autor, como um evento


63909|Português|médio

O gavião

      Gente olhando para o céu: não é mais disco voador. Disco voador perdeu o cartaz com tanto satélite beirando o sol e a lua. Olhamos todos para o céu em busca de algo mais sensacional e comovente – o gavião malvado, que mata pombas.

      O centro da cidade do Rio de Janeiro retorna assim à contemplação de um drama bem antigo, e há o partido das pombas e o partido do gavião. Os pombistas ou pombeiros (qualquer palavra é melhor que “columbófilo”) querem matar o gavião. Os amigos deste dizem que ele não é malvado tal; na verdade come a sua pombinha com a mesma inocência com que a pomba come seu grão de milho.

      Não tomarei partido; admiro a túrgida inocência das pombas e também o lance magnífico em que o gavião se despenca sobre uma delas. Comer pombas é, como diria Saint-Exupéry, “a verdade do gavião”, mas matar um gavião no ar com um belo tiro pode também ser a verdade do caçador.

      Que o gavião mate a pomba e o homem mate alegremente o gavião; ao homem, se não houver outro bicho que o mate, pode lhe suceder que ele encontre seu gavião em outro homem.

                                       

 (Rubem Braga. Ai de ti, Copacabana, 1999. Adaptado)

O fato de o gavião matar a pomba é visto, pelo autor, como um evento

  • A

    mórbido, o qual denuncia a natureza cruel dos seres vivos.

  • B

    espetacular, pois é algo raro de se encontrar na natureza.

  • C

    irrelevante, uma vez que não interfere no cotidiano da cidade.

  • D

    natural, que não é essencialmente positivo nem negativo.

  • E

    entediante, que não justifica alguma reflexão filosófica.