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No poema,


100143|Português|superior

Logrador

                          Você habita o próprio centro

                          de um coração que já foi meu.

                          Por dentro torço por que dentro

                          em pouco lá só more eu.

                          Livre de todos os negócios

                          e vícios que advêm de amar

                          lá seja o centro de alguns ócios

                          que escolherei por cultivar.

                          Para que os sócios vis do amor,

                          rancor, dor, ódio, solidão,

                          não mais consumam meu vigor,

                          amado e amor banir-se-ão

                          do centro rumo a um logrador

                          subúrbio desse coração.

                      (CÍCERO, Antonio. Guardar, Rio de Janeiro, Record, 1996, p. 71)

No poema,

  • A

    o termo logrador, por sua semelhança com "logradouro", não apenas se apropria de seu sentido, como também sugere a dimensão enganadora do amor e do amado, que o poeta deseja banir para longe do centro de seu coração.

  • B

    ao tentar aproximar-se de uma dimensão positiva do amor, o poeta termina por perceber o quão enganador é esse afeto para ele, de maneira que, movido por rancor e afetos semelhantes, opta até mesmo pelo exílio profissional.

  • C

    o poeta lamenta a perda de seu próprio coração para um amor que só lhe causa inquietações, a ponto de desejar desvencilhar-se dele, para cultivar sua própria solidão.

  • D

    na tentativa de conciliar o amor e a quietude, o poeta procura banir para um terreno periférico todos os afetos vis que o prejudicam e que são por ele relacionados a negócios, o que procura revelar sua dimensão propriamente venal.

  • E

    os afetos viciosos que acompanham o amor, caracterizado por ser tão enganador quanto eles, precisam ser banidos para um lugar distante, a fim de que o poeta possa retomar seu afazeres e uma relação afetiva saudável.