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Considere estas orações: I. A sombra nos assusta. II. A luz nos é desejável. III. A luz e a sombra constituem nossa vida. Essas orações integram-se com coerê...


56109|Português|superior

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.

Sombra

Sombra, explicava a sabida boneca Emília, de Monteiro Lobato, é ar preto. Criança, não me tranquilizei: do escuro só podiam surgir fantasmas, apagar a luz era dar uma oportunidade aos duendes e demônios do quarto. Só a luz possuía o dom confortante de tocar deste mundo os habitantes do outro.  

No ginásio, estudante de Física, não me tranquilizei. Sombra é o resultado da interposição de um corpo opaco entre o observador e o corpo luminoso, sinal de que muitos corpos luminosos deixam de banhar-nos com sua luz desejável, sinal de que nos faltam felicidades, de que muitos sóis necessários se interromperam em sua viagem até nossos olhos.

Não perguntar o que um homem possui, mas o que lhe falta. Isso é sombra. Não indagar de seus sentimentos, mas saber o que ele não teve a ocasião de sentir. Sombra. Não se importar com o que ele viveu, mas prestar atenção à vida que não chegou até ele, que se interrompeu de encontro a circunstâncias invisíveis, imprevisíveis. A vida é um ofício de luz e trevas. Enquadrá-lo em sua constelação particular, saber se nasceu muito cedo para receber a luz da estrela ou se chegou ao mundo quando de há muito se extinguiu o astro que deveria iluminá-lo. 

Ontem vi uma menininha descobrindo sua sombra. Ela parava de espanto, olhava com os olhos arregalados, tentava agarrar a sombra, andava mais um pouco, virava de repente para ver se o seu fantasma ainda a seguia. Era a representação dramática de um poema infantil de Robert Stevenson, no qual uma menininha vai e vem, rodeando, saltando, gesticulando com seus bracinhos diante de sua sombra, implorando por uma explicação impossível, dançando um balé que será a sua própria vida.

(Adaptado de: CAMPOS, Paulo Mendes. Os sabiás da crônica. Antologia. Org. Augusto Massi. Belo Horizonte: Autêntica, 2021, p. 211-212)

Considere estas orações:

I. A sombra nos assusta.

II. A luz nos é desejável.

III. A luz e a sombra constituem nossa vida.

Essas orações integram-se com coerência, clareza e correção neste período:

  • A

    Ainda que nos assustem ou sejam desejáveis, a luz e a sombra constituem nossa vida.

  • B

    Da sombra, que nos assusta, e da luz, desejada, constitui-se nossa vida.

  • C

    Sendo desejada a luz, enquanto a sombra a assusta, assim se constitua a nossa vida.

  • D

    Ao nos assustar a sombra e nos desejar a luz, vai-se constituindo a nossa vida.

  • E

    Entre a luz e a sombra, entre susto e desejo, constituem a oposição da vida.