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A referência às pinturas nas cavernas da Europa e da África


60625|Português|médio

A Terra tem uma idade aproximada de 4,5 bilhões de

anos. Nossa espécie, o Homo sapiens, apareceu em torno de

200 mil anos atrás, na África. Se concentrássemos 4,5 bilhões

de anos em uma hora, nosso aparecimento teria ocorrido há

menos de dois décimos de segundo. Somos a presença mais

recente neste planeta.

Evidências fósseis e genéticas indicam que grandes

migrações da África em direção à Eurásia e à Oceania ocorriam

já há 70 mil anos. A fala parece ter surgido há pelo menos

50 mil. Há apenas 10 mil nós nos organizamos em sociedades

agrárias, capazes de se sustentarem com o plantio e colheita

regular de espécies de vegetais domesticados. Certamente,

quando essas sociedades começaram a se organizar, alguns

animais também foram domesticados.

Antes dessas sociedades agrárias, bandos de homens e

mulheres corriam pelas savanas e planícies eurasiáticas à

procura de alimentos e de abrigo. Os perigos eram muitos, de

animais predadores e grupos inimigos a fenômenos naturais

violentos como misteriosos vulcões e terremotos. Para

sobreviver, nunca se podia baixar a guarda.

Desde cedo, ficou claro aos nossos antepassados que a

natureza tinha seus próprios ritmos, alguns regulares e outros

irregulares. A linguagem nasceu tanto para facilitar a sobrevivência

dos grupos quanto para imitar os sons ouvidos pelo

mundo, de cachoeiras e trovões aos pássaros e aos temidos

tigres. Se a natureza cantava, os homens queriam cantar

também.

Recentemente foram descobertos os instrumentos musicais

mais antigos, flautas feitas de ossos de abutres e mamutes,

datando de 35 e 40 mil anos atrás. Os objetos foram encontrados

em uma região da Alemanha, provando que não só humanos

já haviam saído da África, como também haviam desenvolvido

habilidades musicais e artesanais. Se o vento assobiava

ao passar por frestas e galhos, se gotas caíam ritmicamente

das folhas, os homens procuravam imitar esses sons, criando

os instrumentos capazes de fazê-lo.

Pinturas nas cavernas da Europa e da África, algumas

datando de mais de 20 mil anos, mostram uma enorme variedade

de animais e também de cenas de caçadas e de rituais.

Provavelmente grupos se reuniam nas cavernas para comer,

dormir e celebrar uma boa caça. As pinturas poderiam ser tanto

ornamentos quanto desenhos ritualísticos que faziam parte de

cerimônias religiosas. Certamente o som das flautas e dos tambores

acompanhava os rituais, talvez até na tentativa de imitar

os grunhidos dos animais e os sons do ambiente natural onde

viviam.

A música e a pintura não eram as únicas expressões

artísticas dessas sociedades. A escultura também. O impulso

criativo parece ser tão antigo quanto nossa espécie. Do pouco

que conhecemos a respeito dos nossos ancestrais, identificamos

neles bastante do que somos hoje. A diferença é que eles

viviam em comunhão com o mundo ? e não em guerra com ele.

(Marcelo Gleiser. Folha de S. Paulo, Mais!, 23 de

agosto de 2009, com adaptações)

A referência às pinturas nas cavernas da Europa e da África

  • A

    demonstra os obstáculos encontrados pelos cientistas para determinar como se organizavam as sociedades primitivas.

  • B

    indica que os homens primitivos já haviam se organizado em sociedades, com seus rituais religiosos e de confraternização.

  • C

    levanta hipóteses, não esclarecidas pela ciência, a respeito da organização social de povos antiquíssimos.

  • D

    comprova que o instinto artístico demorou muito a se formar na espécie humana, sujeita à própria força da natureza e de animais ferozes.

  • E

    aponta com exatidão a origem de certos hábitos primitivos, como a tentativa de fazer música com instrumentos improvisados.