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Na crônica, o autor ressalta


37490|Português|superior

Leia o texto para responder à questão.

Cuidado com o livro

     Sabem do que tenho mais saudades? Do livro aberto. Sim, isso mesmo, tenho saudade de ver um livro escancarado na mão de um leitor. Já não me lembro da última vez que vi um livro a ser devorado em público. Ler em público, ou até carregar um livro debaixo do braço, passou à história, é hoje praticamente figura de museu, alimento da nostalgia de poetas, romancistas e cronistas, para se empanturrarem até arrotarem os seus desvarios e estórias, que por vaidade ou capricho masoquista se dão ao trabalho de publicar em livros, que ficarão para sempre calados.

    Nutrimos pelos livros o mesmo que sentimos por certos cães: medo. As casas comerciais, cada vez mais escassas, que carregam na fachada a palavra “Livraria”, são encaradas com o mesmo respeitinho que nutrimos por aquelas habitações onde nos portões se lê “Cuidado com o cão”. As nossas bibliotecas estão para nós como os canis municipais: nunca pomos lá os pés. Ninguém quer ver, ninguém está para se comover com aquela quantidade de livros abandonados, engaiolados nas prateleiras numa agonia sem fim.

    Quando kandengues*, nossos pais, para incutir sentido de responsabilidade, nos davam de presente livros, e com eles as mesmas recomendações que forneciam quando nos ofereciam o nosso primeiro cachorrinho: “Cuida bem dele, leva-o a passear, é o teu melhor amigo”. Nós, na emoção inicial, brincávamos com eles envoltos naquela alegria infantil.

*crianças

(Kalaf Epalanga. Minha pátria é a língua pretuguesa [Crônicas], 2023. Adaptado)

Na crônica, o autor ressalta

  • A

    um novo padrão de comportamento social, em que leitores raramente são vistos desfrutando da leitura, tanto em livrarias e bibliotecas quanto em outros locais públicos.

  • B

    um perfil contemporâneo de sujeito leitor contumaz e emergente, que vem combatendo o abandono, cada vez mais precoce e generalizado, aos livros.

  • C

    a transformação paulatina no perfil do sujeito leitor, que deixou de ler livros em público, para que deixem de ser comercializados para figurarem como peças de museu.

  • D

    a mudança de paradigma na produção de livros, de modo a acompanhar a vaidade e o capricho de poetas, romancistas e cronistas de não produzirem em larga escala.

  • E

    o medo que domina o sujeito leitor de perder espaços específicos de leitura, como livrarias e bibliotecas, já que lhes rende críticas ofensivas o hábito de ler em qualquer lugar público.