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A chancela da representatividade, que legitima os legisladores, não os autoriza em hipótese alguma a duplicar os vícios sociais (...). Nessa frase, são exemp...


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Representatividade ética

Costuma-se repetir à exaustão, e com as consequências

características do abuso de frases feitas e lugares-comuns, que

as esferas do poder público são o reflexo direto das melhores

qualidades e dos piores defeitos do povo do país. Na esteira

dessa convicção geral, afirma-se que as casas legislativas brasileiras

espelham fielmente os temperamentos e os interesses

dos eleitores brasileiros. É o caso de se perguntar: mesmo que

seja assim, deve ser assim? Pois uma vez aceita essa correspondência

mecânica, ela acaba se tornando um oportuno álibi

para quem deseja inocentar de plano a classe política, atribuindo

seus deslizes a vocações disseminadas pela nação inteira...

Perguntariam os cínicos se não seria o caso, então, de não

mais delegar o poder apenas a uns poucos, mas buscar repartilo

entre todos, numa grande e festiva anarquia, eliminando-se

os intermediários. O velho e divertido Barão de Itararé já reivindicava,

com a acidez típica de seu humor: "Restaure-se a

moralidade, ou então nos locupletemos todos!".

As casas legislativas, cujos membros são todos eleitos

pelo voto direto, não podem ser vistas como uma síntese

cristalizada da índole de toda uma sociedade, incluindo-se aí as

perversões, os interesses escusos, as distorções de valor. A

chancela da representatividade, que legitima os legisladores,

não os autoriza em hipótese alguma a duplicar os vícios sociais;

de fato, tal representação deve ser considerada, entre outras

coisas, como um compromisso firmado para a eliminação

dessas mazelas. O poder conferido aos legisladores deriva,

obviamente, das postulações positivas e construtivas de uma

determinada ordem social, que se pretende cada vez mais justa

e equilibrada.

Combater a circulação dessas frases feitas e lugarescomuns

que pretendem abonar situações injuriosas é uma

forma de combater a estagnação crítica ? essa oportunista aliada

dos que maliciosamente se agarram ao fatalismo das "fraquezas

humanas" para tentar justificar os desvios de conduta do

homem público. Entre as tarefas do legislador, está a de fazer

acreditar que nenhuma sociedade está condenada a ser uma

comprovação de teses derrotistas.

(Demétrio Saraiva, inédito)

A chancela da representatividade, que legitima os legisladores, não os autoriza em hipótese alguma a duplicar os vícios sociais (...).

Nessa frase, são exemplos de uma mesma função sintática os termos

  • A

    os legisladores e os vícios sociais.

  • B

    A chancela e os legisladores.

  • C

    da representatividade e autoriza.

  • D

    em hipótese alguma e da representatividade.

  • E

    A chancela e os vícios sociais.