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Ao se referir aos novos deuses, aos outros deuses do nosso tempo, o autor está considerando a


56101|Português|superior

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo. 

[Religiões e progresso]

É conhecida a tese de que nas sociedades pré-modernas, como o medievo europeu ou as culturas ameríndias e africanas tradicionais, a religião não tem uma existência à parte das demais esferas da vida, não é um nicho compartimentalizado de devoção e celebração ritual demarcado no tempo e no espaço, mas está integrada à textura do cotidiano comum e permeia todas as instâncias da existência.  

A separação radical entre o profano e o sagrado – entre o mundo secular regido pela razão, de um lado, e o mundo da fé, regido por opções e afinidades estritamente pessoais, de outro – seria um traço distintivo da moderna cultura ocidental. Mas será isso mesmo verdade? Até que ponto o mundo moderno teria de fato banido a emoção religiosa da vida prática e confinado a esfera do sagrado ao gueto das preces, contrições e liturgias dominantes? Ou não seria essa compartimentalização, antes, um meio de apaziguar as antigas formas de religiosidade e ajustar contas com elas ao mesmo tempo em que se abre e se desobstrui o terreno visando a liberação da vida prática para o culto de outros deuses e de outra fé?

Não se trata, é claro, de negar o valor desses outros deuses: a ciência, a técnica, o conforto material, a sede de acumulação de riquezas. O equívoco está em absolutizar esses novos deuses em relação a outros valores, e esperar deles mais do que podem oferecer. A ciência jamais decifrará o enigma de existir; a tecnologia não substitui a ética; e o aumento indefinido de renda e riqueza não nos conduz a vidas mais livres, plenas e dignas de serem vividas, além de pôr em risco o equilíbrio mesmo da bioesfera.

(Adaptado de: GIANETTI, Eduardo. Trópicos utópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 2016, p. 152-153)

Ao se referir aos novos deuses, aos outros deuses do nosso tempo, o autor está considerando a

  • A

    premência de se renovar, no mundo secular, a fé incondicional e a devoção essencial que caracterizavam os ritos antigos.

  • B

    estabilidade social que o progresso da ciência e a consolidação dos valores éticos estão imprimindo no cotidiano moderno.

  • C

    necessidade de sacralizarmos, como fizeram os antigos, as qualidades morais que só a prática estritamente religiosa pode recuperar.

  • D

    infundada esperança de que os novos ritos religiosos alcancem a força que tinham em épocas de devoção mais sincera.

  • E

    ilusão de que as práticas da ciência, da economia e da tecnologia possam alcançar as altas metas do progresso que pretendem atingir.