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Quando então o ato muda. (4º parágrafo) A frase acima divide o texto em duas partes, pois:


169429|Português|superior

Texto – REDE

O diário corresponde, na fala, à conversa com os próprios botões. Mas não se pode conversar apenas com botões. Inclusive, aprende-se a falar pela observação dos outros, pelo interesse nos outros. A conversa consigo mesmo, da qual as crianças são mestras, indica claramente a presença da falta.

Um tanto paradoxal esta expressão: “presença da falta”. Porém, precisa. A falta que todo homem carrega consigo o tempo todo, tanto dos outros quanto daquele que ele podia ser mas ainda não é, se faz uma presença viva, perceptível no papo das crianças com seus amigos imaginários, no sonho dos adultos com seus desejos frustrados, na insônia dos apaixonados em suas camas de solteiro. A falta que todo homem carrega consigo o tempo todo é aquela que explica e dá sentido a boa parte dos seus atos e lapsos.

Eis a palavra, testemunhando a ausência e a falta. A falta depositada nos diários testemunha a falta do autoconhecimento e, é claro, a necessidade da autoafirmação. Mas não nos falta apenas conhecer-nos. Falta-nos conhecer tudo e todos. Logo, não se escrevem única e exclusivamente diários. Escrevem-se bilhetes, cartas, artigos de jornal, livros e discursos públicos, a cada texto se marcando a presença de determinada falta.

Quando então o ato muda.

O diário afirma o indivíduo para si mesmo. Uma carta já o afirma para outro sujeito, e daí se tem de pensar neste outro no momento da escrita, uma vez que ele passou a fazer parte do ato. O outro, ao adentrar o espaço da comunicação, modifica radicalmente o texto: no visual, no estilo, na sequência, nas informações.

Por sua vez, um artigo de jornal, ou um capítulo teórico como este, buscam bem mais de um outro só, buscam muitos outros leitores (quanto mais melhor). Todos estes outros, desejados e possíveis, invadem e transformam/transtornam a mensagem, e não poderia ser de outro modo. Tudo o que existe cobra a sua existência. Se existe um leitor, pelo simples fato de existir, ele estará cobrando seu espaço no texto, na carta – cobrando que a coisa se escreva de modo que ele entenda (ele, e talvez mais ninguém, pois por enquanto tratamos de uma carta), que ele sinta e possa responder. Da mesma maneira, se existem mil leitores, pelo simples e inusitado (no Brasil) fato de existirem, eles estarão cobrando seu espaço no artigo, no livro teórico, no romance – cobrando que a coisa se escreva de modo a que se entenda, e se sinta, e mexa por dentro, e cobrando que se diga algo que ainda não tenha sido dito, para valer a pena.

BERNARDO, Gustavo. Redação inquieta . Rio de Janeiro: Globo, 1988 (trecho).

Quando então o ato muda. (4º parágrafo) A frase acima divide o texto em duas partes, pois:

  • A

    o que vem antes dessa frase defende uma ideia contrária ao que vem depois, visto que o autor afirma inicialmente que o que motiva a escrita de textos é a ausência para depois defender a ideia de que a motivação para a escrita de qualquer tipo de texto são os possíveis leitores

  • B

    o que vem antes dessa frase é a introdução do texto e o que vem depois é o desfecho

  • C

    o que vem antes dessa frase é a introdução, sem nenhum tipo de discussão, somente apresentação das ideias principais que serão trabalhadas ao longo do texto, enquanto o que vem depois da frase é a discussão dessas ideias e a defesa de argumentos que as confirmam

  • D

    o que vem antes dessa frase defende uma ideia cujo escopo se encontra no trecho que vem depois

  • E

    o que vem antes dessa frase discute principalmente a sensação de ausência/falta inerente aos seres humanos que determina a escrita de diversos tipos de textos, enquanto o que vem após essa frase tem como proposta principal discutir a importância dos leitores na significação/atribuição de sentidos dos textos escritos