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Observe as passagens: • Cabe às autoridades, agora, fazer com que a propalada reorganização saia do papel... (8º parágrafo, editorial Folia agigantada) • Cat...


54309|Português|superior

16 DE JULHO Levantei. Obedeci a Vera Eunice. Fui buscar agua. Fiz o café. Avisei as crianças que não tinha pão. Que tomassem café simples e comesse carne com farinha. Eu estava indisposta, resolvi benzer-me. Abri a boca duas vezes, certifiquei-me que estava com mau olhado. A indisposição desapareceu sai e fui ao seu Manoel levar umas latas para vender. Tudo quanto eu encontro no lixo eu cato para vender. Deu 13 cruzeiros. Fiquei pensando que precisava comprar pão, sabão e leite para Vera Eunice. E os 13 cruzeiros não dava! Cheguei em casa, aliás no meu barraco, nervosa e exausta. Pensei na vida atribulada que eu levo. Cato papel, lavo roupa para dois jovens, permaneço na rua o dia todo. E estou sempre em falta. A Vera não tem sapatos. E ela não gosta de andar descalça. Faz uns dois anos, que eu pretendo comprar uma maquina de moer carne. E uma maquina de costura.

    Cheguei em casa, fiz o almoço para os dois meninos. Arroz, feijão e carne. E vou sair para catar papel. Deixei as crianças. Recomendei-lhes para brincar no quintal e não sair na rua, porque os pessimos vizinhos que eu tenho não dão socego aos meus filhos. Saí indisposta, com vontade de deitar. Mas o pobre não repousa. Não tem o previlegio de gosar descanço. Eu estava nervosa interiormente, ia maldizendo a sorte.

(Carolina Maria de Jesus. Quarto de despejo – diário de uma favelada, 1993)

Observe as passagens:

•  Cabe às autoridades, agora, fazer com que a propalada reorganização saia do papel... (8º parágrafo, editorial Folia agigantada) •  Cato papel, lavo roupa para dois jovens, permaneço na rua o dia todo. (1º parágrafo, Quarto de despejo)

Analisando o emprego da palavra “papel” nos dois textos, conclui-se que,

  • A

    nas duas ocorrências, é explorada em linguagem denotativa, sendo atribuído a ela sentido pejorativo.

  • B

    na primeira ocorrência, é explorada em linguagem conotativa; na segunda, em linguagem denotativa.

  • C

    nas duas ocorrências, é explorada em linguagem conotativa, assumindo duplo sentido em ambas.

  • D

    na primeira ocorrência, é explorada em linguagem denotativa; na segunda, em linguagem conotativa.

  • E

    nas duas ocorrências, é explorada em linguagem denotativa, sendo o sentido ambíguo no editorial.