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Um dia mão estúpida Inadvertidamente a derrubou e partiu. Então ajoelhei com raiva, recolhi aqueles tristes fragmentos, [recompus a figurinha que chorava. E ...


98318|Português|superior

Atenção:

As questões de números 10 a 13 referem-se ao texto abaixo.

                                                         Gesso

Esta minha estatuazinha de gesso, quando nova

− O gesso muito branco, as linhas muito puras −

Mal sugeria imagem de vida (Embora a figura chorasse).

Há muitos anos tenho-a comigo.

O tempo envelheceu-a, carcomeu-a, manchou-a de pátina [amarelo-suja.

Os meus olhos, de tanto a olharem,

Impregnaram-na da minha humanidade irônica de tísico.

Um dia mão estúpida

Inadvertidamente a derrubou e partiu.

Então ajoelhei com raiva, recolhi aqueles tristes fragmentos,

                                        [recompus a figurinha que chorava.

E o tempo sobre as feridas escureceu ainda mais o sujo

                                                     [mordente da pátina...

Hoje este gessozinho comercial

É tocante e vive, e me fez agora refletir

Que só é verdadeiramente vivo o que já sofreu.

                                                            Manuel Bandeira

Um dia mão estúpida

Inadvertidamente a derrubou e partiu.

Então ajoelhei com raiva, recolhi aqueles tristes fragmentos,

[recompus a figurinha que chorava.

E o tempo sobre as feridas escureceu ainda mais o sujo

[mordente da pátina...

Sobre os versos acima transcritos é INCORRETO afirmar:

  • A

    mão estúpida pode ser alusão do poeta a si próprio e carregaria assim algum matiz da raiva que o teria acometido quando derrubou a estátua.

  • B

    Inadvertidamente tem o sentido de “de modo descuidado", indicando o caráter acidental do episódio.

  • C

    em recompus a figurinha que chorava, o poeta se vale de uma ambiguidade para sugerir o sofrimento da estátua com a queda.

  • D

    com a alusão às feridas causadas à estátua, o poeta se refere aos sinais visíveis da junção dos pedaços dela depois de reconstituída.

  • E

    com a expressão o sujo mordente da pátina, o poeta alude à transformação da estátua de sofredora em causadora de sofrimento.