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Essa dicotomia apresenta hoje muitos problemas para ser usada sem cautela, por algumas razões. (3º parágrafo) A expressão grifada refere-se


142250|Português|médio

Existe uma longa tradição analítica que divide a economia

em três setores: primário (atividades agropecuárias), secundário

(indústrias extrativas, de transformação, construção civil e

utilidades públicas) e terciário (que inclui todos os tipos de serviços

públicos e privados). Até aí tudo bem. Entretanto, há também

uma tradição em associar as atividades primárias a baixa

produtividade, pouca tecnologia e reduzida interconexão com o

resto da economia, além de reduzida eficiência organizacional.

Ao mesmo tempo, associam-se à indústria qualidades opostas,

ou seja, elevada produtividade, maior nível tecnológico e sofisticada

organização.

Historicamente isso certamente é correto, pelo menos

até há pouco tempo, o que resultou em uma proposição ainda

hoje extraordinariamente difundida e aceita de que mais indústria

é bom e mais agricultura é ruim do ponto de vista do crescimento.

Um corolário imediato é também derivado na área de

comércio exterior: mais exportações agrícolas (e minerais) pouco

contribuem para o crescimento de longo prazo, pois provocam

valorização cambial e pouca expansão do emprego, prejudicando

a indústria, a chave do crescimento.

Essa dicotomia apresenta hoje muitos problemas para

ser usada sem cautela, por algumas razões. Uma parte crescente

das novidades tecnológicas não está na indústria, mas

sim nos serviços, onde se destacam a Tecnologia da Informação

(TI), as comunicações, os serviços criativos, etc. Esse fenômeno

é tão poderoso que se reconhece que vivemos uma revolução

de software, onde se gera a maior parte do valor, que coloca

o hardware (máquinas e equipamentos), como caudatários

do processo. Por outro lado, a TI permitiu uma ampla modificação

no sistema de produção, em que se busca cada vez mais

foco e especialização para a cadeia de produção. Como consequência,

as atividades produtivas se organizam de maneiras diferentes,

formando cadeias muito mais complexas do que no

passado e tornando, a meu juízo, envelhecidas as contraposições

do tipo agricultura versus indústria.

(Adaptado do artigo de José Roberto Mendonça de Barros.

O

Estado de S. Paulo

, B6/Economia, 7 de março de 2010)

Essa dicotomia apresenta hoje muitos problemas para ser usada sem cautela, por algumas razões. (3º parágrafo)

A expressão grifada refere-se

  • A

    ao confronto que se estabelece tradicionalmente entre os ganhos econômicos da atividade agrícola e aqueles resultantes da produção industrial.

  • B

    à visão tradicional da separação dos setores da economia, por seu desempenho, e a aceitação do atual desenvolvimento tecnológico.

  • C

    aos problemas que surgem na área do comércio exterior, em que as exportações agrícolas acabam prejudicando o setor industrial.

  • D

    ao desempenho da indústria, bastante superior ao da produção agrícola, que serve de sustentação para a economia.

  • E

    ao atraso ainda existente nas atividades de base agrícola, em contraste com o elevado desenvolvimento tecnológico da indústria.