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Ao afirmar, no contexto do último parágrafo, que a vida é rapina, o autor


92496|Português|superior

O gavião

       Gente olhando para o céu: não é mais disco voador. Disco voador perdeu o cartaz com tanto satélite beirando o sol e a lua. Olhamos todos para o céu em busca de algo mais sensacional e comovente — o gavião malvado, que mata pombas.

       Retornamos assim à contemplação de um drama bem antigo, e há o partido das pombas e o partido do gavião. Os pombistas ou pombeiros (qualquer palavra é melhor que “columbófilo”) querem matar o gavião. Os amigos deste dizem que ele não é malvado; na verdade come a sua pombinha com a mesma inocência com que a pomba come seu grão de milho.

         Não tomarei partido: admiro a túrgida* inocência das pombas e também o lance magnífico em que o gavião se despenca sobre uma delas. Comer pombas é, como diria Saint-Exupéry", “a verdade do gavião”, mas matar um gavião no ar com um belo tiro pode também ser a verdade do caçador.

        Que o gavião mate a pomba e o homem mate alegremente o gavião; ao homem, se não houver outro bicho que o mate, pode lhe suceder que ele encontre seu gavião em outro homem. A vida é rapina. A verdade é que não posso mais falar de aves: dei os meus passarinhos. Perdi os cantos do meu canário e os assovios do meu sofré; meu coração está mais triste, mas está mais leve também.

  • túrgida = intumescida, dilatada, cheia.

** Antoine de Saint-Exupéry, escritor francês. 

(Adaptado de: BRAGA, Rubem. Ai de ti, Copacabana. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1960, p. 163-164)

Ao afirmar, no contexto do último parágrafo, que a vida é rapina, o autor

  • A

    pretende estabelecer um marco divisório entre as criaturas pacíficas e as belicosas.

  • B

    considera o fato de que nos momentos de conciliação costuma ocultar-se um crime.

  • C

    evoca a justificativa de que a própria natureza nos fornece os meios para nos entendermos.

  • D

    estende à humanidade o princípio de que a violência é determinante entre os animais.

  • E

    mostra como é que tentamos justificar como atributo da natureza a violência que é só nossa.