Vade Mecum Digital 2026De R$ 249,90 por 12x R$ 9,99 ou R$ 119,90 à vista
JurisHand AI Logo

Considerando-se a substituição dos segmentos grifados por aqueles colocados entre parênteses no final de cada frase, o verbo que deve permanecer no singular ...


140335|Português|médio

Multidões de mascarados e maquiados com cores alegóricas

das nacionalidades envolvidas nas disputas da Copa do

Mundo falam por esse meio uma linguagem que simbolicamente

quer dizer muito mais do que pode parecer. Trata-se de um

ritual cíclico de renovação de identidades nacionais expressas

nos ornamentos e paramentos do que é funcionalmente uma

nova religião no vazio contemporâneo. Aqui no Brasil as manifestações

simbólicas relacionadas com o futebol e seus significados

têm tudo a ver com o modo como entre nós se difundiu

a modernidade, nas peculiaridades de nossa história social.

Embora não fosse essa a intenção, rapidamente esse

esporte assumiu entre nós funções sociais extrafutebolísticas

que se prolongam até nossos dias e respondem por sua imensa

popularidade. A República, em que todos se tornaram juridicamente

brancos, sucedeu a monarquia segmentada em senhores

e escravos, brancos e negros, todos acomodados numa dessas

duas identidades. A República criou o brasileiro genérico e

abstrato. O advento do futebol entre nós coincidiu com a busca

de identidades reais para preencher as incertezas dessa ficção

jurídica. Clubes futebolísticos de nacionalidades, de empresas,

de bairros, de opções subjetivas disfarçaram as diferenças

sociais reais e profundas, sobrepuseram-se a elas e tornaram

funcionais os conflitos próprios da nova realidade criada pela

abolição da escravatura.

No futebol há espaço para acomodações e inclusões,

mesmo porque, sem a diversidade de clubes e sem a competição,

o futebol não teria sentido. O receituário da modernidade

inclui, justamente, esses detalhes de convivência com a diversidade

e com a rotatividade dos que triunfam. Nela, a vida recomeça

continuamente; depois da vitória é preciso lutar pela vitória

seguinte.

O futebol, essencialmente, massificou e institucionalizou

a competição e a concorrência, elevou-as à condição de valores

sociais e demonstrou as oportunidades de vitória de cada um no

rodízio dos vitoriosos. Nele, a derrota nunca é definitiva nem

permanente. Por esse meio, o que era mero requisito do funcionamento

do mercado e da multiplicação do capital tornou-se

expressamente um rito de difusão de seus princípios no modo

de vida, na mentalidade e no cotidiano das pessoas comuns.

É nesse sentido que o futebol só pode existir em sociedades

competitivas e de antagonismos sociais administráveis.

Fora delas, não é compreendido. Há alguns anos, um antropólogo

que estava fazendo pesquisa com os índios xerentes, de

Goiás, surpreendeu-se ao ver que eles haviam adotado entusiasticamente

o futebol. Com uma diferença: os 22 jogadores

não atuavam como dois times de 11, mas como um único time

jogando contra a bola, perseguida em campo todo o tempo.

Interpretaram o futebol como ritual de caça. Algo próprio de uma

sociedade tribal e comunitária.

(Adaptado de José de Souza Martins. O Estado de S. Paulo,

aliás, J7, 4 de julho de 2010)

Considerando-se a substituição dos segmentos grifados por aqueles colocados entre parênteses no final de cada frase, o verbo que deve permanecer no singular está em:

  • A

    ... como entre nós se difundiu a modernidade ... (os benefícios da modernidade)

  • B

    Embora não fosse essa a intenção ... (essas as intenções)

  • C

    No futebol há espaço para acomodações e inclusões ... (vários espaços)

  • D

    ... o futebol não teria sentido. (os jogos de futebol)

  • E

    Nele, a derrota nunca é definitiva nem permanente . (as derrotas)