Vade Mecum Digital 2026De R$ 249,90 por 12x R$ 9,99 ou R$ 119,90 à vista
JurisHand AI Logo

A clareza e a correção da frase original não resultam prejudicadas com a nova redação que se indica em:


95077|Português|superior

Atenção

: A questão refere-se ao texto que segue.

                                                     Questão de ênfase

A ênfase é um modo suspeito de expressão. Se há casos em que ela se torna indispensável, como nas tragédias ou na comicidade extrema, na maioria das vezes é um artifício do superficial que se deseja profundo, do lateral que aspira ao centro, do insignificante que se pretende substancial. É a fala em voz gritada, o gargalhar sistemático, a cadeia de interjeições, a produção de caretas, o insistente franzir do cenho, o repetitivo arquear de sobrancelhas, a pronúncia caprichosa de palavras e frases que se querem sentenciosas e inesquecíveis.

Na escrita, a ênfase acusa-se na profusão de exclamações, na sistemática caixa alta, nos grafismos espaçosos. Na expressão oral, a ênfase compromete a verdade de um sentimento já de si enfático: despeja risadas antecipando o final da própria piada, força o tom compungido antes de dar a má notícia e se marca no uso indiscriminado de termos como “com certeza" e “literalmente", por exemplo: “Esse aluno está literalmente dando o sangue na prova de Física." Com a ênfase, todos os gestos compõem uma dramaturgia descontrolada.

A ênfase também parece desconfiar do alcance de nossa percepção usual, e nos acusa, se reclamamos do enfático. Este sempre acha que ficaremos encantados com a medida do seu exagero, e nos atribui insensibilidade se não o admiramos. Em suma: o enfático é um chato que se vê a si mesmo como um superlativo. Machado de Assis, por exemplo, não suportava gente que dissesse “Morro por doce de abóbora!". Por sua vez, o poeta Manuel Bandeira enaltecia a “paixão dos suicidas que se matam sem explicação". Já o enfático vive exclamando o quão decisivo é ele ser muito mais vital do que todos os outros seres humanos.

(Augusto Tolentino, inédito)

A clareza e a correção da frase original não resultam prejudicadas com a nova redação que se indica em:

  • A

    Se há casos em que ela se torna indispensável = desde que hajam casos em que ela seja inevitável.

  • B

    na maioria das vezes é um artifício do superficial que se deseja profundo = muitas das vezes cuida de ser profundo o que se constrói de superficial.

  • C

    Na escrita, a ênfase acusa-se na profusão de exclamações = o emprego de exclamações adotam como efeito a acusação de uma ênfase.

  • D

    Com a ênfase, todos os gestos compõem uma dramaturgia descontrolada = a serem enfáticos, a teatralização sem critério marcam-se nesses gestos.

  • E

    acha que ficaremos encantados com a medida do seu exagero = cuida que nos cativará com o excesso de sua ênfase.