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Para o crítico José Onofre, muitos dos que repetem a frase “não se faz uma omelete sem quebrar ovos” querem, com ela,


99354|Português|superior

Meios e fins

O crítico José Onofre disse uma vez que a frase “não se

faz uma omelete sem quebrar ovos” é muito repetida por gente

que não gosta de omelete, gosta do barulhinho dos ovos sendo

quebrados. Extrema esquerda e extrema direita se parecem não

porque amam seus ideais, mas porque amam os extremos, têm

o gosto pelo crec-crec.

A metáfora da omelete é “o fim justifica os meios”, em

linguagem de cozinha. O fim justificaria todos os meios extre-

mos de catequização e purificação, já que o fim é uma humani-

dade melhor – só variando de extremo para extremo o conceito

de “melhor”.

Todos os fins são nobres para quem os justifica, seja

uma sociedade sem descrentes, sem classes ou sem raças

impuras. O próprio sacrifício de ovos pelo sacrifício de ovos tem

uma genealogia respeitável, a ideia de regeneração (dos outros)

pelo sofrimento e pelo sangue acompanha a humanidade desde

as primeiras cavernas. Ou seja, até os sádicos têm bons

argumentos. Mas o fim das ideologias teria decretado o fim do

horror terapêutico, do mito da salvação pela purgação que o

século passado estatizou e transformou no seu mito mais

destrutivo.

O fracasso do comunismo na prática acabou com a des-

culpa, racional ou irracional, para o stalinismo. O tempo não

redimiu o horror, o fim foi só a última condenação dos meios.

(Adaptado de: Luis Fernando Verissimo, O mundo é bárbaro)

Para o crítico José Onofre, muitos dos que repetem a frase “não se faz uma omelete sem quebrar ovos” querem, com ela,

  • A

    justificar o difícil caminho que deve ser penosamente trilhado para se chegar a um bom resultado.

  • B

    mascarar o gosto pela violência mesma dos processos radicais, independente dos objetivos finais.

  • C

    revelar a necessidade da violência quando o fim último pretendido for o da conciliação permanente.

  • D

    despertar a consciência de quem trabalha para o oportunismo de quem somente colhe os frutos do labor alheio.

  • E

    ilustrar a tese de que aos mais altos ideais corresponde sempre a exigência dos mais altos sacrifícios.