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A referência ao jogador da seleção alemã constitui, no texto, exemplo que


139225|Português|médio

É indiscutível que no mundo contemporâneo o ambiente do futebol é dos mais intensos do ponto de vista psicológico. Nos estádios a concentração é total. Vive-se ali situação de incessante dialética entre o metafórico e o literal, entre o lúdico e o real. O que varia conforme o indivíduo considerado é a passagem de uma condição a outra. Passagem rápida no caso do torcedor, cuja regressão psíquica do lúdico dura algumas horas e funciona como escape para as pressões do cotidiano. Passagem lenta no caso do futebolista profissional, que vive quinze ou vinte anos em ambiente de fantasia, que geralmente torna difícil a inserção na realidade global quando termina a carreira. A solução para muitos é a reconversão em técnico, que os mantém sob holofote. Lothar Matthäus, por exemplo, recordista de partidas em Copas do Mundo, com a seleção alemã, Ballon d'Or de 1990, tornou-se técnico porque “na verdade, para mim, o futebol é mais importante do que a família". [...]

Sendo esporte coletivo, o futebol tem implicações e significações psicológicas coletivas, porém calcadas, pelo menos em parte, nas individualidades que o compõem. O jogo é coletivo, como a vida social, porém num e noutra a atuação de um só indivíduo pode repercutir sobre o todo. Como em qualquer sociedade, na do futebol vive-se o tempo inteiro em equilíbrio precário entre o indivíduo e o grupo. O jogador busca o sucesso pessoal, para o qual depende em grande parte dos companheiros; há um sentimento de equipe, que depende das qualidades pessoais de seus membros. O torcedor lúcido busca o prazer do jogo preservando sua individualidade; todavia, a própria condição de torcedor acaba por diluí-lo na massa.

(JÚNIOR, Hilário Franco.

A dança dos deuses: futebol, cultura, sociedade

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São Paulo: Companhia das letras, 2007, p. 303-304, com adaptações)

Ballon d'Or 1990

  • prêmio de melhor jogador do ano

A referência ao jogador da seleção alemã constitui, no texto, exemplo que

  • A

    insiste na certeza de que o futebol tem implicações e significações psicológicas coletivas , observação que dilui a aceitação habitual da genialidade de grandes nomes do futebol, que acabam perdendo sua condição de ídolos, ainda que sejam imprescindíveis para as vitórias do time

  • B

    comprova a afirmativa sustentada pelo autor, quanto às dificuldades de readaptação de um jogador à realidade, depois de viver certo tempo em constante evidência, em situação de incessante dialética entre o metafórico e o literal, entre o lúdico e o real .

  • C

    reafirma a percepção equivocada, embora seja geral, de que no futebol predomina o sentimento de equipe , pois a premiação se destina somente a um ou a outro jogador, aparentemente confirmando a visão de que este busca o sucesso pessoal , acima dos interesses do grupo.

  • D

    minimiza a importância de certos prêmios conquistados por futebolistas, como o Ballon d’Or de 1990 recebido por Lothar Matthäus, ao considerar que esses apenas reproduzem o mundo distante da realidade, de fantasia, em que vivem habitualmente os jogadores.

  • E

    aborda a dificuldade encontrada pelo jogador de inserção na realidade global quando termina a carreira , momento em que busca qualquer possibilidade de se manter sob holofotes , especialmente depois de ter sido premiado por sua atuação excepcional.