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Analise a formulação do trecho a seguir: “ Como o nosso ensino da língua sempre se baseou na norma gramatical literária de Portugal, as regras que aprendemos...


132597|Português|superior
2019
COVEST-COPSET

“Português é muito difícil” .

Essa afirmação preconceituosa é prima-irmã da ideia de que “brasileiro não sabe português”. Como o nosso ensino da língua sempre se baseou na norma gramatical literária de Portugal, as regras que aprendemos na escola, em boa parte, não correspondem à língua que realmente falamos e escrevemos no Brasil.

Por isso, achamos que “português é uma língua difícil”: temos de fixar regras que não significam nada para nós. No dia em que nosso ensino se concentrar no uso real , vivo e verdadeiro da língua portuguesa do Brasil , é bem provável que ninguém continue a pensar assim. Todo falante nativo de uma língua sabe essa língua. Saber uma língua, na concepção científica da linguística moderna, significa conhecer intuitivamente e empregar com facilidade e naturalidade as regras básicas de seu funcionamento.

Está provado e comprovado que uma criança, por volta dos 7 anos de idade, já domina perfeitamente as regras gramaticais de sua língua. O que ela não conhece são sutilezas e irregularidades no uso dessas regras, que só a leitura e o estudo podem lhe dar. Nenhuma criança brasileira dessa idade vai dizer, por exemplo: “ Uma meninos chegou aqui amanhã ”. (...)

Se tantas pessoas inteligentes e cultas continuam achando que “não sabem português” ou que “português é muito difícil”, é porque o uso da língua foi transformado numa ciência esotérica, numa doutrina cabalística que somente alguns iluminados conseguem dominar completamente. (...)

No fundo, a ideia de que “português é muito difícil” serve como um dos instrumentos de manutenção do status quo das classes sociais prestigiadas.

É lamentável que a imagem da língua tenha sido empobrecida e reduzida a uma nomenclatura confusa e a exercícios descontextualizados, práticas que se revelam irrelevantes para, de fato, levar alguém a se valer dos muitos recursos que a língua oferece.

Marcos Bagno. Preconceito linguístico. São Paulo: Parábola, 2015. p. 57-63. Adaptado.

Analise a formulação do trecho a seguir: “ Como o nosso ensino da língua sempre se baseou na norma gramatical literária de Portugal, as regras que aprendemos na escola, em boa parte, não correspondem à língua que falamos e escrevemos no Brasil”. O sentido do conectivo sublinhado coincide com o sentido expresso na seguinte alternativa:

  • A

    Aprendemos como usar a língua fora dos usos falados e escritos em contextos brasileiros.

  • B

    As regras que aprendemos na escola são como as regras que usamos no dia a dia quando falamos e escrevemos.

  • C

    Como a língua falada no Brasil corresponde à língua usada em Portugal?

  • D

    Até agora desconhecíamos que a língua é como um sistema que se apreende pelo uso falado e escrito no cotidiano.

  • E

    A verdade é esta: como a língua escolar difere da língua usada informalmente, achamos que o português é muito difícil.