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100580|Português|superior

O poder nuclear e a civilização

Considerando que nosso futuro será, em grande parte,

determinado por nossa atitude perante a questão nuclear, é

bom nos perguntarmos como chegamos até aqui, com o poder

de destruir a civilização. O que isso nos diz sobre quem somos

como espécie?

Nossa aniquilação é inevitável ou será que seremos capazes

de garantir nossa sobrevivência mesmo tendo em mãos

armas de destruição em massa? Infelizmente, armas nucleares

são monstros que jamais desaparecerão. Nenhuma descoberta

científica "desaparece". Uma vez revelada, permanece viva, mesmo

se condenada como imoral por uma maioria. O pacto que

acabamos por realizar com o poder tem um preço muito alto. É

irreversível. Não podemos mais contemplar um mundo sem armas

nucleares. Sendo assim, será que podemos contemplar um

mundo com um futuro?

O medo e a ganância - uma combinação letal - trouxeram-

nos até aqui. Por milhares de anos, cientistas e engenheiros

serviram o Estado em troca de dinheiro e proteção. Cercamo-

nos de inimigos reais ou virtuais e precisamos proteger

nosso país e nossos lares a qualquer preço. O patriotismo é o

maior responsável pela guerra. Não é à toa que Einstein queria

ver as fronteiras abolidas.

Olhamos para o Brasil, os Estados Unidos e a Comunidade

Europeia, onde fronteiras são cada vez mais invisíveis, e

temos evidência empírica de que a união de Estados sem

fronteiras leva à estabilidade e à sobrevivência. A menos que as

coisas mudem profundamente, é difícil ver essa estabilidade

ameaçada. Será, então, que a solução - admito, extremamente

remota - é um mundo sem fronteiras, uma sociedade de fato

globalizada e economicamente integrada? Ou será que existe

outro modo de garantir nossa sobrevivência a longo prazo com

mísseis e armas nucleares apontando uns para os outros,

prontos a serem detonados? O que você diz?

(Adaptado de Marcelo Gleiser, Folha de S. Paulo, 18/04/2010)

Indica-se uma construção com sentido equivalente ao de um segmento do texto em:

  • A

    Não é à toa que Einstein queria ver as fronteiras abolidas // Com toda a razão, Einstein desejava ver abolidas as fronteiras.

  • B

    Será, então, que a solução - admito, extremamente remota - é um mundo sem fronteiras (...) ? // A solução, pois, advirá - digamos que a longo prazo - de um mundo não demarcado?

  • C

    O medo e a ganância - uma combinação letal - trouxeram-nos até aqui // Por uma combinação mortal, aportamos no medo e na ganância.

  • D

    Uma vez revelada, permanece viva, mesmo se condenada como imoral por uma maioria // Conquanto revelada, resta viva, embora acusada de imoral pela maioria.

  • E

    O pacto que acabamos por realizar com o poder tem um preço muito alto // O que já terminamos de pactuar com o poder tem custo muito alto.

    Indica-se uma construção com sentido equivalente ao de um...